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Brasil não aceita mais ‘político vira-lata’ e a eleição definirá o futuro, afirma Lula

Presidente discursa em Ceilândia e diz que os Bolsonaro são submissos a Trump. Ele lembra que o bolsonarista Ibaneis Rocha, ligado a Daniel Vorcaro, quebrou o banco BRB

Presidente pede voto ao Time Lula do Distrito Federal: Leandro Grass ao governo, Erica Kokay e Leila Barros ao Senado.Foto: Ricardo Stuckert

Em Ceilândia, região administrativa mais populosa do Distrito Federal (DF), o ato político da coligação “Brasil Pronto Pra Mais” lotou a Praça do Trabalhador, com a presença de aproximadamente 15 mil pessoas, segundo os organizadores, para receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, 16, a poucas semanas das eleições. Lula relembrou o desastre da administração do bolsonarista Ibaneis Rocha, que renunciou ao mandato de governador e foi obrigado a desistir da disputa ao Senado por conta do escândalo do Banco Master e os elos com o BRB, antigo Banco Regional de Brasília.

Ao pedir voto para os candidatos do Time Lula – Leandro Grass para o governo do DF, Erica Kokay e Leila Barros (Leila do Vôlei) para o Senado –, o presidente afirmou que está em jogo, nesta disputa eleitoral, o futuro do país. Em meio a críticas contundentes contra a família Bolsonaro, Lula afirmou que “o Brasil quer ser soberano e construir seu futuro com o suor e o sangue dos brasileiros”.

“Esse país não comporta político vira-lata”, afirmou, referindo-se o projeto político do candidato de extrema direita, Flávio Bolsonaro, e ao seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que foi condenado a prisão no Brasil e está foragido nos Estados Unidos.

“Tá lá o Eduardo Bolsonaro, o traidor da Pátria falando mal do Brasil, pedindo para que o Trump venha fazer intervenção nesse país. Esse país não comporta político que de dia mostra a bandeira nacional e de noite vai ficar de quatro para os Estados Unidos e para a bandeira americana. Esse país não comporta isso. Porque o Brasil está cansado. O Brasil não quer ser colônia de ninguém.”

Ceilândia parou para ouvir o presidente Lula: aproximadamente 15 mil pessoas na praça.Foto: Ricardo Stuckert

Banco Master, BRB e o clã Bolsonaro

Lula afirmou que o ex-governador Ibaneis Rocha foi o responsável por quebrar o BRB, o que lhe tirou condições políticas de disputar a eleição. “Vocês estão acompanhando o que aconteceu no BRB. A governadora [Celina Leão] de forma cínica e mentirosa tenta jogar responsabilidade no governo [federal]. Quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vocaro do Banco Master. O BRB comprou títulos que não existiam, R$ 12 bilhões”, criticou Lula.

Celina Leão (Progressistas) é a vice-governadora, que assumiu com a renúncia de Ibaneis. Ela disputa a reeleição e está numa queda de braço com o Governo Federal em relação ao prejuízo financeiro do BRB. “Veja, nós não vamos deixar o povo sem dinheiro, mas não vamos dar dinheiro para o BRB”, avisou o presidente.

Lula defendeu a eleição de Leandro Grass para a reconstrução do Distrito Federal. “Dois L em campanha: um para governador e um para Presidente da República.”

Além de mencionar a ligação do bolsonarismo com o Banco Master, Lula frisou que é preciso tomar cuidado porque o país já conhece o passado de destruição promovido por Jair Bolsonaro. “Eles acabaram com o Ministério da Igualdade Racial, acabaram com o Ministério dos Direitos Humanos, acabaram com o Ministério com o Ministério das Mulheres, acabaram com o Ministério do Trabalho, acabaram com o Ministério dos Direitos de Comércio e acabaram com o país.”

Educação e tecnologia: o futuro com e para a juventude

Lula enfatizou que o futuro do Brasil depende de investimentos em educação e tecnologia para que o país possa dar um salto de desenvolvimento.

“As nossas universidades vão ter que se preparar, os nossos institutos vão ter que se preparar… A juventude vai ter que aprender a trabalhar com inteligência artificial, para a gente não ficar dependendo nem de chinês, nem de americano”, disse o presidente.

Em seguida, Lula elogiou do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, sancionado nesta semana. A nova lei cria um regime tributário especial para atrair a instalação de datacenters no Brasil. “Nós estamos com a perspectiva de, nos próximos anos, alguns bilhões [de dólares]. O Alckmin chegou a falar até da possibilidade de um trilhão de dólares pela capacidade de produzir energia que nós temos nesse país”, contabilizou Lula.

O presidente também falou das terras raras e da necessidade de o país regular o setor e de capacitar a juventude brasileira para os novos tempos. “Essa coisa que China e Estados Unidos estão brigando, essa coisa que faz bateria de carro, essa coisa que faz celular, essa coisa que faz chip, a gente vai formar a nossa juventude porque a gente não vai exportar o nosso minério para fora. A gente não vai exportar nossas terras raras”, garantiu.

“Nós não vamos voltar pra fila do osso, não vamos”

A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou que as mulheres vão dar a Lula o quarto mandato. “Nós elegemos o presidente Lula em 2022 e mais uma vez está nas nossas mãos, na mão das mulheres, eleger novamente o presidente Lula e subir novamente com ele a rampa do Palácio do Planalto, pela quarta vez. Eu sei que nós, mulheres, vamos dar esse tetra ao presidente Lula.”

Lula também enfatizou o cuidado com as mulheres e as crianças brasileiras. Ele pediu o voto em mulheres. “Mas votem nas mulheres do nosso time.”

Janja argumentou que uma democracia plena só é conquistada com a participação feminina. “Precisamos cuidar da democracia, das nossas instituições, das políticas públicas que protegem quem mais precisa. E, aqui, eu digo novamente, nós não vamos retroceder, nós não vamos voltar para as trevas que a família Bolsonaro nos colocou, não vamos”, rechaçou Janja.

“Nós não vamos voltar para a fila do osso, não vamos deixar voltar ao poder quem normaliza a violência, quem incentiva o armamento, quem não se importa que as trabalhadoras e os trabalhadores fiquem sem o descanso. Sim, eles não querem o fim da escala 6×1”, concluiu.

Botar o bolsonarismo para correr

Leandro Grass agradeceu a Lula pelos diversos feitos dos últimos três anos e pelos aportes destinados à capital federal. O candidato também alfinetou Celina Leão e a tentativa da governador de se desvincular do escândalo do Master.

“Nós vamos ganhar a eleição aqui e botar o bolsonarismo para correr. Porque não pode Brasília ser palco do maior escândalo de corrupção da história do Brasil. Não pode o BRB ter sido roubado como foi, ter virado brinquedo na mão do Vorcaro, na mão do Ibaneis [Rocha, ex-governador do DF], e a Celina dizer que não sabia de nada. Onde é que ela estava, gente?”, questionou Grass.

A candidata do PT ao Senado, Erica Kokay, foi ovacionada quando lembrou que Lula é o presidente do fim da escala 6×1. “O fim da escala 6×1 é o direito dos filhos ficarem com seus pais no sábado, é o direito de termos vida além do trabalho”, resumiu a candidata.

Já Leila Barros reconheceu os esforços de Lula para trazer recursos para a capital federal e pediu à militância que esteja mobilizada para reelegê-lo, “porque é um presidente preocupado com as desigualdades”.

Lula recebeu uma carta do coletivo Jovem de Expressão, de Ceilândia, cujos integrantes também dançaram no palco ao som do jingle Rap do Silva.Foto: Ricardo Stuckert