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Lideranças internacionais se unem contra guerras, bloqueios e extrema direita

No 8º Congresso Nacional do PT, cerca de 80 partidos e delegações de diferentes países debateram escalada global de conflitos e o enfraquecimento do multilateralismo

Representantes de quase 80 partidos e delegações internacionais reforçaram, durante o 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, em Brasília, a necessidade de união global contra a escalada de conflitos, o avanço da extrema direita e o enfraquecimento do multilateralismo. Em um dos atos centrais do evento, lideranças políticas e diplomáticas destacaram o papel do Brasil e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como referências na defesa da soberania e do diálogo internacional.

O ato de solidariedade aos povos reuniu representantes de embaixadas, parlamentares e dirigentes partidários de diferentes regiões do mundo, focados na defesa do fortalecimento de uma articulação internacional progressista capaz de responder à crise global e conter o avanço de forças autoritárias, com ênfase no papel do Brasil como articulador desse diálogo.

Secretário de Relações Internacionais do PT, o senador Humberto Costa abriu o debate com um alerta sobre o avanço da extrema direita no mundo. Segundo ele, essa força política atua de forma coordenada para subordinar países a interesses externos, mesmo quando se apresenta com discurso nacionalista.

“Essas forças, apesar de discursos aparentemente nacionalistas, em verdade atuam com uma agenda que permanentemente busca enfraquecer soberania e autonomia”, afirmou. Ele destacou que há um abandono crescente do multilateralismo e do direito internacional, o que exige resposta articulada das forças progressistas .

Costa defendeu que a soberania passa por autonomia econômica, capacidade de decisão política e atuação independente no cenário global. Para ele, enfrentar a “regressão civilizatória” depende da construção de alianças amplas e do fortalecimento das redes internacionais de solidariedade.

Escalada de conflitos e crise global

A secretária adjunta de Relações Internacionais do PT, Misiara Oliveira, aprofundou o diagnóstico sobre o cenário internacional. Ela afirmou que o mundo vive “um dos momentos mais delicados desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, com ataques a pactos históricos e instituições multilaterais.

“É urgente um movimento internacional que envolva governos, partidos e povos para dar um basta a essa escalada de ódio, violência e guerras”, disse. Segundo ela, o avanço tecnológico convive com o aumento da pobreza, da fome e da exclusão, agravando tensões em diversas regiões .

Misiara citou conflitos na Palestina, no Líbano, em países africanos e na América Latina, denunciando o uso da fome e da violência como instrumentos de guerra, além da pressão de grandes potências sobre países em desenvolvimento.

Denúncias e apelos por solidariedade

Representantes internacionais trouxeram relatos contundentes sobre conflitos, bloqueios econômicos e pressões geopolíticas, reforçando o tom de urgência do debate.

O embaixador de Cuba, Victor Manoel Cairo Palomo, denunciou o impacto do bloqueio imposto pelos Estados Unidos e afirmou que o país enfrenta uma crise profunda. “Cuba enfrenta hoje uma crise sem precedentes devido ao impacto sistemático dos danos causados pelo bloqueio”, disse. Ainda assim, destacou a resistência do país e seu compromisso com a solidariedade internacional: “O caráter socialista de nossa revolução não é uma frase do passado, é um escudo do presente, a garantia do futuro”.

Já o deputado da Assembleia Nacional da Venezuela, Saul Ortega (PSUD), relatou ataques políticos e institucionais ao país. Segundo ele, houve “um linchamento moral contra o presidente Maduro e a revolução”, mas garantiu que o projeto venezuelano seguirá em curso. “Nossa determinação é a unidade. Estamos militando na construção de um mundo multipolar”, afirmou, ao criticar a atuação de potências estrangeiras .

O embaixador do Estado da Palestina, Marwan Jebril, fez um discurso contundente sobre a situação em Gaza. “Mais de 80 mil mortos, 22 mil são crianças”, afirmou, ao criticar o que classificou como violência sistemática contra a população palestina. Ele também questionou a desigualdade na aplicação do direito internacional: “Existem duas leis na terra: uma para palestinos e outra para israelenses. Isso não é racismo?” .

Papel do Brasil e do PT

O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabal, destacou o protagonismo do Brasil e do PT no cenário internacional. “Lula foi o primeiro grande dirigente a dizer que o que acontecia em Gaza era um genocídio, quando ninguém ainda ousava dizê-lo”, afirmou. Ele também ressaltou a força política do partido: “O PT é a mais importante força democrática e popular do Ocidente” .

Na mesma linha, o embaixador da Liga Árabe no Brasil, Ibrahim Aizeben, reforçou o caráter político da solidariedade internacional. “Solidariedade não é neutralidade, é uma posição consciente ao lado da justiça”, afirmou. Para ele, o momento exige ações concretas: “Precisamos de uma solidariedade que transforme valores em políticas, ideias e ações concretas” .