A defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho no Brasil ganhou repercussão internacional. Em reportagem publicada nessa quinta-feira, 7, o tradicional jornal britânico Financial Times destacou a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas sem corte de salários, medida vista pelo governo como estratégica para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira.
Na matéria, o FT afirma que Lula está “tentando reconquistar trabalhadores desiludidos” ao colocar novamente direitos trabalhistas no centro do debate político brasileiro. O jornal aponta que o presidente busca fortalecer sua conexão histórica com setores populares após anos de precarização das relações de trabalho no país.
A publicação lembra que milhões de brasileiros ainda vivem sob a lógica da escala 6×1 e descreve a proposta como uma das principais bandeiras trabalhistas do governo.
“O Brasil está debatendo uma mudança histórica nas leis trabalhistas que reduziria a jornada semanal máxima e enfraqueceria a cultura da semana de seis dias de trabalho”, escreveu o Financial Times. O jornal acrescenta que a medida “faz parte da tentativa de Lula de recuperar apoio entre trabalhadores”.
O FT também destacou a atuação do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da proposta debatida no Congresso. Ao jornal britânico, o parlamentar afirmou que a mudança representa uma resposta às transformações do mundo do trabalho e ao desgaste físico e mental enfrentado pela população.
“Queremos dar uma vida melhor, mais dignidade e mais tempo livre para quem ganha menos, trabalha duro e tem pouca qualificação. A hora chegou e a sociedade está pronta”, afirmou Reginaldo ao Financial Times.
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Direito ao descanso e à dignidade
A reportagem ressalta que o Governo Lula argumenta que trabalhadores menos exaustos tendem a produzir mais, adoecer menos e ter mais tempo para convívio familiar, estudo e lazer. O FT observa ainda que a proposta brasileira acompanha movimentos internacionais de redução de jornada já adotados em diferentes países.
Segundo o jornal britânico, “a pressão por jornadas menores cresce em várias partes do mundo”, especialmente após a pandemia, que intensificou debates sobre saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
O Financial Times também destaca que o tema ganhou forte apoio popular nas redes sociais brasileiras, especialmente entre jovens trabalhadores submetidos a rotinas exaustivas em setores como comércio e serviços.
Resistência do empresariado
Como historicamente acontece sempre que direitos trabalhistas avançam, o FT aponta resistência de setores empresariais e conservadores à proposta. Representantes patronais alegam aumento de custos e possíveis impactos econômicos. Os argumentos foram frequentemente usados no passado contra férias, descanso semanal remunerado, licença-maternidade, 13º salário e valorização do salário mínimo.
Ainda assim, a publicação destaca que defensores da proposta afirmam que a redução da jornada pode aumentar produtividade e impulsionar a geração de empregos.
O jornal lembra ainda que governos progressistas na América Latina vêm promovendo mudanças semelhantes. Chile e Colômbia, por exemplo, já aprovaram reduções graduais das jornadas semanais.
Ao repercutir internacionalmente o debate sobre o fim da escala 6×1, o Financial Times reforça que Lula recolocou no centro da política brasileira uma discussão histórica da classe trabalhadora: o direito ao descanso, ao tempo livre e à dignidade para quem move a economia do país todos os dias.