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EUA desconhecem ações do Brasil rumo ao desmatamento zero em 2030, diz Lula

Presidente critica governo estadunidense por usar questão ambiental como argumento para o tarifaço e destaca a queda histórica do desmatamento

Lula destacou que resultados da política ambiental do Brasil são inéditos e históricos.Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, nesta quinta-feira, 11, que os Estados Unidos estão equivocados quando questionam a atuação do Brasil no combate ao desmatamento e utilizam o tema como uma das justificativas para impor novas tarifas aos produtos brasileiros. O presidente visitou a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) em Brasília (DF) e discursou após a apresentação de dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (DETER), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontam uma expressiva redução do desmatamento na região Amazônica e no Cerrado.

“Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030. Isso não é uma decisão de nenhuma COP, não é decisão da ONU. Isso é uma decisão do nosso governo. É por uma questão de justiça e de participação do Brasil com ajuda ao planeta Terra, cumprir com a nossa obrigação de tentar evitar o desmatamento o máximo possível, provando que o não desmatamento é mais lucrativo do que o desmatamento”, afirmou o presidente. Lula disse que uma, duas pessoas podem ficar ricas com ações predatórias de desmatar terras brasileiras, mas evitar o desmatamento “ajuda o Brasil, ajuda a Amazônia e ajuda o mundo”.

Ao reforçar as críticas à recente imposição de taxas por parte do governo norte-americano ao Brasil, Lula declarou que os Estados Unidos mentem ao usar o meio ambiente como um dos seus argumentos. “Agora é hora da comparação. Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50% e agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento. A minha guerra é narrativa, é mostrar que nós estamos certos e vocês errados. Com o Brasil não é assim. Nós queremos civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países”, ressaltou.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, ressaltou que os dados do Inpe são “auditáveis” e que são falsas as alegações dos Estados Unidos de que o Brasil promove o desmatamento da Amazônia. “Estamos trabalhando, presidente, para termos um menor número final da história da Amazônia. Isso será um feito fundamental para o Brasil que já recuperou a sua credibilidade, que tem atuado de forma intensa no no plano internacional, além do plano nacional, e põe por terra definitivamente a acusação injusta, improcedente dos Estados Unidos, que incluiu o desmatamento na Amazônia com uma causa para justificar medidas de imposição de tarifas”.

“Os números são claros, são transparentes, auditados. qualquer organização internacional, qualquer instituição pública internacional pode auditar os dados do Inpe, que são absolutamente técnicos e de altíssima credibilidade”, ressaltou o ministro.

Desde o início do mês de maio, o presidente participa de agendas voltadas para o meio ambiente. Na quarta, 10, o Governo Federal anunciou um conjunto de ações para conservação e recuperação dos biomas brasileiros.

Queda de 61,4% do desmatamento na Amazônia

Segundo o DETER, houve uma redução de 61,4% no desmatamento na Amazônia em maio de 2026 em relação a 2024 e 2025. No Cerrado, a queda foi de 12,2% em relação a maio de 2025 e de 25,3% em relação a maio de 2024.

Para Lula, o feito é “histórico”. “Isso aqui é uma coisa extraordinária. Isso existia há muito tempo e não funcionava. Esse é o dado concreto”, afirmou.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que o monitoramento do DETER é uma ação efetiva que colabora para os resultados positivos de combate ao desmatamento.

“Os dados do Cerrado tinham sido suspensos e foi por decisão do seu governo que voltamos a monitorar o bioma”, disse a ministra ao presidente. “O nosso DETER fornece, em tempo real, um alerta diário para ação rápida das equipes de fiscalização. É fruto também de avanços tecnológicos, da integração de dados, da utilização de inteligência artificial e da consolidação de uma política de monitoramento ambiental baseada em ciência e nesse uso intensivo de dados abertos públicos e oficiais”, acrescentou. 

Para além dos números, o secretário extraordinário do Controle do Desmatamento do MMA, André Lima, apresentou um balanço de ações ambientais do governo implementadas desde 2023.

Entre elas estão a retomada do Fundo Amazônia e do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), o fortalecimento das ações de fiscalização, controle e monitoramento do Ibama e do ICMBio, o alinhamento das normas de crédito rural à estratégia de redução de desmatamento e as parcerias com as Polícias Federal e Rodoviária para o enfrentamento de crimes ambientais em todos os biomas do país. “Por conta disso, nós estamos conseguindo alcançar um resultado histórico que o senhor [presidente Lula] está liderando”, destacou Lima.