O Governo Federal repudiou a nova decisão dos Estados Unidos (EUA) de taxar mercadorias brasileiras, desrespeitando o que ficou acordado na recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, no início de maio. Em nota divulgada nesta terça-feira, 2, a administração Lula critica a investigação contra supostas práticas comerciais desleais do Brasil e associa diretamente o tarifaço às ações entreguistas da família Bolsonaro, aliada do presidente dos EUA, Donald Trump.
“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais“, condena a nota.
“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”, conclui.
📝 Nota do Governo do Brasil
O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.
Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025…
— Lula (@LulaOficial) June 2, 2026
O governo Trump propôs a aplicação de tarifas punitivas de 25% sobre as importações de produtos brasileiros. A medida, argumenta a Casa Branca, é resultado da investigação da Seção 301, levada a cabo pelo Representante Comercial dos EUA (USTR, sigla em inglês). A previsão é que a medida entre em vigor partir de 15 de julho.
O Governo do Brasil divulgou uma nota em que expõe o histórico das negociações do presidente Lula com Trump e mostra que as medidas unilaterais dos EUA, movida por desinformação fomentada pela família Bolsonaro, é totalmente injustificada. O Brasil também avisa que, se necessário, vai recorrer à Lei da Reciprocidade para revidar injustiças comerciais impostas pelos Estados Unidos.
“Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões”, aponta o governo brasileiro.
Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Gov e da Agência Brasil.