O Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadores quer fortalecer a presença das mulheres na política brasileira. Uma das ferramentas é a formação política. A Secretaria Nacional de Mulheres do PT convida as mulheres do partido a participar da Trilha Virtual Elas por Elas 2026, iniciativa de formação política. As inscrições seguem até 14 de maio e as aulas começam no próximo dia 16.
Para participar, as interessadas devem procurar a Secretaria Estadual de Mulheres do PT em seus estados para acessar o formulário de inscrição.
A ação busca fortalecer candidaturas femininas e ampliar a presença das mulheres nos espaços de poder e decisão, enfrentando a desigualdade histórica que ainda marca a política brasileira. Segundo a secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, a proposta da trilha é consolidar o partido como instrumento de construção de políticas afirmativas. “Nosso objetivo com a Trilha Elas por Elas 2026 é colaborar diretamente para a consolidação do projeto do PT como uma ferramenta de construção de políticas afirmativas, com foco no aumento da representatividade das mulheres no exercício do poder”, afirmou.
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante do cenário de sub-representação feminina no Brasil. Apesar de as mulheres representarem 51,5% da população brasileira e também serem maioria do eleitorado, elas seguem à margem da política institucional. Atualmente, ocupam apenas 19,7% das cadeiras do Senado Federal. Na Câmara dos Deputados, a presença feminina chegou a 18,1% em 2025, com 93 deputadas eleitas — um crescimento histórico, mas ainda muito abaixo da média latino-americana, de 35,4%, segundo dados da ONU Mulheres.
O cenário brasileiro é preocupante em comparação internacional. Em 2023, o país ocupava apenas a 131ª posição entre 193 nações no ranking de representatividade feminina nos parlamentos, elaborado pela União Interparlamentar. Na América Latina, o Brasil supera apenas Belize e Haiti.
Nas assembleias legislativas estaduais e câmaras municipais, a desigualdade é ainda mais evidente. Dados do Observatório Nacional da Mulher na Política (ONMP), da Câmara dos Deputados, mostram que, nas eleições de 2018, apenas 161 mulheres foram eleitas para as assembleias estaduais e para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, em um universo de 1.072 cadeiras disponíveis.
Embora tenha havido crescimento de 41,2% em relação a 2014, quando 114 mulheres foram eleitas, nenhuma unidade da federação alcançou 30% de representação feminina. Em média, as mulheres ocupam menos de 16% das cadeiras nos legislativos estaduais, o que significa que 84% dos espaços seguem concentrados nas mãos dos homens.
Em entrevista ao portal da Assembleia Legislativa do Ceará, a deputada estadual Larissa Gaspar destacou o contraste entre a força eleitoral feminina e a exclusão nos espaços de decisão. “Mesmo sendo a maioria da população e do eleitorado, enfrentamos muitas dificuldades para conquistar espaços de poder. Somos minoria nas câmaras municipais, nas assembleias, no Executivo e no Congresso. Precisamos incentivar cada vez mais essa participação”, afirmou.
A parlamentar também ressaltou as barreiras enfrentadas pelas mulheres dentro das próprias estruturas institucionais. “No Ceará, das 46 cadeiras da Assembleia, apenas nove são ocupadas por mulheres. Também enfrentamos barreiras para presidir as comissões mais importantes, como a de Constituição e Justiça e a de Orçamento, ou para chefiar os Poderes. É fundamental ocuparmos posições de destaque para mostrar nossa capacidade e protagonismo político”, completou.
A ampliação da participação feminina na política também integra o quinto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que prevê a garantia da participação plena e efetiva das mulheres e igualdade de oportunidades para liderança em todos os níveis de decisão política, econômica e pública.
Resultados que transformam
Os resultados das ações de formação do PT já aparecem nas urnas. O número de mulheres petistas eleitas cresceu continuamente nas últimas eleições: eram 519 em 2016, passaram para 639 em 2020 e alcançaram a marca histórica de 873 eleitas em 2024.
Nas eleições municipais de 2024, o PT lançou 9.846 candidaturas femininas. Ao todo, 262 mulheres disputaram prefeituras, 360 concorreram como vice-prefeitas e 9.224 buscaram vagas nas câmaras municipais.
O resultado consolidou o avanço da participação feminina no partido. Foram eleitas 873 mulheres entre prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras. Destas, 41 assumiram prefeituras, 60 foram eleitas vice-prefeitas e 773 conquistaram cadeiras nas câmaras municipais. Entre as vereadoras eleitas, 385 são brancas, 369 negras e oito indígenas.
Os estados com maior número de vereadoras petistas eleitas foram Piauí, com 126 eleitas, Ceará, com 107, Rio Grande do Sul, com 104, Minas Gerais, com 97, e Bahia, com 80 representantes.