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Mulheres do PT cobram avanço na votação do fim da escala 6×1

Líder do governo no Senado defende redução da jornada como medida de saúde, igualdade e valorização das trabalhadoras

Parlamentares petistas lutam por mais qualidade de vida para as mulheres, com fim da 6x1Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Parlamentares petistas defendem o fim da escala 6×1 e reiteram que a medida vai beneficar prioritariamente as mulheres brasileiras, que ainda enfrentam a sobrecarga da dupla e, muitas vezes, da tripla jornada. Após avançar na Câmara dos Deputados, o texto segue em tramitação no Senado.  . Para a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reduzir a jornada é uma medida de justiça social construída ao longo da história.

“Os avanços nas relações de trabalho nunca significaram colapso. Foi assim com a CLT, com a redução da jornada de 48 para 44 horas e com a licença-maternidade. As mulheres têm prioridade nesse debate porque ainda carregam a dupla e até a tripla jornada. Trabalhar menos também é trabalhar melhor”, afirma.

Já a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) questiona a resistência de parte do setor empresarial à proposta. Ela afirma que os ganhos de produtividade permitem avançar na redução da jornada.

“Acabar com a escala 6×1 é distribuir melhor os ganhos do trabalho. Estudos do Ipea mostram que o impacto para as empresas varia entre 1% e 6,6%, enquanto a produtividade cresce com o avanço da tecnologia. A discussão é sobre garantir mais qualidade de vida para quem trabalha”.

Mulheres negras são mais atingidas

Dados do IBGE mostram que, em média, as mulheres dedicam 21,3 horas semanais aos cuidados da casa e de outras pessoas, enquanto entre os homens essa média é de 11,7 horas por semana. A desigualdade torna-se ainda mais evidente no recorte racial: entre mulheres pretas e pardas, a carga semanal é, em média, 1,6 hora maior em comparação às mulheres brancas.

Para a secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, a diminuição da jornada representa um passo importante para enfrentar desigualdades históricas.

“A escala 6×1 pesa especialmente sobre as mulheres, que chegam em casa e continuam trabalhando. Reduzir a jornada significa garantir mais tempo para estudar, descansar, conviver com a família e cuidar da própria saúde. É uma pauta que dialoga diretamente com a autonomia econômica, com a Política Nacional de Cuidados e com a qualidade de vida das trabalhadoras, especialmente das mulheres negras, que ainda enfrentam as maiores jornadas e as maiores desigualdades.”