O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou, na terça-feira, 28, que a inteligência artificial terá presença marcante na campanha eleitoral de 2026 e afirmou que o Brasil precisa encarar os desafios impostos pelas novas tecnologias. Durante discurso na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ), Lula afirmou que o país precisa se preparar para as transformações provocadas pela tecnologia, em vez de apenas lamentar seus efeitos.
“Vocês vão ver o que vai acontecer nesta campanha: vai ter mais inteligência artificial na televisão do que candidato”, afirmou Lula. O presidente tem insistido que a IA precisa e deve ser usada para o bem da humanidade, mas, ao mesmo tempo, ele alerta para os usos nefastos da tecnologia no ambiente digital, com manipulações e conteúdos sexuais, que afetam sobretudo mulheres, crianças e adolescentes, e também a disseminação de desinformação no processo político, com intuito de afetar a integridade dos
processos eleitorais e atacar a democracia.
O presidente fez a declaração ao abordar a velocidade das mudanças no mundo digital e a necessidade de o Brasil investir na formação de profissionais, na pesquisa científica e no desenvolvimento de tecnologias próprias.
Para ele, a resposta aos desafios trazidos pela IA deve passar pelo fortalecimento das universidades e dos centros de pesquisa brasileiros.
“E o que nós vamos fazer? Vamos ficar chorando? Não. Eu quero preparar este país”, declarou.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que conteúdos sintéticos ou manipulados utilizados na propaganda sejam identificados de maneira explícita. As normas também proíbem materiais fabricados ou alterados para difundir informações notoriamente falsas ou descontextualizadas capazes de prejudicar a integridade do processo eleitoral.
Inteligência artificial com participação brasileira
No discurso, Lula relacionou o uso da inteligência artificial nas eleições a um debate mais amplo sobre soberania tecnológica. O presidente questionou se o Brasil aceitará assistir de fora à disputa entre Estados Unidos e China ou se investirá para ocupar seu próprio espaço no desenvolvimento das novas tecnologias.
“A gente vai deixar que a briga fique entre Estados Unidos e China ou a gente vai entrar no meio e dizer: ‘Nós existimos e o nosso povo não é mais burro do que o povo de vocês’?”, questionou.
Lula afirmou que deseja uma inteligência artificial desenvolvida com participação brasileira e voltada às necessidades da população. Segundo ele, o país não deve depender apenas de ferramentas, plataformas e conhecimentos produzidos pelas grandes potências.
“Nós queremos uma inteligência artificial que atenda aos anseios da humanidade a partir do nosso país”, disse.
A discussão está entre os principais eixos da 78ª Reunião Anual da SBPC, que ocorre até 1º de agosto na Universidade Federal Fluminense (UFF). O encontro reúne debates sobre inteligência artificial, financiamento da ciência, desenvolvimento industrial, educação científica, soberania digital e regulação das grandes empresas de tecnologia.