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Juventudes organizadas para enfrentar a extrema direita na era digital

Redes sociais se transformaram em um dos principais campos de batalha na formação da consciência política. Por isso, a presença jovem no ambiente digital é fundamental

Rafael Tavares é membro do Diretório Nacional do PTFoto: Divulgação

Por Rafael Tavares (*)

A disputa política do nosso tempo acontece em múltiplos espaços. Ela está nas ruas, nas escolas, nas universidades, nos locais de trabalho, mas também e cada vez mais nas telas dos celulares. As redes sociais se transformaram em um dos principais campos de batalha pela formação da consciência política, e a extrema direita compreendeu isso antes de muitos setores progressistas.

Não é por acaso que temas aparentemente banais se tornam fenômenos políticos. Recentemente, viralizou no TikTok uma trend em que homens mostravam como agrediriam suas namorados diante de um “não”. As postagens abriram uma discussão profunda sobre relações de poder, machismo e valores sociais. Muitas respostas naturalizavam comportamentos autoritários e desigualdades de gênero.

Esse exemplo demonstra como a disputa de valores acontece diariamente nas plataformas digitais. Não estamos falando apenas de eleições ou campanhas. Estamos falando da construção de visões de mundo, da maneira como as pessoas enxergam a democracia, os direitos humanos, as mulheres, a diversidade e o próprio futuro.

O velho coronelismo e as elites políticas tradicionais não desapareceram; elas se modificaram e se atualizaram no ambiente digital. Se antes espalhavam panfletos mentirosos, utilizavam o controle dos meios de comunicação locais ou difundiam boatos nas cidades, hoje impulsionam conteúdos nas redes, financiam estruturas digitais e utilizam algoritmos para ampliar o alcance de suas narrativas.

Mudaram as ferramentas, mas a lógica continua parecida: concentrar poder, manipular a informação e influenciar a opinião pública em benefício de projetos políticos conservadores. A diferença é que agora essa disputa acontece em escala muito maior e com velocidade inédita.

Por isso, a organização das juventudes se torna uma tarefa estratégica. Os jovens dominam as linguagens digitais, compreendem as dinâmicas das plataformas e possuem enorme capacidade de produzir conteúdos criativos e mobilizadores. Mas essa força precisa estar conectada à organização coletiva e à formação política.

Não basta apenas responder fake news e conteúdos manipulados e falseados, quando elas aparecem. É necessário construir presença permanente nas redes, dialogar com quem está fora das bolhas políticas e falar sobre os problemas reais da população. É preciso sair da zona de conforto.

Muitas vezes, os setores progressistas concentram seus debates entre pessoas que já concordam entre si. Enquanto isso, milhões de brasileiros são impactados diariamente por conteúdos produzidos pela extrema direita. O desafio é ocupar esses espaços com coragem, autenticidade e capacidade de diálogo.

Nesse processo, a influência pessoal ganha enorme importância. Quando colocamos nossa própria cara para falar sobre temas importantes, construímos confiança. As pessoas tendem a ouvir mais quem conhecem, quem compartilha experiências semelhantes e quem demonstra coerência entre discurso e prática.

A comunicação política contemporânea não é feita apenas por grandes veículos ou figuras públicas; ela também acontece por meio de lideranças locais, estudantes, militantes e criadores de conteúdo comprometidos com a democracia.

Outro elemento fundamental é fortalecer a presença de porta-vozes capazes de comunicar os resultados concretos das políticas públicas. O governo do presidente Lula acumula iniciativas importantes nas áreas de educação, combate à fome, geração de emprego, inclusão social e desenvolvimento. Porém, nenhuma política se comunica sozinha. É necessário que as juventudes estejam preparadas para explicar como esses projetos impactam a vida das pessoas e por que representam alternativas ao discurso de ódio e ao negacionismo.

As redes sociais não podem ser vistas apenas como instrumentos de propaganda. Elas são espaços de disputa cultural. Quem consegue influenciar a cultura, os valores e os sentimentos da sociedade conquista vantagem política. Por isso, a batalha digital não se resume a números, curtidas ou visualizações. Trata-se de disputar consciências e construir esperança.

A história mostra que as juventudes sempre estiveram na linha de frente das grandes transformações sociais. Hoje, essa missão passa também pela organização digital. Combater a extrema direita exige formação política, criatividade, presença constante nas redes e capacidade de dialogar com quem pensa diferente.

Mais do que reagir aos ataques, precisamos apresentar um projeto de país. Um projeto baseado na democracia, na justiça social, na igualdade e na solidariedade. E para que esse projeto se torne maioria, as juventudes precisam ocupar todos os espaços, inclusive aqueles que cabem na palma da mão.

(*) Membro do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores