Siga nossas redes

‘Quem der palpite nas nossas eleições perderá’, afirma Lula

Presidente reitera que não aceitará interferência dos EUA na disputa eleitoral e garante que está preparado para defender a soberania brasileira

Em entrevista, presidente Lula enfatizou força para enfrentar intervenções externas nas eleições de 2026.Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 14, que busca uma nova conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da relação entre os dois países. Em entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, o petista disse que pretende abordar diretamente a tentativa de interferência norte-americana nas eleições brasileiras.

“E vou dizer ‘não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, na questão da eleição’”, declarou o presidente. “Eu nunca me meti nas eleições [dos EUA], ninguém vai se meter aqui”.

O presidente adiantou que quer uma conversa “tête-à-tête” com Trump e reforçou que o Brasil não aceitará interferências externas. “Quem der palpite nas nossas eleições perderá”, disse.

“Apesar dos negacionistas, apesar dos traidores da pátria, apesar do meu adversário [Flávio Bolsonaro] ter um irmão lá [Eduardo Bolsonaro] falando mal do Brasil, falando infâmia contra o Brasil… Pode vir para cá quem quiser. Nós vamos derrotá-los e vamos fazer esse país ter muito orgulho da soberania”, declarou o presidente.

Mesmo com divergências recentes, Lula disse que presidente norte-americano, Donald Trump, é a melhor pessoa para negociar em seu governo. “O melhor de todos eles”, disse, em referência aos integrantes do governo dos EUA. Lula tem feito críticas ao comportamento do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Para o petista, Trump é “o que conversa mais seriamente” com ele.

Lula voltou a criticar Rubio, político muito próximo da família Bolsonaro. Lula disse já ter alertado Trump de que o secretário “não gosta do Brasil e não gosta da América Latina”. O petista disse acreditar que as medidas adotadas contra o Brasil não partem diretamente de Trump, mas de outras pessoas que fazem parte do governo dos Estados Unidos.

Defesa da soberania

Ao comentar as tarifas impostas pelos Estados Unidos, Lula afirmou que o Brasil responderá com diálogo, mas também defenderá seus interesses. O presidente citou a Lei da Reciprocidade Econômica, acionada pelo governo brasileiro na quinta-feira, 13, em resposta às medidas norte-americanas.

“Nós entramos com a Lei da Reciprocidade para mostrarmos que nós não somos pouca coisa. Nós nos respeitamos”, afirmou.

Lula também rejeitou a ideia de conflito com os Estados Unidos. “Nós não queremos brigar com os Estados Unidos, nem com a China, nem com a Rússia, nem com a França, nem com a Inglaterra. A gente quer viver bem com todo mundo. Paz e amor”, disse.

Para o presidente, manter relações diplomáticas não significa abrir mão da soberania brasileira. Lula afirmou ainda estar preparado para defender os interesses do país diante de qualquer cenário: “Eu estou muito tranquilo sabendo o que pode acontecer e estou preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra”.