Aos 32 anos, a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) é voz atuante na Câmara dos Deputados. Em seu primeiro mandato, a parlamentar mineira construiu uma atuação plural, que reúne a defesa da educação pública, do combate ao racismo, ao discurso de ódio contra mulheres (misoginia), em favor da regulamentação das apostas on-line, além de pautas voltadas à valorização do trabalho.
Em entrevista ao Conversa PT, da Rede PT de Comunicação, Dandara destaca que o Congresso Nacional ainda reproduz desigualdades e afirma que a extrema direita impede avanços para a classe trabalhadora, adiando a votação de pautas importantes como o fim da escala 6×1 – jornada em que os trabalhadores têm apenas um dia de folga na semana.
Ela contesta o argumento de setores contrários à pauta, que declaram que diminuir a jornada de trabalho sem redução salarial seria um recurso eleitoreiro. Dandara lembra que desde a Assembleia Nacional Constituinte, em 1988, o Partido dos Trabalhadores debate o assunto e defende uma jornada menor, por mais qualidade de vida para as famílias.
“Eleitoreiro é o Centrão, que está segurando a votação para ser só depois da eleição. Nós queríamos que tivesse votado isso há muito tempo. O presidente Lula está falando em cadeia nacional do fim da escala 6×1 há anos”, afirma.
Bancada Negra, presente!
Uma das principais iniciativas destacadas por Dandara foi a criação da Bancada Negra do Congresso Nacional, articulada por parlamentares de diferentes partidos. Ela explica o grupo conquistou assento no Colégio de Líderes, espaço onde são definidas as prioridades de votação da Câmara, fortalecendo a capacidade de barrar projetos que tenham elementos discriminatórios.
Ela também destacou a iniciativa do PT de criar uma banca de heteroidentificação para validar candidaturas negras, classificando a medida como um avanço importante no combate às fraudes nas políticas de ação afirmativa.
“O PT inova, o PT é o primeiro partido desse país a ter uma banca de aferição racial das candidaturas negras. Foi um processo longo. Quero parabenizar a Secretaria de Combate ao Racismo do nosso partido, que convenceu, atuou, montou uma banca, montou toda uma etapa regulamentada para que os candidatos pudessem fazer a sua autodeclaração e essa banca averiguasse”.
Educação como prioridade
Pedagoga e mestre em Educação, Dandara reafirmou que a educação é a principal bandeira de seu mandato. Ela destacou a atuação para impedir o avanço do homeschooling, das escolas cívico-militares e de propostas que, segundo ela, criminalizavam o trabalho docente.
A parlamentar também lembrou sua atuação como relatora da nova Lei de Cotas, a defesa do orçamento das universidades e institutos federais, a aprovação do programa Pé-de-Meia e da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), além da luta pela valorização dos profissionais da educação.
“Do porteiro ao diretor, todo mundo é educador”, afirmou ao defender a valorização de todos os trabalhadores da área.
A luta contra o vício das bets
A parlamentar conta por que decidiu protocolar novos projetos para coibir a atuação das bets. Ela ficou sensibilizada após conhecer o caso de uma família de Uberlândia (MG) que perdeu um jovem de 26 anos em decorrência do vício em apostas, a ludopatia.
Entre as medidas estão a proibição da publicidade das plataformas de apostas, o fim dos contratos que remuneram influenciadores conforme as perdas dos apostadores e a obrigatoriedade de comunicação às autoridades de saúde quando as plataformas identificarem comportamento compulsivo dos usuários.
“Eu não conheço uma pessoa que ficou rica apostando no tigrinho, mas tem um monte de influenciador ficando bilionário divulgando isso”, criticou.
Ódio contra as mulheres
Co-autora do projeto que tipifica a misoginia, o discurso de ódio contra mulheres, como crime, Dandara rebateu críticas e afirma que a proposta busca proteger mulheres da violência baseada em gênero.
Ela explica que a misoginia ocorre quando mulheres são ofendidas, diminuídas ou atacadas pelo simples fato de serem mulheres. A deputada argumentou que a criminalização possui também um importante caráter pedagógico, contribuindo para ampliar o debate sobre o tema na sociedade.
“O Brasil mata mais mulheres do que países em guerra. Criminalizar a misoginia também tem um caráter educativo”, afirmou.