Na cidade onde passou 580 dias preso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro, neste sábado, 12, que foi vítima das mentiras do ex-juiz e ex-ministro de Bolsonaro Sergio Moro (PL), a quem evitou citar o nome, e pediu aos paranaenses que elejam Requião Filho (PDT) para o governo estadual e Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, do PT, para o Senado. Em comício na Boca Maldita, no centro de Curitiba, Lula relacionou a perseguição que sofreu à disputa eleitoral no estado: “Nosso adversário é muito frouxo, nosso adversário é muito mentiroso. E eu sou vítima da mentira dele”.
As críticas foram dirigidas ao ex-juiz responsável pela sentença de segunda instância que levou Lula à prisão e que agora disputa o governo do Paraná contra Requião Filho. Ao recordar a prisão em Curitiba, Lula criticou o papel da imprensa na construção acrítica da imagem pública de Moro. Disse que veículos nacionais alimentaram as acusações contra ele e não reconheceram os erros cometidos na cobertura.
“Eu sou vítima da mentira dele e ele foi alimentado pela imprensa nacional, que quase fez ele virar Deus. Ou seja, depois ninguém da imprensa tem coragem de pedir desculpa: ‘Desculpa, Lula, eu menti. Desculpa, eu estava mal informado’. Não, a imprensa não pede desculpa, ela é infalível”, apontou.
O presidente voltou a questionar as acusações que pesaram contra ele, relacionadas ao sítio de Atibaia e ao apartamento no Guarujá. Ao mencionar os imóveis que lhe foram atribuídos, e dos quais nunca foi proprietário, destacou o tempo que permaneceu encarcerado.
“Eu fiquei 580 dias na cadeia por conta de uma mentira! Estou até agora esperando: cadê a minha chácara e cadê o meu apartamento no Guarujá? Até agora tô esperando”, declarou.
Lula também recordou a negativa para que tivesse um frigobar na cela e afirmou que a magistrada responsável havia sido punida. “Você viu que a juíza que não quis que eu pegasse um frigobar para colocar na minha cela foi condenada esses dias, foi punida”.
Janja reverencia a Vigília Lula Livre
Janja destacou o significado de retornar à cidade onde cresceu, estudou e se filiou ao PT. Emocionada, homenageou as pessoas que mantiveram a Vigília Lula Livre durante os 580 dias de prisão e afirmou que aquela resistência continua presente na mobilização para derrotar a extrema direita.
“Aqui eu quero reverenciar todas as pessoas da Vigília Lula Livre, que não saíram do lado do presidente Lula durante aquela prisão injusta. E eu não vou citar aqui o nome do algoz dele, é tudo que ele quer”, declarou.
A primeira-dama vinculou a memória da vigília ao compromisso de eleger Requião Filho. Também pediu que a militância use os resultados do Governo Lula nas conversas com vizinhos, familiares e colegas de trabalho, especialmente com quem ainda está indeciso.
Em outro momento, Janja fez um apelo para ampliar a presença feminina no Parlamento. Pediu votos em Gleisi e nas candidatas da chapa, lembrando que as mulheres são maioria na população, mas seguem sub-representadas nos espaços de decisão.
“Eu queria falar pras mulheres que é muito importante mulher votar em mulher. A gente tem um parlamento brasileiro com muito pouca representação de mulheres, e somos a maioria da população brasileira”, afirmou.
Um Paraná que cuida
O ato reuniu também o ex-governador Roberto Requião e o candidato a vice-governador Michele Caputo, além de Gleisi e Rosinha, que vêm confrontando o bolsonarismo na disputa ao Senado.
A convocação para eleger a chapa foi acompanhada de pedidos para que a militância intensifique as conversas com eleitores, em sintonia com a mobilização nacional marcada para domingo, 13. Lula rejeitou a ideia de tratar a ida de Requião Filho ao segundo turno como o limite da campanha e afirmou que ainda há tempo para ampliar o apoio ao candidato.
Requião Filho apresentou a proposta de um governo voltado ao cuidado com as pessoas, com atenção à saúde regionalizada, às mulheres, aos idosos e às pequenas empresas. Ao contrapor seu projeto ao dos adversários, afirmou: “Um Paraná que cuida. Eles dizem que querem construir penitenciárias; nós queremos o Hospital da Mulher e da Infância. Eles querem a violência; nós queremos o amor, o acolhimento e a empatia”, afirmou.
Gleisi Hoffmann destacou os investimentos dos governos petistas no Paraná e afirmou que a eleição contrapõe projetos de país. “Desse lado, o projeto da democracia, da soberania, da inclusão e do desenvolvimento do Brasil. Do outro lado, é o retrocesso, é a ditadura, é o ódio, é o vazio. Nós já vivemos isso 4 anos”, disse. A candidata ao Senado criticou a pretensão de Moro de governar o estado após sua atuação contra Lula e pediu a eleição de representantes que ajudem o presidente a governar.
Dr. Rosinha associou a reeleição de Lula à defesa da vida, da ciência, da soberania e dos direitos das mulheres, além do combate ao racismo e à homofobia. O candidato ao Senado convocou a militância a transformar esse compromisso em campanha nas ruas: “E amanhã é dia 13 e nós vamos visitar em Curitiba e no Paraná todas as casas, e de casa em casa nós vamos construir a vitória de Lula no primeiro turno. É isso que nós vamos fazer, não vamos ficar olhando resultado de pesquisas”, disse.