Raiva contra a política ecoa em Lula, mas sociedade vai entender a diferença, diz Edinho

Presidente do PT defende, em entrevista, que filho de Lula explique publicamente as movimentações financeiras, que não têm nenhum elo com INSS

Divulgação/Site do PT

Edinho Silva reitera que presidente Lula defende investigações e nunca agiu para blindar o filho.

A crise do Banco Master e as denúncias de fraude no INSS, que ganharam intensidade nos últimos três meses com as investigações em curso, fazem com que o sentimento dos brasileiros contra o sistema político, o Congresso e outras instituições cresça. Esse cenário de raiva e descrédito tem afetado a popularidade do presidente Lula porque ele é a “representação máxima do status quo”, afirmou o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em entrevista ao jornal Valor Econômico

O desafio durante a campanha eleitoral, analisou o presidente do PT, é diferenciar essas crises, em especial o caso do Banco Master, do governo. “O governo do presidente Lula dá autonomia para as instituições que investigam, o governo do presidente Lula quer que os malfeitos sejam apurados… Se a gente conseguir fazer essa diferenciação, claro que a sociedade entende”, aposta Edinho Silva.

Neste contexto, o presidente do PT defendeu que Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente Lula, se defenda publicamente. “O Fábio tem que vir a público e dizer efetivamente que ele não tem nenhum envolvimento nisso. Os vazamentos da quebra do sigilo não acharam um centavo nas contas dele vinculado a qualquer denúncia do INSS. Ele tem que dizer que o dinheiro é de origem de seu trabalho, da herança que recebeu”, disse Edinho. 

Houve o vazamento do sigilo de Lulinha e algumas informações têm sido publicadas na mídia de forma distorcida e sem contextualização. Nenhum elo entre o filho do presidente e o escândalo do INSS foi detectado. Na visão do PT, os dados fiscais podem ser facilmente explicados, inclusive os valores que ele recebeu de Lula, que são parte de herança de família.  

“Fábio tem que se defender. Lula está dizendo o tempo todo que ninguém está isento, ninguém está acima da lei. Seu próprio filho está sendo investigado.”

A queda de popularidade de Lula é um reflexo desta escalada de denúncias, admitiu Edinho Silva. “As denúncias de corrupção criam um sentimento antissistema. As pessoas não acreditam no Judiciário, no sistema político, no Congresso. E quando cria o ambiente antissistema, quem perde é o status quo. E a representação máxima do status quo é o presidente. O que temos que dizer — e a comunicação é central nesse embate — é que as denúncias de corrupção são apuradas porque o presidente fortalece a Polícia Federal, dá autonomia às instituições, não impede investigação.”

Na semana passada, em entrevista ao SBT, Edinho Silva afirmou que o presidente Lula está tranquilo e que defende reiteradamente que se apure tudo o que for necessário, envolvendo ou não pessoas ligadas a ele. “Se nós temos tantas denúncias sendo investigadas, temos que reconhecer a postura de um governo que valoriza a Polícia Federal, que não se intromete do Ministério Público, não se intromete no Poder Judiciário, que valoriza as instituições. Ninguém nunca vai poder fazer denúncia que Lula tentou encobertar uma investigação. Ele respeita as instituições e não tem ingerência nas instituições”, afirmou. Edinho disse, ainda, não ter nenhuma preocupação que esse episódio prejudique o presidente Lula.

No entanto, ele reiterou que não pode haver linchamento das pessoas sem provas. “Tem que demonstrar que não tem nada a ver com o INSS. Ninguém pode ser acusado, julgado e condenado pela mídia. Tem algum vínculo com os escândalos? Não”, disse o presidente do PT, na mesma entrevista ao SBT.

Bom mocismo de Flávio  Bolsonaro não é real

Edinho Silva reiterou que é preciso mostrar a verdadeira face do senador Flávio Bolsonaro, que ele não é um copo vazio e tem uma lista de atitudes na vida pública que confirmam as suas condutas e pensamentos. 

“Flávio tem décadas, ou pelo menos uma década como liderança política. No que já votou? Quais são as posições políticas? Qual é a história dele dos últimos anos? Qual é a história como parlamentar quando o pai dele foi presidente? O bom mocismo que estão pintando não reflete a realidade. Não emitir opinião sobre isso é um erro, mas nossa prioridade é mostrar os êxitos do governo”, definiu.

Em reunião de dirigentes do PT, Edinho Silva afirmou que o senador, pré-candidato à Presidência, é a representação do fascismo e do autoritarismo e precisa ser desmascarado, ainda que setores da elite e da mídia estejam tentando vendê-lo como um candidato “palatável”.

Da Rede PT de Comunicação.

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