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Lula é destaque do Financial Times por defender fim da escala 6×1

Jornal britânico destaca ofensiva do presidente para reduzir jornada de trabalho. Deputado autor de proposta diz que sociedade está pronta

Defesa histórica dos direitos dos trabalhadores, agora com foco na redução da jornada, é destacada em jornal. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou repercussão internacional. Em reportagem publicada nessa quinta-feira, 7, o tradicional jornal britânico Financial Times destacou a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas sem corte de salários, medida vista pelo governo como estratégica para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira.

Na matéria, o FT afirma que Lula está “tentando reconquistar trabalhadores desiludidos” ao colocar novamente direitos trabalhistas no centro do debate político brasileiro. O jornal aponta que o presidente busca fortalecer sua conexão histórica com setores populares após anos de precarização das relações de trabalho no país.

A publicação lembra que milhões de brasileiros ainda vivem sob a lógica da escala 6×1 e descreve a proposta como uma das principais bandeiras trabalhistas do governo.

“O Brasil está debatendo uma mudança histórica nas leis trabalhistas que reduziria a jornada semanal máxima e enfraqueceria a cultura da semana de seis dias de trabalho”, escreveu o Financial Times. O jornal acrescenta que a medida “faz parte da tentativa de Lula de recuperar apoio entre trabalhadores”.

Deputado diz que sociedade está pronta

Lula com o deputado Reginaldo Lopes: empenho do governo e do PT para reduzir a jornada sem reduzir salário.

O FT também destacou a atuação do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da proposta de emenda constitucional debatida no Congresso. Ao jornal britânico, o parlamentar afirmou que a mudança representa uma resposta às transformações do mundo do trabalho e ao desgaste físico e mental enfrentado pela população.

“Queremos dar uma vida melhor, mais dignidade e mais tempo livre para quem ganha menos, trabalha duro e tem pouca qualificação. A hora chegou e a sociedade está pronta”, afirmou Reginaldo Lopes ao Financial Times.

Direito ao descanso e à dignidade

A reportagem ressalta que o Governo Lula argumenta que trabalhadores menos exaustos tendem a produzir mais, adoecer menos e ter mais tempo para convívio familiar, estudo e lazer. O FT observa ainda que a proposta brasileira acompanha movimentos internacionais de redução de jornada já adotados em diferentes países.

Segundo o jornal britânico, “a pressão por jornadas menores cresce em várias partes do mundo”, especialmente após a pandemia, que intensificou debates sobre saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

O Financial Times também destaca que o tema ganhou forte apoio popular nas redes sociais brasileiras, especialmente entre jovens trabalhadores submetidos a rotinas exaustivas em setores como comércio e serviços.

Resistência do empresariado

Como historicamente acontece sempre que direitos trabalhistas avançam, o FT aponta resistência de setores empresariais e conservadores à proposta. Representantes patronais alegam aumento de custos e possíveis impactos econômicos. Os argumentos foram frequentemente usados no passado contra férias, descanso semanal remunerado, licença-maternidade, 13º salário e valorização do salário mínimo.

Ainda assim, a publicação destaca que defensores da proposta afirmam que a redução da jornada pode aumentar produtividade e impulsionar a geração de empregos.

O jornal lembra ainda que governos progressistas na América Latina vêm promovendo mudanças semelhantes. Chile e Colômbia, por exemplo, já aprovaram reduções graduais das jornadas semanais.

Ao repercutir internacionalmente o debate sobre o fim da escala 6×1, o Financial Times reforça que Lula recolocou no centro da política brasileira uma discussão histórica da classe trabalhadora: o direito ao descanso, ao tempo livre e à dignidade para quem move a economia do país todos os dias.