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‘Mais uma vez, família Bolsonaro faz movimento contrário ao Pix’, afirma ministro

Dario Durigan critica movimento bolsonarista contra os interesses nacionais. Alckmin diz que medida é "totalmente descabida"

Foto: PT na Câmara

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com firmeza à proposta de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A nova ofensiva dos Estados Unidos contra o Brasil expõe uma conexão política e econômica com a movimentação da família Bolsonaro em Washington contra os interesses nacionais, que tem agora o Pix também na mira.

“Mais uma vez, a família Bolsonaro faz o movimento contrário ao Pix”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao comentar a investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na chamada Seção 301. A investigação norte-americana, para justificar a cobrança de novas tarifas, diz que o Brasil adota práticais comerciais injustas acusa o país de favorecer o Pix em detrimento de empresas de pagamento dos EUA.

A inclusão do Pix no centro da ofensiva, após a visita de Flávio Bolsonaro a Trump, aponta que o discurso de combate ao crime organizado, usado por bolsonaristas nos Estados Unidos, funciona como cortina de fumaça para uma disputa econômica. O senador, filho de Jair Bolsonaro, se vangloriou, ao retornar da visita, da decisão do presidente dos EUA de classificar facções criminosas de terroristas. O Governo do Brasil apontou, desde o início, a necessidade de olhar com cautela para a medida por suas implicações no sistema financeiro, sobretudo, e na cooperação transnacional de combate ao crime.

Durigan ressaltou que o governo brasileiro combate o crime organizado e seus fluxos financeiros, mas alertou para os riscos da pressão externa contra a economia brasileira. “Pode trazer prejuízo ao sistema financeiro, aos nossos bancos, às nossas fintechs, ao nosso Pix. Interesses privados, interesses particulares se sentem contrariados com essa universalização, com essa abertura de um meio de pagamento que é muito democrático, como é o caso do Pix”, afirmou, em entrevista a jornalistas, nesta terça-feira, 2.

“O que nós precisamos fazer nesse momento? Nós precisamos nos conscientizar todos, seja governo federal, os vários ministérios, a pedido do presidente Lula, seja o Congresso Nacional, seja o Supremo Tribunal Federal, o Judiciário todo brasileiro. Nós precisamos concentrar as nossas energias em proteger a nossa economia e proteger os nossos empregos. Soberania nacional, o Pix e o interesse do povo brasileiro sempre vêm em primeiro lugar”, disse o ministro Durigan.

Alckmin: medida injusta, “totalmente descabida”

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou a recomendação de novas cobranças tarifárias dos Estados Unidos como “extremamente injusta” e “totalmente descabida”. Segundo ele, o Pix é “um patrimônio nacional” e não prejudica empresas ou cidadãos.

“O Pix é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia, serviço da sociedade, da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população”, afirmou Alckmin. “Ele não tem a menor lógica entrar nisso, porque não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”, reforçou.

Alckmin também contestou os demais argumentos usados pelos Estados Unidos. O vice-presidente lembrou que o Brasil tem ampliado medidas de combate à corrupção, que empresas americanas são grandes beneficiárias do sistema brasileiro de patentes e que a balança comercial é favorável aos Estados Unidos.

“A balança comercial é amplamente favorável aos Estados Unidos. Nós tivemos o ano passado, somando balança de produtos e serviços, 40 bilhões de dólares de superávit para os Estados Unidos”, disse Alckmin.

O ministro Márcio Elias Rosa, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, detalhou que, caso a proposta se converta em tarifa, os setores mais expostos seriam máquinas e equipamentos, plásticos, produtos de madeira, papel e cartão, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos. Ele afirmou, porém, que o Governo Lula seguirá trabalhando para evitar a medida.

“Nós temos cerca de 54% do que nós exportamos para os Estados Unidos livre do tarifário, 25% na sessão chamada 232 e 21% é o que ficaria exposto se essa recomendação se convertesse. Os setores mais atingidos seriam de máquinas, de equipamentos, o que tem valor agregado e traz muito prejuízo para emprego, para a renda, para as indústrias”, explicou.

O ministro também foi direto ao relacionar a ofensiva externa ao comportamento de Flávio Bolsonaro nos EUA. Segundo o ministro, a visita do senador à Casa Branca para defender a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas “acaba por produzir um resultado que contraria a ação das nossas polícias”, inclusive a cooperação da Polícia Federal com autoridades norte-americanas.

“Toda vez que a gente avança surge um complicador. Alguém para dificultar o diálogo e aí muitas vezes há uma ameaça de retrocesso. Só não há o retrocesso efetivo porque o presidente Lula age com muita coerência, com muita clareza, com muita transparência e não vai permitir jamais que qualquer tema caro à soberania nacional, como é o Pix, fique na mesa de negociação”, acrescentou.