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‘Serei presidente outra vez’, afirma Lula na abertura do 8º Congresso do PT

Em vídeo, petista reforça que o Brasil precisa de alguém democrático, que "saiba ouvir e conversar". Edinho Silva destacou que partido tem dever histórico de escutar a sociedade

“Preparem-se, pois serei presidente outra vez porque o Brasil precisa de alguém democrático, que saiba ouvir e conversar com o coração das pessoas”. Foi com essa mensagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou a abertura do 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, nesta sexta-feira, 24. Lula enviou um vídeo que foi exibido para os dirigentes do partido, pois não pôde estar presente devido a um pequeno procedimento cirúrgico realizado no mesmo dia.

Lula reforçou que o partido deve entrar no debate eleitoral com base no que já entregou ao país. “Quem está no governo deve usar as realizações como sua principal arma eleitoral”, disse, ao defender que o PT não deve correr atrás da oposição, mas sim “ditar o ritmo” e evidenciar “a diferença entre o nosso governo e os anteriores”.

O presidente destacou os resultados recentes da economia como trunfo central, citando crescimento acima de 3%, controle da inflação, aumento da massa salarial e ampliação de investimentos em áreas como saúde e educação. Para ele, essa comparação direta com gestões passadas é decisiva: “Essa comparação com o que os outros fizeram é a nossa arma”, afirmou.

Ao tratar do futuro, Lula defendeu que o partido apresente propostas “sérias e factíveis”, com foco em temas estratégicos como transformação energética, exploração de minerais críticos e desenvolvimento de uma nova indústria nacional com base tecnológica. Na educação, voltou a defender uma “revolução” com escolas de tempo integral e fortalecimento dos institutos federais para formar milhões de brasileiros.

O presidente também fez um apelo à militância para intensificar a mobilização direta com a população, indo além do ambiente digital. “Nada supera a coragem de ir para a rua, bater no portão e olhar nos olhos das pessoas”, afirmou, ao destacar que a política se constrói no contato direto e na capacidade de diálogo.

Por fim, Lula reforçou o papel do Brasil no cenário global e a necessidade de defender valores estratégicos. “Temos o dever de defender a democracia, a soberania nacional e o multilateralismo”, disse, ao mencionar a importância de reformas nas instituições e de clareza com a população sobre os rumos do país.

‘É hora de ouvir a sociedade’, afirma Edinho Silva

Na abertura oficial do 8º Congresso Nacional do PT, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou, a dirigentes e filiados, que o momento histórico exige que o Partido dos Trabalhadores ouça a sociedade brasileira e entenda as suas dores. “Tem momentos na história que a gente tem que ter humildade para ouvir, para sentir o que a sociedade espera de nós. Eu não tenho nenhuma dúvida que esse é o momento que estamos vivenciando. É hora de ouvirmos. Ouvirmos o que a sociedade está dizendo para que a gente possa humildemente entender as dores e as angústias da sociedade e que a gente tenha capacidade de dialogar”, afirmou.

O PT, argumentou o presidente nacional, soube ouvir os anseios dos brasileiros quando nasceu, no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980, na luta pela redemocratização. “O PT nasceu quando a sociedade gritava por liberdade e por democracia.” Na primeira vitória de Lula à Presidência, disse, o PT também soube ouvir a sociedade, ampliar alianças e formular um programa de governo que desse respostas aos desafios do momento. Agora, diante do avanço da ultradireita no mundo, com um sentimento antissistema que se espalha de forma global, também é hora de o PT ouvir e apresentar respostas e saídas para as crises que enfrentamos, defendeu Edinho.

“É um descontentamento e uma dor que atinge a sociedade mundial e brasileira por conta de uma crise do capitalismo que não é nossa, que não foi criada pela classe trabalhadora”, enfatizou.

Num recado claro aos dirigentes e militantes, Edinho Silva disse que é tarefa histórica do PT ouvir e construir saídas. “Se a sociedade diz que esse sistema não serve e não resolve os problemas, nós temos capacidade de ouvir e construir os caminhos para as reformas necessárias para que um novo sistema comece a ser construído. Se o capitalismo vive uma crise, nós temos capacidade para dizer que a crise não é nossa e dizer qual é nosso modelo de produção de riqueza e distribuição de riqueza. Esse é nosso papel como partido”, frisou.

Edinho explicou a importância da vitória de Lula para a manutenção da democracia e também incentivou a militância a fazer a comparação de um governo de reconstrução, a marca de Lula, com o governo de destruição, a marca de Jair Bolsonaro.

A abertura do Congresso reuniu representantes de partidos progressistas do campo democrático, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o presidente do PDT, Carlos Lupi. Também estavam na cerimônia o Ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Representantes de mais de 80 países, lideranças sindicais, estudantis e organizações da sociedade civil brasileira também marcaram presença. Cerca de 600 delegados partidários de todo o país integram o encontro, que vai até domingo.