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Lula projeta novo ciclo para o Brasil com educação, inclusão e soberania

Em entrevista, presidente destaca investimento em ciência, tecnologia, e industrialização como caminhos para o desenvolvimento

Lula defende transformação social e desenvolvimento a partir da educaçãoFoto: Ricardo Stuckert

O presidente Lula apontou a educação, a inclusão social, a valorização do trabalho e o desenvolvimento científico e tecnológico como eixos para o país avançar nos próximos anos. Durante entrevista ao podcast Desce a Letra Show nesta quarta-feira, 16, ele lembrou que precisou reconstruir a rede de políticas públicas e estruturas do Estado, que foram desmanteladas pelo governo de Jair Bolsonaro. 

“Nós passamos dois anos e meio recuperando o Brasil. Recuperando de verdade. Reconstruindo até os lugares que eles quebraram. Agora estamos prontos para mais”, disse.

Entre as prioridades para o futuro, estão a ampliação da educação em tempo integral, o fortalecimento das universidades e dos institutos federais, a formação para as novas tecnologias e o aproveitamento estratégico das terras raras e dos minerais críticos. Durante a entrevista, Lula explicou que a expansão educacional é a base para a construção de uma política de fomento às novas tecnologias e desenvolvimento. Ele citou ainda intenção de enviar estudantes brasileiros para centros de inovação no exterior.

“Vamos continuar fazendo mais universidades e criando cursos extraordinariamente novos para preparar para as novas funções que o mercado está cobrando. Nós vamos mandar gente estudar na China, nos Estados Unidos, na Alemanha, na França. Onde tiver curso de inovação, nós vamos mandar [os jovens].”, declarou.

O presidente assegurou, ainda, que as políticas públicas seguirão oferecendo condições para que jovens de famílias de baixa renda permaneçam estudando e ampliem suas possibilidades profissionais e declarou que investir em educação é uma “obsessão”.

 “Eu quero um Brasil altamente preparado porque eu não quero mais ser exportador só de soja, de minério de ferro ou de milho. Não, ou de carne. Eu quero exportar inteligência e conhecimento.”

Cultura e soberania

Lula destacou o papel da cultura na formação integral dos estudantes, explicando que as escolas precisam oferecer atividades complementares, citando como exemplo o Programa Escola do Hip-Hop, que utiliza o movimento cultural como instrumento didático-pedagógico e prevê R$50 milhões em investimentos nos anos de 2026 e 2027, aproximando da educação linguagens como rap, break, DJ e grafite.

“A molecada tem que aprender sobre rap, sobre hip hop, tem que saber funk, sobre samba, sobre bolero, sobre o que ele quiser aprender”, afirmou, acrescentando que pretende trabalhar para tornar a iniciativa permanente.

A proposta também foi relacionada pelo presidente à formação para a convivência democrática e ao combate à violência contra as mulheres, ressaltando que quer formar “um ser humano que aprenda a viver em harmonia, a respeitar as pessoas, a conviver democraticamente na diversidade”.

Quando citou a política de minerais críticos e terras raras, lula defendeu o desenvolvimento e a industrialização do Brasil.

“A gente não vai permitir que os caras venham aqui comprar e levar a nossa terra rara para vender depois o produto acabado para nós”, afirmou. “Nós queremos extrair aqui, transformar aqui, fazer o produto industrializado aqui e vender.”

Combate às bets e proteção das famílias

“Minha disposição pessoal é acabar com as bets”, afirmou o presidente, citando que a ludopatia – que é a dependência por jogos – é uma doença.

Lula chamou atenção ainda para a facilidade de acesso às plataformas digitais, que permite que as apostas estejam disponíveis permanentemente nos celulares. Para o presidente, o endividamento provocado pelas apostas atinge especialmente trabalhadores que comprometem renda e patrimônio na tentativa de recuperar perdas.

Cuidado com os trabalhadores

O presidente também falou sobre o cuidado com a classe trabalhadora brasileira quando defendeu melhores condições de trabalho para motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores. Ele se mostrou preocupado em criar espaços adequados para descanso, higiene, carregamento de celulares e outras necessidades durante a jornada.

Projetando o futuro, Lula relacionou desenvolvimento do país à ampliação das oportunidades para quem historicamente teve menos acesso à educação.

“Eu vim de lá. E eu sei como é que é lá. Eu sei como é o mundo da periferia”, afirmou, fazendo uma referência às dificuldades que enfrentou antes de chegar à Presidência. “Eu sei o que é viver mal. Eu sei o que é ter vontade de comer as coisas e não poder, ter vontade de comprar as coisas e não poder”, finalizou.