O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 17, que o Sistema Único de Saúde (SUS) “deu um salto de qualidade” desde 2023 e reforçou o compromisso do Governo Federal com a ampliação do acesso à saúde pública. Durante visita à Carreta de Saúde da Mulher, instalada na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no Rio de Janeiro, o presidente destacou os avanços do sistema, defendeu mais investimentos na rede pública e reafirmou que garantir atendimento de qualidade à população é uma das principais responsabilidades do Estado.
Ao recordar sua participação na Assembleia Constituinte , Lula destacou o orgulho de ter contribuído para a criação do SUS e criticou as tentativas de desacreditar o sistema público ao longo das últimas décadas.
“Vocês não têm dimensão do orgulho que eu tenho de ver o SUS dar o salto de qualidade que ele deu hoje. Eu fui constituinte, sou um dos criadores do SUS. Desde que ele foi criado, uma parcela da sociedade tentou vender a ideia de que o que era público não prestava e que apenas o privado funcionava. Eu quero que o privado seja o melhor possível, mas quero que o Estado seja tão bom quanto ou melhor, para oferecer atendimento qualificado às pessoas deste país”, afirmou.
O presidente ressaltou que uma das funções centrais do Estado é assegurar acesso universal às políticas públicas, sem distinção entre ricos e pobres. Como exemplo, citou a ampliação do programa Farmácia Popular, que hoje garante medicamentos gratuitos a qualquer cidadão com receita médica para os remédios contemplados pelo programa.
Durante sua fala, o presidente também destacou as iniciativas do governo para ampliar o acesso da população a consultas especializadas, exames e tratamentos de alta complexidade. Segundo ele, o país precisa abandonar a ideia de que investir na saúde representa apenas um gasto para o poder público.
“É preciso parar com essa bobagem de dizer que se gastou tanto com saúde. Saúde também é investimento, porque uma pessoa saudável tem mais capacidade de estudar, de trabalhar e de produzir”, afirmou.
Na sequência, o presidente reforçou que o acesso aos serviços de saúde deve ser igual para todos os brasileiros, independentemente da condição econômica. “Por que o presidente pode fazer uma ressonância magnética e o pobre não pode? Por que o presidente pode fazer radioterapia e o povo pobre não pode? Se o Lula pode, o povo pobre pode. Se o Lula pode, todo mundo pode”, afirmou.
Saúde da mulher
A agenda na Fiocruz teve como foco a ampliação do acesso das brasileiras aos serviços especializados do SUS. Durante a visita à Carreta de Saúde da Mulher, Lula e a primeira-dama, Janja, acompanharam a demonstração da aplicação do Implanon, método contraceptivo de longa duração que passou a ser oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. O presidente destacou que a iniciativa amplia o acesso das mulheres a tecnologias de saúde antes restritas à rede privada e reforça o compromisso do governo federal com a promoção da saúde feminina.
Janja também ressaltou a importância de fortalecer as políticas de prevenção pelo SUS. Após realizar uma mamografia na unidade móvel, destacou que o acesso gratuito ao exame representa um avanço na garantia da saúde das mulheres e simboliza a possibilidade de receber atendimento digno na rede pública. Ela ainda defendeu a ampliação da oferta do Implanon, especialmente para adolescentes, como uma política de prevenção que amplia a autonomia das jovens e fortalece o planejamento reprodutivo. “Acho que, através do Ministério da Saúde, estamos concretizando os nossos sonhos de sermos atendidas com toda a dignidade”, declarou.
Ampliação do acesso e retomada do SUS
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a Carreta da Saúde da Mulher faz parte de uma estratégia nacional para ampliar o atendimento especializado e reduzir filas no Sistema Único de Saúde. Segundo ele, já são 92 unidades móveis em funcionamento pelo país, número que deve chegar a 106 em agosto e a 150 até o fim do ano. “As carretas têm que ser móveis porque você vai para um local onde não precisa ter estrutura fixa, mas só sai de lá quando zera a fila daquela cirurgia, daquele exame, daquele procedimento que precisava ser feito”, afirmou Padilha.
Segundo o ministro, as unidades já passaram por mais de 3 mil municípios e atenderam mais de 600 mil pessoas. No Rio de Janeiro, ele afirmou que novas carretas serão disponibilizadas para ampliar o atendimento em outras áreas, como tomografia e cirurgias oftalmológicas.
Além da ampliação dos atendimentos especializados, o ministro ressaltou os avanços na vacinação infantil como outro indicador da retomada das políticas públicas de saúde. Citando dados do Unicef e da OMS, que reconheceram que o país deixou a lista das nações com maior número de crianças sem vacinação após reduzir esse contingente de 360 mil, no início do governo Lula, para 50 mil em 2025, Padilha fez uma analogia para destacar a importância desse marco. “O Brasil está na Série A do campeonato mundial da vacinação e nunca mais vamos deixar o nosso país voltar para a segunda divisão”, afirmou.
Fortalecimento dos hospitais federais
Em seu discurso, o presidente também defendeu que os hospitais federais do Rio de Janeiro sejam transformados em referência nacional de qualidade. Segundo ele, a excelência no atendimento depende de investimentos permanentes em infraestrutura, contratação de profissionais e valorização dos trabalhadores da saúde.
“Se o Estado assumiu a responsabilidade de manter seis hospitais federais no Rio de Janeiro, eles precisam oferecer um tratamento equivalente ao melhor que existe em qualquer lugar do mundo. Isso significa contratar funcionários, realizar concursos públicos, valorizar médicos, enfermeiros e cuidar bem dos pacientes”, afirmou.
Para o presidente, governar é definir prioridades, e a saúde deve estar entre elas. Lula afirmou que os recursos públicos precisam ser direcionados principalmente às pessoas que mais dependem da atuação do Estado. “Não tem nada mais sagrado do que a saúde”, ressaltou.