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Lula afirma que, por ‘dignidade e respeito’, Brasil não aceita taxas dos EUA

Durante reunião do Conselhão, presidente critica medidas norte-americanas e destaca avanços ambientais do Brasil

Presidente disse que comunidade internacional precisa reconhecer os avanços do Brasil no combate ao desmatamento.Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 10, que não aceitará as novas taxas propostas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros por respeito aos trabalhadores. A declaração foi feita durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), também conhecido como Conselhão.

O mote da reunião foi “Da soberania nacional ao protagonismo global”. Conhecido como Conselhão, o encontro reúne autoridades governamentais, sociedade civil e o empresariado, para focar em metas de desenvolvimento nacional até 2035 e políticas sustentáveis.

Ao comentar a recente imposição de taxas por parte do governo norte-americano, Lula defendeu que o Brasil não aceite as medidas que desconsiderem os esforços realizados pelo país em favor de sua população.

“Essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos o direito de aceitar por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui para os trabalhadores brasileiros”, ressaltou o presidente.

Avanços ambientais e economia equilibrada

Lula criticou cobranças dos norte-americanos relacionadas ao meio ambiente e a segurança econômica do país – que fundamentaram o novo pacote de taxas – e questionou avaliações que ignoram os resultados alcançados pelo Brasil nos últimos anos. Destacando as ações do Governo Federal desde voltou a ser presidente, em 2023, afirmou que o país tem apresentado ações que precisam ser reconhecidas pela comunidade internacional. 

“Será que não se dão conta de que nós, nesses três anos e meio, diminuímos o desmatamento em todos os biomas brasileiros?”, questionou.

O presidente afirmou ainda que o governo tem ampliado a proteção ambiental por meio da criação de áreas preservadas, da regularização de terras indígenas e do fortalecimento de políticas voltadas às populações tradicionais.

Para Lula, a defesa do meio ambiente deve caminhar junto com a promoção do desenvolvimento e da inclusão social. O presidente voltou a destacar que o crescimento econômico só faz sentido quando seus resultados chegam à população mais vulnerável.

“A economia do Brasil está correta. O importante não é o quanto você vai crescer. O importante é se o que você crescer é distribuído”, disse.

Democracia e participação social

Durante seu discurso, o presidente destacou o papel do Conselhão como espaço de diálogo entre governo e sociedade civil. Ao agradecer a dedicação dos conselheiros e conselheiras, o presidente ressaltou a importância das propostas apresentadas ao governo para “ampliar direitos e construir soluções para os desafios do país”.

Para Lula, a experiência do conselho demonstra que a democracia precisa ir além do processo eleitoral e garantir a participação permanente da população na formulação e no acompanhamento das políticas públicas. “Eu acho que esse conselho é o retrato do que pode significar a democracia nesse país. Não basta votar, é preciso votar, fazer e controlar”, declarou.

O presidente também manifestou o desejo de que o país fortaleça cada vez mais a cultura política baseada em projetos coletivos e não apenas em lideranças individuais. “Eu só quero que um dia a gente esteja com esse país tão preparado que as pessoas não precisem votar numa pessoa pela pessoa. Que as pessoas votem num projeto político, um projeto construído a muitas mãos, um projeto que possa ser fiscalizado por muitas mãos”, concluiu.

O conselheiro e  presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidnei, ressaltou o papel do grupo para trazer qualificação para as ações do governo. “Acreditamos que fóruns como o Conselhão podem organizar o debate, ampliar a escuta, aproximar a decisão pública da realidade econômica e social, reduzir a distância entre formulação e execução e legitimar e qualificar a tomada de decisão pública”, afirmou.

Mônica Veloso, conselheira e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, trouxe que o conselho segue trabalhando para articular com o Governo Federal melhorias para todas as camadas da sociedade. “Seguimos empolgados e embalados nesta missão honrosa, para superar tão complexos desafios. Trabalhando duro, vamos alimentanto nossos sonhos, para entregar um futuro digno, justo e equânime para as gerações futuras”. 

A reunião do Conselhão contou com a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e dos ministros José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), que iniciaram as atividades do encontro.

A primeira-dama Janja e os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Dario Durigan (Fazenda), também fizeram parte do encontro, apresentando discussões e resultados do conselho sobre as temáticas do combate ao feminicídio e fortalecimento da segurança pública, desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica e das contribuições do Conselhão para o futuro do Brasil.