Siga nossas redes

Nova geração progressista se une para assumir papel central no futuro do Brasil

Seminário reúne juventudes de sete partidos para construir propostas, fortalecer a democracia e ampliar a participação dos jovens no projeto de desenvolvimento do país

Encontro reuniu dirigentes partidários, fundações e organizações parceiras para discutir a pauta jovem no cenário político e na sociedadeFoto: Maria Nayan Aviz

Brasília sediou, nos dias 7 e 8 de julho, o Seminário Nacional “O Brasil Pelas Juventudes”. Promovido pelo Fórum das Juventudes Progressistas (FJP), o encontro marcou o primeiro grande evento presencial da articulação e tem como objetivo fortalecer a unidade entre as organizações juvenis, promover a troca de experiências e construir propostas para os desafios enfrentados pelas juventudes brasileiras e pelo desenvolvimento do país.

Criado em março deste ano pelas próprias juventudes partidárias, o Fórum reúne representantes do PT, PSB, PDT, PCdoB, PSOL, Rede e PV. O seminário, por sua vez, amplia o diálogo entre dirigentes nacionais e estaduais, fundações partidárias e organizações parceiras para discutir políticas públicas voltadas às novas gerações e os desafios enfrentados pelos jovens na política.

Na mesa de abertura do seminário, a secretária nacional de Juventude do PT, Júlia Köpf, destacou que o momento é de fortalecer o diálogo com a sociedade e apresentar os avanços conquistados para a juventude brasileira nos últimos anos. “A primeira coisa que a gente precisa fazer é saber o que que a gente está defendendo, como que a gente pegou esse país lá no início de 2023 e o que que a gente está entregando de volta para o Brasil e para a juventude brasileira e por quais caminhos a gente consegue sonhar com mais vigor e mais possibilidade da gente alcançar.”

Segundo Köpf, a tarefa das juventudes progressistas passa por disputar projetos de sociedade a partir da realidade vivida pelos jovens brasileiros e da defesa das políticas públicas que transformaram a vida da população. “A juventude é parte essencial disso”, declarou.

A dirigente também chamou atenção para o desafio de dialogar com uma geração que cresceu em um contexto diferente daquele vivido pelas gerações anteriores. “Como que a gente faz para aproximar a realidade que a gente quer construir com esperança de quem sabe que o Brasil melhorou muito do que podia ser, mas que ainda está muito longe de ser o Brasil que a gente sonha e o Brasil que a gente merece construir?”, afirmou, convocando os representantes presentes a seguirem participando ativamente da causa.

Construção coletiva de propostas

Um dos principais eixos da mesa de abertura foi a construção coletiva de propostas para responder aos desafios das juventudes brasileiras. Integrante da coordenação do planejamento do plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Luciana Mandelli destacou que o seminário integra um amplo processo de escuta, reunindo diferentes organizações e experiências juvenis para pensar caminhos para o desenvolvimento do país. “A juventude tem um papel muito importante, não só nessa eleição, mas no processo do que a gente chama de um novo ciclo de desenvolvimento para o país.”

Segundo ela, a metodologia adotada para o plano privilegia a participação e o diálogo entre diferentes setores, organizando os debates a partir de grandes eixos estruturantes, como soberanias e combate às desigualdades. Explicando que os grupos de trabalho participantes do processo foram orientados a avaliar os impactos dos últimos anos sobre as políticas públicas e refletir sobre o processo de reconstrução em curso e apontar prioridades para o futuro, salientou as mudanças adotadas para essa elaboração. “A gente não queria um ambiente de disputa. A gente queria um ambiente de escuta profunda”, ressaltou.

Políticas públicas conectadas à realidade da juventude

Ao apresentar um panorama sobre a situação da juventude brasileira, o representante do Organismo Internacional de Juventude para Ibero-América (OIJ) no Brasil, Gabriel Medeiros, defendeu que as políticas públicas precisam partir da realidade concreta vivida pelos jovens e romper com estigmas historicamente construídos. “Nós temos que derrubar mitos que foram reforçados ao longo das últimas décadas da realidade juvenil e que refletem uma visão discriminatória e preconceituosa para a juventude. Uma visão que estigmatiza e diminui a juventude como sujeito de política e como sujeito de direitos“.

Gabriel criticou a ideia de que os jovens brasileiros seriam uma geração “nem-nem” e apresentou dados que demonstram uma realidade marcada pela conciliação de trabalho, estudo e responsabilidades familiares.

“É uma juventude que concilia estudos, trabalho e trabalhos de cuidado, trabalho remunerado e trabalho de cuidado, em condições degradantes, precárias, difíceis. É uma juventude que amanhece às quatro da manhã para pegar duas horas de ônibus para chegar no trabalho, para trabalhar o dia inteiro enquanto seus precários, muitas vezes não formalizados, para depois pegar outro ônibus para ir para a universidade e tentar seguir com seus estudos”, destacou.

Juventudes unidas para fortalecer a democracia

Representando a Fundação Friedrich Ebert (FES Brasil), William Habermann ressaltou o caráter inédito da articulação construída pelo Fórum das Juventudes Progressistas, reunindo tantos grupos partidários em uma agenda comum. “Não é pouca coisa estar num espaço juntando sete partidos progressistas do nosso Brasil”.

Para William, o Fórum representa um espaço permanente de diálogo, formulação e fortalecimento da democracia diante dos desafios colocados pela extrema direita.

“Esse espaço é para que as juventudes entendam o que falta para as juventudes, mas também quais novas propostas conseguem trazer para o desenvolvimento além das juventudes. Então, o que as juventudes pensam do desenvolvimento nacional, da economia, do trabalho, da regulação das plataformas, dos direitos sociais, que novas propostas a gente pode trazer?”, ressaltou.

Ele também avaliou que, apesar do crescimento de posições conservadoras entre parte da juventude, ainda existe amplo espaço para diálogo e organização. “A gente não pode dar essa juventude como perdida”, enfatizou. 

Responsabilidade da juventude

Presidente da Fundação Perseu Abramo, Brenno Almeida afirmou que as juventudes progressistas têm a responsabilidade de construir respostas para os desafios do país e fortalecer a aproximação entre Estado e sociedade.

Para ele, o debate promovido pelo Fórum deve estar voltado para a construção de políticas públicas e ideias para planos de governo que sejam capazes de responder às necessidades concretas da população. “Esse programa precisa ter, ao fim e ao cabo, um único propósito: aproximar o Estado brasileiro de quem precisa do Estado brasileiro.”

“Eu acredito que essa juventude, neste tempo que estamos vivendo, pode ter uma oportunidade de ouro em poder elegar para as próximas gerações um governo que eu não tenho dúvidas, refundará a República Brasileira”, afirmou. 

Documento será referência para os jovens

Durante o segundo dia do encontro, os participantes se dividiram em cinco Grupos de Trabalho, organizados a partir dos eixos do Plano Participativo do governo Lula. Cada grupo contou com uma relatoria responsável por sistematizar os debates, as propostas e os encaminhamentos discutidos ao longo das atividades.

As contribuições dos cinco grupos serão reunidas no documento-síntese “O Brasil Pelas Juventudes”, que passa a servir como referência para a atuação do FJP e como a contribuição das juventudes partidárias ao debate dos rumos e projeções para o país antes das eleições de outubro.