O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira, 2, durante visita ao Hospital Municipal Universitário de Rio Verde, em Goiás, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) como uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Em uma unidade com atendimento 100% SUS, Lula afirmou que nenhuma política pública é mais essencial para garantir dignidade, igualdade e proteção à vida da população.
“O SUS é possivelmente o melhor e único sistema de saúde que existe num país com mais de 100 milhões de habitantes. Não tem nada mais importante que o SUS. Porque não tem nenhum país do mundo que tem um sistema tão completo como o nosso”, disse o presidente.
Lula lembrou que o SUS atende brasileiros e estrangeiros sem perguntar origem, renda ou nacionalidade. Para ilustrar, contou o caso de um jornalista americano que sofreu um acidente em São Paulo e se surpreendeu ao descobrir que não precisaria pagar pelo atendimento.
“Os médicos não perguntaram se ele era americano, se ele era inglês, se ele era japonês. Os médicos trataram ele, deram oito pontos na cabeça dele, atenderam o filho dele. Quando foi embora, ele ficou com medo de perguntar quanto custava. O médico falou: ‘Aqui no Brasil o SUS não cobra. Isso é de graça'”, relatou.
Saúde pública para cuidar de quem mais precisa
Ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Lula destacou que o governo federal trabalha para ampliar o acesso a consultas especializadas, exames, medicamentos, radioterapia, odontologia e transporte sanitário. O objetivo, segundo o presidente, é reduzir o tempo de espera e garantir que o atendimento chegue mais rápido à população.
“A gente criou Farmácia Popular para garantir que todas as pessoas que tomam remédio contínuo tivessem direito a esse remédio de graça. E agora não é mais a pessoa que vai atrás do SUS, é o SUS que vai atrás da pessoa”, destacou.
O Hospital Municipal Universitário de Rio Verde, que atende integralmente pelo SUS, também tem incorporado tecnologia de ponta ao serviço público. Em janeiro, a unidade realizou sua primeira cirurgia com o sistema cirúrgico robótico Da Vinci X, equipamento que permite procedimentos complexos com maior precisão e recuperação mais rápida. Para Lula, avanços como esse precisam estar a serviço de todos, e não apenas de quem pode pagar por hospitais privados.
“Nasci em uma cidade onde as pessoas morriam de fome”
O presidente relacionou a defesa do SUS à sua própria trajetória de vida. Ao lembrar a infância em Pernambuco, marcada pela fome, pela pobreza e pela falta de acesso a condições básicas de saúde, Lula afirmou que governar é tomar decisões a partir da realidade de quem mais precisa do Estado.
“Eu nasci em uma cidade em que as pessoas morriam, a maioria antes de completar 5 anos de idade, de fome. Sabe o que é tomar água pegada no açude com cocô de vaca, de cabrito, de cavalo, cheio de caramujo? Levar água para dentro de casa, colocar no pote, esperar a água sentar?”, lembrou.
Para Lula, a origem popular ajuda a explicar a prioridade dada às políticas públicas voltadas aos mais pobres. O presidente afirmou que quem conhece de perto a fome, a doença e a desigualdade sabe que saúde e educação não podem ser tratadas como gasto.
“Porque a nossa cabeça pensa onde nossos pés pisam. Essa gente não sabe o que é sofrer, não sabe o que é passar fome, não sabe o que é uma criança ir dormir sem ter um copo de leite para tomar”, afirmou.
“Pessoas querem ter direito de descansar”
Ao defender o fim da escala 6×1, proposta que tramita no Senado após aprovação na Câmara, o presidente afirmou que é uma forma de garantir mais descanso, convivência familiar e qualidade de vida à classe trabalhadora. “Agora é trabalhar cinco e descansar dois nesse país. O fim da escala 6 por 1. As pessoas querem ter direito de descansar”, afirmou.
O presidente destacou que a medida é ainda mais urgente para as mulheres, que enfrentam uma dupla jornada: trabalham fora e, ao chegar em casa, continuam sendo responsabilizadas pela maior parte dos cuidados domésticos e familiares.
Lula afirmou que, enquanto as mulheres conquistaram espaço no mercado de trabalho, os homens também precisam assumir sua parte dentro de casa. “A mulher, além de trabalhar fora, chega em casa e trabalha mais do que trabalha fora”, disse.



