Haddad desmente fake do ‘rombo’ e expõe herança fiscal de Bolsonaro

Pré-candidato ao Governo de SP diz que extrema direita apresenta dados fiscais de forma equivocada para enganar as pessoas e que Tarcísio quer ‘entregar patrimônio a amigos’

Reprodução/ICL Notícias

A ofensiva de desinformação sobre a economia brasileira continua como uma das marcas da extrema direita, com divulgação equivocada de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria produzido um deficit de R$ 30 bilhões nos cofres públicos. Em entrevista nesta quinta-feira, 2, ao ICL Notícias, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Governo de São Paulo Fernando Haddad classificou a leitura como distorcida e descolada da realidade fiscal do país.

É preciso ter responsabilidade com o dado. Estão pegando o deficit de um mês isolado, onde concentramos o pagamento de precatórios que o governo anterior represou, e chamando de ‘rombo’”, afirmou. Segundo ele, o resultado reflete uma decisão deliberada de colocar as contas públicas em ordem após anos de desorganização herdada da gestão de Jair Bolsonaro.

Haddad destacou ainda que o pagamento de dívidas judiciais, acumuladas durante o governo de Jair Bolsonaro, foi essencial para recuperar a credibilidade do país. “O que fizemos na Fazenda foi uma faxina. Pagamos as dívidas que o Bolsonaro deixou para trás para que o país pudesse voltar a ter crédito”, disse. Ele também reforçou que a análise deve considerar o conjunto das contas públicas: “No acumulado do bimestre, o Brasil é superavitário”.

Fake do “rombo” ignora herança de Bolsonaro

Para Haddad, a insistência na tese de um “rombo” sem contextualização revela má-fé. “Quem fala em rombo de R$ 30 bi sem explicar que isso é pagamento de dívida judicial herdada está agindo de má-fé, seja à direita ou à esquerda”, afirmou.

O Governo Lula tem reafirmado sua política econômica como responsável e socialmente orientada. Diferentemente do período anterior, marcado por medidas emergenciais e desorganização orçamentária, a atual gestão aposta na recomposição estrutural das contas públicas.

O Bolsonaro não fez gestão, ele fez um sequestro do orçamento público”, disse Haddad, ao relembrar práticas adotadas em 2022. “O governo federal parou de pagar até conta de luz de ministério para tentar ganhar a eleição”, completou.

Ajuste com justiça social

Ao falar de seu legado à frente da Fazenda, Haddad destacou que o equilíbrio fiscal não foi buscado às custas da população mais vulnerável. “Nós recolocamos o pobre no orçamento sem furar o teto com responsabilidade, aumentando a arrecadação em cima de quem não pagava imposto, como as apostas online e as offshores”, afirmou.

A estratégia, segundo ele, permitiu ampliar a capacidade de investimento do Estado ao mesmo tempo em que corrigiu distorções históricas do sistema tributário brasileiro. A medida também dialoga com a agenda do governo Lula de redução das desigualdades e retomada do crescimento com inclusão social.

Combustíveis sem soluções eleitoreiras

Outro ponto enfatizado por Haddad foi o debate sobre os preços dos combustíveis e a chamada “guerra do ICMS”. O ex-ministro voltou a criticar a política adotada em 2022, durante o Governo Bolsonaro, que reduziu o imposto estadual de forma abrupta.

Não vamos repetir o erro de 2022. Não vamos quebrar a arrecadação da educação e da saúde nos estados com canetada”, afirmou. Para ele, a medida teve caráter eleitoreiro e deixou um passivo que precisou ser enfrentado posteriormente.

Haddad também criticou a postura de governadores alinhados ao bolsonarismo, entre eles Tarcísio de Freitas (PL), de São Paulo. “O Tarcísio e os governadores do Sul e Sudeste tentaram empurrar a conta do diesel para o governo federal de novo”, disse.

Como alternativa, ele defendeu soluções estruturais: “Nós propusemos a tributação sobre o lucro das exportadoras de óleo bruto para subsidiar o diesel na ponta. É uma política de Estado, não uma política eleitoreira”.

São Paulo no centro da disputa

Avaliando a atual gestão de São Paulo, Haddad avaliou que o estado vive um esgotamento de modelo após décadas de domínio do PSDB e não encontrou renovação sob o comando de Tarcísio.

“O PSDB em São Paulo hoje é um projeto esgotado. O atual governador gosta de falar em eficiência, mas a realidade no interior de São Paulo hoje é assustadora”, afirmou. Ele citou o avanço do crime organizado como evidência de falhas na condução da segurança pública: “Isso é falta de comando”.

Haddad também criticou a agenda de privatizações. “Tarcísio está mais preocupado em privatizar a Sabesp e entregar o patrimônio do povo para os amigos do que em retomar o controle do estado”, disse.

Para o petista, o estado mais rico do país convive com serviços públicos que “não atendem à ponta” e com uma dinâmica econômica concentradora. Haddad defende uma inflexão no modelo de desenvolvimento paulista. “Não podemos ter um estado onde tudo se concentra na região metropolitana enquanto o interior e o litoral enfrentam gargalos logísticos e falta de investimento em tecnologia”, disse.

A proposta passa pela regionalização dos investimentos e pelo uso do poder de compra do Estado para estimular a indústria local.

No enfrentamento ao alto custo de vida, ele também aponta caminhos concretos. “O governo do estado tem instrumentos, como o ICMS, que podem ser usados para aliviar o peso no bolso das famílias, especialmente nos alimentos e na energia”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o ex-ministro reforça que a disputa em São Paulo não é apenas administrativa, mas também política e ideológica. “São Paulo não pode ser um trampolim político para o bolsonarismo em 2026”, afirmou.

Da Rede PT de Comunicação

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