Conheça: Anne Moura, candidata a Secretária Nacional de Mulheres do PT

Eleição será no Encontro Nacional de Mulheres do PT, nos dias 26 e 27 de novembro

Com o tema “Reconstruir o país pelas mãos das mulheres”, o 13º Encontro Nacional de Mulheres do PT será realizado online entre os dias 26 e 27 de novembro de 2021. É um momento de grande importância para a organização das mulheres e o fortalecimento da agenda feminista dentro e fora do partido.

Dentre as atividades previstas para o Encontro está a eleição da nova gestão da Secretaria Nacional de Mulheres do PT. São três candidatas:

Anne Moura com a chapa ‘Feminismo é no plural’ – CNB, Avante, Esquerda Popular e Socialista, Movimento PT, Resistência Socialista, Socialismo em Construção

Mariana Janeiro com a chapa ‘Feminismo na luta para derrotar o fascismo’ – Militância Socialista e a Democracia Socialista

Wilma dos Reis com a chapa ‘Feminismo para tempos de guerra’ – Articulação de Esquerda

A participação e a votação seguirão os procedimentos que vêm sendo realizados pelo PT ao longo de todo processo de encontros virtuais.

Conheça  Anne Karolyne Moura: atual Secretária Nacional de Mulheres do PT. Ela cresceu na periferia de Manaus e se tornou, em 2013, a mais jovem secretária nacional de desenvolvimento econômico do partido, aos 26 anos. A manauara ingressou em enfermagem na Universidade do Estado do Amazonas e atuou em conferências para a construção de lideranças femininas aptas a disputar a presidência de grêmios estudantis e centros acadêmicos, além da reivindicação por direitos indígenas, quilombolas e ambientais.

 

1) Quando e como entrou no PT

“Comecei minha trajetória muito nova com 15 anos no grêmio estudantil, na Escola Estadual Ângela Ramazotti”, é assim que Anne Karolyne relembra os tempos de movimento estudantil em Manaus, Amazonas, quando começou a ter contato com a militância política.

Aos 16 anos, Anne Karolyne decidiu que era hora de dar um passo importante e resolveu se filiar ao Partido dos Trabalhadores. Aos 18, ela se tornou membro do diretório municipal de Manaus e, aos 20, ocupou espaço no diretório estadual.

A trajetória, que parece fulminante, foi acompanhada por outra descoberta que transformou o modo como Anne Karolyne se relacionava com suas raízes: a militância do movimento pela Amazônia e do movimento indígena. “É muito comum na Amazônia a gente falar da questão indígena de forma muito pejorativa ‘ah, vc é índio, vc é índia’. Ninguém quer ser índio, índia.

2) Primeiros contatos com a pauta feminista

Ainda secundarista, um grupo de estudantes entrou na sala que Anne estudava e perguntou quem teria interesse em participar. Poucos meses depois, ela se tornava presidenta do grêmio da escola, em um contexto que toda a direção era composta por homens. “Em algum momento, eu achei que aquilo era normal e achava que a minha presença era só porque tinha me destacado. A construção feminista é um processo. E ali, comecei a questionar a presença majoritária dos homens nos espaços”, explica Anne.

3) Um momento que marcou a  militância em defesa das mulheres

Quando Anne ia para uma reunião, ela caiu, quebrou uma perna e teve que colocar uma placa e seis parafusos. Poucos dias depois, frequentando as reuniões de muleta, ela caiu e quebrou o braço no banheiro. Mesmo de cadeira de rodas, ela garantiu presença no Encontro Nacional de Juventude do PT, em Brasília. “Eu disse que não iria, porque ia ser de difícil acessibilidade. Mas a secretária [nacional de juventude do PT] era a Severine. Ela garantiu uma van para me buscar no aeroporto com cadeira de rodas. Pouca gente sabe disso”, relembra Anne Karolyne.

Já acolhida pelo espírito de sororidade das mulheres do PT, esse Encontro revelaria o nome de Dilma Roussef para disputar a presidência na sucessão de Lula, outro marco importante na formação feminista da manaura. Dois anos depois, Anne Karolyne já ocupava uma cadeira na direção nacional da Juventude do PT. “Meu ciclo de construção dentro do partido foi muito rápido. Isso só foi possível com muito investimento e olhar das dirigentes”, explica.

4) Na sua avaliação, quais os desafios da agenda feminista para o próximo período?

“Combater a fome e o desemprego. A crise econômica atinge a classe trabalhadora como um todo, mas o fardo das mulheres é muito mais pesado, sobretudo das mulheres não brancas. Não há política pública possível que não caiba tirar as mulheres e suas famílias da situação de  vulnerabilidade, como a pobreza e a extrema pobreza. Ao mesmo tempo, é preciso incidir sobre uma outra questão central na vida das mulheres: a violência doméstica. E, em paralelo, precisamos construir um conjunto de medidas para garantir o combate a todas as formas de violência contra as mulheres.

Por isso que, quando se trata de retomada do processo democrático, não cabe falar em reconstrução do país sem garantir a centralidade das mulheres na elaboração das políticas públicas. Estivemos na linha de frente contra a pandemia, fomos as primeiras a perder nossos empregos, as mais precarizadas, pesou sobre nós o fardo dos cuidados da casa, das crianças, a inflação dos alimentos, o aumento do gás, da conta de luz. Não queremos mais ser tratadas apenas como beneficiárias de proteção social, mas também queremos fazer parte da elaboração das políticas. Portanto garantir maior participação política das mulheres, que defendem um mundo mais justo e humano, também deve estar no eixo central de nossas estratégias para o próximo período.“

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