Na França, Lula exalta a política para consolidar o processo democrático

Em Paris, no Festival Lula Livre, o ex-presidente defendeu a política como instrumento de transformação: “precisamos acreditar que é possível recuperar o humanismo”

Ricardo Stuckert

Durante sua passagem pela Europa, Luiz Inácio Lula da Silva tem falado da imprescindibilidade do combate à desigualdade social. O ex-presidente levou a experiência das políticas sociais brasileiras, dos Governos do PT, para contribuir com o debate mundial. E é justamente a Política o principal “instrumento de transformação da sociedade”, exaltou Lula em seu discurso no Festival Lula Livre de Paris.

O ex-presidente alertou sobre os riscos dos discursos antidemocráticos em todo o mundo e apontou que no Brasil a imprensa comercial e setores empresariais manipularam o povo para o ódio, o preconceito e ao desprezo com a política:

“Não há hipótese de consolidar o processo democrático fora da política. Não há hipótese de fazermos uma sociedade mais justa sem um Estado forte. Não conheço um empresário que abriu mão de seus lucros para fazer política social. Não conheço nenhum empresário que defenda o pagamento de um tributo justo. Não conheço nenhum empresário que queira um Estado forte”, disse Lula, que mais uma vez conclamou o povo a participar da política:

“Jamais imaginei chegar a situação que cheguei. Saí da presidência com 87% de bom e ótimo nas pesquisas, 10% de regular e 3% de ruim. Dilma, em 2013, tinha 75% de aprovação. Jamais imaginei que inventassem um processo contra ela. Jamais imaginei que fosse acusado de corrupção. Jamais vi a sociedade brasileira com tanto ódio (…) Precisamos apostar e acreditar que é possível recuperar o humanismo no ser humano. Mesmo quando você tiver contra tudo e todos, não desista da política. Você precisa ter consciência que o político bom que você deseja está dentro de você”, completou.

Após fazer a análise da conjuntura política do Brasil e internacional, o ex-presidente também lembrou do período em que ficou no cárcere político. “Vocês acreditam no amor? Vou contar uma história. Na era digital, depois que fui preso, Rosângela começou a trocar correspondência comigo. Temos 580 cartas minhas e 580 cartas dela. Podem ficar certos de que o amor é possível quando duas pessoas querem se amar”, disse sobre sua namorada Rosângela da Silva, a Janja, que também participou do festival na França.

“Por isso saí da prisão sem ódio. Determinei não permitir que a cadeia me deixasse uma pessoa que odiasse meus algozes. Tenho certeza que durante todo o período que estive na cadeia, embora estivesse sozinho entre quatro paredes, numa cama estreita, tenho certeza que dormia muito mais tranquilo do que o juiz Moro”, completou Lula.

Da Redação da Agência PT de Notícias

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