Bolsonarista que confessou financiar golpistas do 8/1 é alvo de operação da PF

15ª fase da Operação Lesa Pátria teve como alvo o deputado estadual Amauri Ribeiro, que foi à tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás em junho para confessar participação nos atos de 8 de janeiro

Marcelo Camargo / Agência Brasil - Site do PT

Ribeiro: confissão de financiamento de atos golpistas deve complicar bolsonarista

A 15ª fase da Operação Lesa Pátria da Polícia Federal teve como alvo na manhã de hoje (29) o deputado estadual Amauri Ribeiro que, no dia 6 de junho, ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás e proferiu frases típicas de auto-delação sobre os atos golpistas de 8 de janeiro.

“Eu também deveria estar preso. Eu ajudei a bancar quem estava lá, pode me prender. Eu sou um bandido, eu sou um terrorista, eu sou um canalha. Eu ajudei, eu levei comida, eu levei água, eu dei dinheiro. Eu acampei lá e também fiquei na porta, porque sou patriota. O dinheiro não veio de fora não”, desferiu o deputado que, logo após a repercussão negativa de sua fala, enviou ao ministro do STF, Alexandre de Morais, pedido para que não fosse preso.

“Pediu, levou. Tão bom ver alguém realizando seus sonhos… Hoje foi o Amauri Ribeiro, deputado estadual de Goiás, que admitiu ter financiado atos golpistas e pediu que a PF o prendesse. Coisa linda! Toc toc toc”, postou no Twitter o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) sobre o deputado Ribeiro, que se tornou réu em janeiro devido a uma postagem homofóbica e racista denunciada pelo Ministério Público.

Por ter admitido o envolvimento com atos terroristas em Brasília dia 8 de janeiro e também o financiamento dos acampados em frente aos quartéis, Ribeiro teve o celular apreendido pela PF que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado em suas casas em Goiânia e Piracanjuba, cidade onde foi vereador e prefeito.

A operação Lesa Pátria da PF visa identificar pessoas que incitaram, participaram e financiaram a invasão e os ataques terroristas às sedes dos Três Poderes. Em nota, a PF declarou que “os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido e crimes da lei de terrorismo”.

Apoiador de Bolsonaro, Amauri Ribeiro apareceu em vídeo divulgado pouco antes do segundo turno das eleições de 2022 incentivando bolsonaristas a se armarem para participar de um golpe caso Lula vencesse. “Se o seu presidente ganhar, vai acontecer uma guerra civil no país. E eu sou reservista. Se eu for convocado, eu vou para a rua e vou empunhar uma arma. Deus que te livre de estar do outro lado nessa luta”, disse ele em ato de campanha do ex-presidente.

Conforme divulgado pela rede CNN, uma ala do União Brasil, partido de Ribeiro, está defendendo a sua expulsão.

Deputado tem registros de ilicitudes dentro e fora da Assembleia de Goiás

A ficha de Amauri Ribeiro, que começou o mandato de deputado cometendo infração ao tomar posse de chapéu e com a esposa sentada em seu colo, é bem grande. O regimento da Assembleia Estadual de Goiás não permite o uso de chapéu, mas ele usa com frequência. Em agosto de 2021, em discurso em defesa da propriedade privada, o deputado afirmou que a vereadora Lucíula do Recanto (PSD) “merecia um tiro na cara”.

“Eu fico p… quando vejo uma vereadora invadindo a casa de um cidadão, igual a essa vereadora de Goiânia que se diz protetora de animais. Arrebenta o portão da casa de um cidadão, sem mandado, sem ordem judicial, porque ela também não é polícia, nem com ordem ela podia, e invade uma casa. Para mim, merecia um tiro na cara”, disse ele.

Em vídeo de fevereiro de 2022 Ribeiro aparece abrindo a porta de um carro e agredindo o motorista durante uma discussão em Piracanjuba. A vítima disse que a briga foi motivada por causa de um áudio que gravou criticando Ribeiro que em janeiro deste ano se tornou réu por racismo. Ele postou, em abril de 2022, foto de uma mão branca apertando o punho de um braço negro com uma roupa de arco-íris (símbolo do movimento LGBTQIAPN+). Embaixo, a frase “na minha família não”.

Em entrevista ao jornal O Popular em fevereiro de 2019, Amauri Ribeiro declarou que a Assembleia Legislativa era uma “casa de mulheres” onde até “modelos” lá estavam ali para “servir os deputados”.

“É isso que é aquela Assembleia. Uma pouca vergonha. Se você entrar naquela casa, me desculpa o palavreado, vai lá para você ver. Naquela Assembleia tem casa de mulheres, de meninas, de assessoras que ficam por conta de deputado. É brincadeira”, afirmou, insinuando que as funcionárias eram escolhidas pela beleza. “Algumas moças são contratadas para ficar à disposição de deputado. Tem mulheres que são contratadas, só top, só modelo, que estão ali para servir deputados. Como comissionadas não fazem nada”.

Assista a série A Cara do Golpe, produzida pela TvPT:

No site do Tribunal de Justiça de Goiás é possível localizar pelo menos quatro processos criminais contra o parlamentar, segundo o site BHAZ. “Entre eles, o que responde judicialmente por ter espancado a filha de 16 anos em novembro de 2015 após encontrar fotos íntimas da adolescente no celular dela”. As fotos da filha agredida foram parar nas redes sociais. Dias depois o deputado ainda teve a coragem de divulgar vídeo ao lado da filha dizendo que não se arrependia das agressões.

Em 2015, quando era prefeito de Piracanjuba (GO), Amauri Ribeiro foi afastado pela Câmara Municipal por ter sido condenado após agredir um pedreiro em 2010, quando ainda era vereador.

Da Redação

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