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PT cobra CPI do Banco Master e Alcolumbre ignora pedidos de investigação

“Vossa Excelência não vai conseguir ficar sentado em cima dessa CPI”, disparou o deputado Lindbergh Farias, em sessão do Congresso

Em sessão conjunta do Congresso, parlamentares insistiram na necessidade de investigação do caso Master em uma CPI. Foto: Alessandro Dantas/Senado

A bancada do PT cobrou, nesta quinta-feira, 21, a instalação imediata da Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) do Banco Master para investigar as suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, e integrantes da família Bolsonaro. No Congresso Nacional, o vice-líder do Governo na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que os novos fatos tornam inevitável a abertura da investigação, apesar da rejeição do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), aos pedidos de criação da comissão, durante a sessão conjunta desta quinta.

“Vossa Excelência não vai conseguir ficar sentado em cima dessa CPI”, afirmou Lindbergh, dirigindo-se a Alcolumbre. “Não tem jeito de não instalarmos essa CPI, essa CPMI. Eu falo aqui como vice-líder do governo. Nós não estamos fazendo jogo de cena. A situação toda é muito grave”, disse o deputado petista.

Segundo Lindbergh, as revelações sobre a relação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Vorcaro que inclui áudio da conversa entre os dois e um encontro presencial, derrubaram as tentativas de minimizar o caso. O deputado lembrou que o senador negou inicialmente conhecer o banqueiro, mas depois teve de reconhecer contatos e encontros.

“Mentira atrás de mentira. Primeiro ele dizia que não conhecia o Vorcaro. Apareceu o telefone do Flávio Bolsonaro no telefone do Vorcaro. Ele disse: ‘Não, não conheço’. E foi negando e foi tendo que desmentir”, declarou.

“Não vai dar para segurar”

Lindbergh também afirmou que a tentativa de barrar a CPMI tende a aumentar a pressão no Congresso e nas ruas. Para ele, a Casa não pode ignorar as suspeitas, sobretudo diante das apurações já conduzidas pela Polícia Federal e pela Receita Federal.

“Não vai dar para segurar. Vossa Excelência [Alcolumbre] não vai conseguir segurar porque vão vir mais fatos. A Polícia Federal está fazendo investigação, a Receita Federal está fazendo investigação. Agora, aquela foto do acordão na última sessão do Congresso foi uma vergonha”, disse, referindo-se ao abraço que o senador Flávio Bolsonaro deu em Alcolumbre.

O líder petista também cobrou explicações sobre os R$ 61 milhões destinados a um fundo no Texas ligado ao entorno de Eduardo Bolsonaro. Segundo Lindbergh, a produtora do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, afirma que toda a obra foi rodada no Brasil, o que torna ainda mais necessário explicar por que os recursos foram enviados ao exterior.

“Já imaginou? A produtora diz que todo o filme foi rodado no Brasil. Então por que esse dinheiro viajou? Porque foram R$ 61 milhões para um fundo no Texas. Se os senhores querem investigação, basta Eduardo Bolsonaro começar a dizer de onde saiu esse dinheiro”, declarou.

 

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Uczai cobra leitura imediata de requerimento

O deputado Pedro Uczai (PT-SC) também cobrou a instalação da CPMI e pediu a leitura imediata do requerimento já protocolado, com apoio de 181 deputados e 35 senadores. Segundo ele, o pedido conta com apoio amplo da Bancada do PT e dos partidos da Federação Brasil da Esperança.

“É urgente a instalação da CPI do Banco Master. Em nome da Bancada do Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras, nós dizemos sim pela instalação da CPMI do Banco Master ou Bolso Master”, afirmou Uczai.

Uczai rebateu a tentativa da extrema direita de acusar o PT de fugir da investigação. Segundo ele, o partido não assinou o pedido apresentado pelo PL porque considera a iniciativa uma manobra política para encobrir as conexões entre Vorcaro e a família Bolsonaro.

“Cada dia que passa mostra a relação promíscua da relação de Daniel Vorcaro com a família Bolsonaro, Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro com Eduardo Bolsonaro”, disse.

“Investigue, doa a quem doer”

O deputado também afirmou que o presidente Lula defende a apuração ampla dos fatos e não teme investigação. Para Uczai, quem precisa prestar contas ao país são os que aparecem ligados a pagamentos, áudios e encontros com Vorcaro.

“O presidente Lula defende a CPMI. O presidente Lula diz: ‘Investigue, doa a quem doer’. Não misture as coisas. Quem tem prova de dinheiro na conta, de dinheiro pago, de áudio vazado, é Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Uczai ainda criticou a tentativa da oposição de transformar o debate em “teatro” e reafirmou que o PT quer a investigação porque não tem responsabilidade sobre o esquema sob suspeita.

“Vocês não querem CPMI nenhuma. Vocês estão fazendo teatro aqui. Chega de hipocrisia, chega de mentira. Nós queremos porque não temos nenhuma responsabilidade sobre essa bandalheira montada entre a família Bolsonaro. CPMI já”, declarou.

Banco autorizado na gestão Bolsonaro

O funcionamento do Banco Master foi autorizado pelo Banco Central na gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro. A ascensão da instituição consolidou-se em 2022, quando uma medida provisória abriu as portas para o bilionário mercado de crédito consignado para aposentados, alavancando o faturamento do banco. Vorcaro foi o maior financiador das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.

As relações da direita com o banqueiro hoje preso pela Polícia Federal não param por aí. O senador Ciro Nogueira, que foi ministro de Bolsonaro, apresentou emenda para permitir um uso maior do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que permitiria a captação de mais recursos pelo Master. Mas gente teria sido lesada. E mais recentemente o Brasil tomou conhecimento das escandalosas mensagens trocadas entre o banqueiro e o senador Flavio Bolsonaro, em que este pede dinheiro sob o pretexto de financiar um filme.

“Não foi ninguém do governo do presidente Lula que pediu 140 milhões em áudio para Daniel Vorcaro; não foi ninguém da campanha do presidente Lula que pediu 3 milhões a Vorcaro. Ficou claro que os esquemas da família Bolsonaro e do Banco Master não são relacionados, mas são a mesma coisa. É um combo só”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).