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Lula faz apelo a Alcolumbre por PEC da Segurança e conversará com Motta sobre 6×1

Em 2 horas de entrevista no programa Sem Censura, presidente aborda principais temas do debate público e relembra privações da infância

O presidente participou do programa Sem Censura e, por duas horas, respondeu a perguntas. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o compromisso do Governo do Brasil com a segurança pública ao participar como convidado especial do programa Sem Censura, da TV Brasil (EBC) nesta sexta-feira, 22. Por duas horas, Lula foi confrontado pela bancada do programa, apresentado por Cissa Guimarães, e com perguntas feitas pelos brasileiros, nas ruas. O tema segurança pública surge como uma grande preocupação dos cidadãos e o presidente reforçou a importância do Programa Brasil contra o Crime Organizado, com investimentos totais de R$ 11 bilhões, lançado na semana passada. 

Ao discutir o tema, Lula fez um apelo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que coloque em votação a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. O texto já foi apreciado na Câmara. “Eu estou aguardando  o Senado. Faço um apelo ao Alcolumbre [presidente do Senado]: coloque para votar a PEC da Segurança”, pediu Lula. 

A proposta define o papel da União e dos estados nas ações de segurança pública e cria a Guarda Nacional.O presidente reiterou que se a proposta for aprovada pelo Senado, 15 dias depois ele cria o Ministério da Segurança Pública.

Lula explicou que a Constituição de 1988 falou ao não definir o papel do Governo Federal na segurança pública. Ele destacou a importância da aprovação da Lei Antifacção e destacou que, com o Programa Contra o Crime Organizado, 138 unidades prisionais terão o padrão de segurança máxima, o que vai reduzir o poder de comunicação de chefes do crime organizado. Lula defendeu uma política forte de combate ao tráfico de armas e o ataque às facções criminosas a partir da asfixia financeira desses grupos. O presidente disse que é preciso trabalhar em conjunto com todos os governadores, mas admitiu que existem resistências políticas de muitos deles. 

“Eu não posso aceitar a ideia de que os bandidos dominam o território. Bandido tem que ser punido e tem que ir pra cadeia”, disse.

Fim da escala 6×1

O presidente também foi questionado sobre a resistência do setor empresarial e de grupos políticos do Congresso à redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1, em que os trabalhadores têm apenas um dia de folga na semana. Lula enviou um projeto sobre o tema ao Congresso em 14 de abril. No dia 29 de maio, o projeto travará a pauta, por tramitar em regime de urgência. Há também uma proposta de emenda constitucional tramitando na Câmara sobre a redução da jornada. 

Na segunda-feira, 25, Lula terá uma conversa com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. O presidente deixou claro que acha a transição de 10 anos para a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais inaceitável. Essa proposta conta com apoio de 176 parlamentares da extrema direita e do Centrão.

“Não dá pra ser meia hora por ano, uma hora por ano…Aí é brincar de fazer redução. Vota [a PEC] quem quiser, e vamos mostrar para o povo quem é quem neste país.”

Lula lembrou de grandes embates no país que colidiram com interesses das elites, como a abolição da escravatura e o debate sobre as férias dos trabalhadores, em 1946. Segundo o presidente, existe uma mentalidade retrógrada no trato com os trabalhadores: “Gente que parece moderninho na televisão, mas no trato com subordinados não tem nada de moderno”.

Preço dos combustíveis

Questionado sobre o preço dos combustíveis, Lula destacou o esforço do Governo para controlar o valor do litro na bomba. O presidente disse que a privatização da BR Distribuidora, no governo Bolsonaro, foi um erro e levou o Governo Federal a perder poder para controlar as alterações de preço. 

Segundo o presidente, a Polílica Federal e a Agência Nacional de Petróleo têm atuado para multar ou prender distribuidoras e postos que aumentam os preços sem justificativa. Porém, Lula observou que “ainda tem gente com mandato do tempo de Bolsonaro” na ANP, o que dificultaria o processo de fiscalização. 

Todas as semanas, destacou o presidente, é feita uma reunião no governo para monitorar o tema dos combustíveis. “O Brasil e o país em que o povo menos sofre com o aumento de combustível, embora tenhamos alguns malandros. Mas nós estamos atrás deles”, afirmou Lula. 

Confira a íntegra da entrevista, em que Lula fala sobre sua infância, fome, feminicídio, redes sociais, bets, política, juventude, futebol, Copa do Mundo, Trump, guerras e tantos outros temas que preocupam as brasileiras e os brasileiros: