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O pragmatismo e a exigência do voto feminino, que olha para o impacto no dia a dia

Brasil tem quase 84 milhões de mulheres aptas a votar. Escolha desse eleitorado está ligada ao cotidiano, orçamento da família, segurança e estabilidade

As mulheres estão preocupadas em garantir a estabilidade financeiro e dão valor a medidas concretas de segurança e autonomia.Foto: Reprodução/EBC

As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, totalizando mais de 83,8 milhões de votantes aptas a irem às urnas. Como principais administradoras e chefes de milhões de lares, esse contingente histórico do eleitorado adota, segundo pesquisadores, um comportamento político pragmático focado em demandas cotidianas, como renda, emprego e segurança pública.

Em vez de se guiarem apenas por disputas partidárias ou debates ideológicos abstratos, as brasileiras votam com atenção ao cotidiano: a busca por emprego com carteira assinada, o orçamento doméstico e a estabilidade da família. , elas sentem primeiro o impacto da inflação no supermercado e no gás de cozinha.

A preocupação financeira das mulheres com o orçamento doméstico é captada por institutos de pesquisa. A geração de empregos e a segurança pública importam porque são temas diretamente relacionadas à proteção contra a violência de gênero.

Comida na mesa, renda e prosperidade

A socióloga, servidora pública e moradora de Brasília, Nara Kohlsdorf, afirma que o comportamento do eleitorado feminino é focado na proteção à vida e no bem-estar social. “O voto feminino é profundamente pragmático e focado no que realmente importa para proteger a vida, garantir a dignidade humana e o bem-estar social: comida na mesa, renda garantida, segurança e prosperidade para toda a sociedade”, analisa Kohlsdorf.

A especialista aponta ainda que as diretrizes federais de apoio à autonomia financeira das mulheres geram um reflexo direto no desenvolvimento do país. “O Governo Federal, ao criar e fortalecer essas frentes, alivia a carga financeira sobre o lar e traz tranquilidade para o orçamento familiar. Além disso, mulheres capacitadas no mercado de trabalho impulsionam a economia. O eleitorado feminino vota em projetos que trazem resultados concretos”, conclui.

Independência financeira e os desafios regionais

Para movimentos sociais e lideranças comunitárias, a independência financeira é o primeiro passo para a autonomia feminina, inclusive nas urnas. Silmara Rodrigues, articuladora territorial e ativista em Natal (RN), defende que a liberdade de escolha depende da autossuficiência econômica.

“O voto é um direito individual. Nenhuma mulher pode ser obrigada a votar de acordo com a vontade do marido, do pai ou de qualquer outra pessoa. Por isso, combater a dependência econômica também é defender a democracia”, afirma Silmara.

No interior do país e nas áreas rurais, os desafios são ainda mais silenciosos. Para Ana Cleia Leal, sindicalista e moradora da Ilha de Cotijuba, em Belém (PA), os programas de crédito e incentivo à produção são fundamentais, mas precisam vir acompanhados de conscientização. “Tem que ter formação, onde a mulher reconheça sua importância na sociedade familiar e fora dela. Aprenda seu valor de decisão e a força que carrega”, defende Ana Cleia.

O suporte a essas trabalhadoras rurais é operacionalizado por meio de programas consolidados do Governo Federal, como o Pronaf Mulher, linha de crédito voltada à agricultura familiar que foi significativamente fortalecida e teve suas taxas de juros reduzidas para ampliar a inclusão produtiva feminina no campo.

Esse entendimento sobre direitos também precisa ecoar entre as mais jovens nas periferias urbanas através da cultura. Alyne Cristina Souza, a rapper Sakura, moradora de Maceió (AL), argumenta que a soberania do voto passa pela capacidade de pensar por si mesma. “Uma mulher bem informada não precisa que ninguém fale por ela. Ela pode ouvir, questionar, comparar propostas e fazer sua própria escolha”, diz Sakura.Território, autonomia e o direito à cidade

A busca por emancipação ganha contornos específicos nas grandes cidades. A arquiteta, urbanista e vereadora do Rio de Janeiro, Tainá de Paula, argumenta que o acesso a serviços básicos é essencial para que a população dependa menos de poderes paralelos locais e exerça sua cidadania.

“Uma mulher que tem moradia digna, creche para seus filhos, transporte público de qualidade, saneamento, renda e acesso aos serviços do Estado tem mais autonomia para decidir sobre a própria vida, inclusive politicamente”, afirma Tainá de Paula. “Quando o Estado garante direitos, ele também garante autonomia”.

Historicamente, o financiamento de programas habitacionais federais e o fomento às creches públicas funcionam como a base para que municípios implementem e desenvolvam essas redes de acolhimento e moradia local urbana.

Políticas públicas e a resposta institucional

Para responder a essas demandas históricas mapeadas em diferentes regiões, o Governo Federal tem centralizado ações em eixos de renda, qualificação e segurança pública. Na economia, os focos recentes envolvem a regulamentação e a fiscalização da Lei da Igualdade Salarial e a oferta de cursos de capacitação profissional em programas como o Mulheres Mil.

Na segurança pública, as medidas federais de enfrentamento ao feminicídio articulam o monitoramento de agressores pelas forças policiais e a expansão das Casas da Mulher Brasileira, que integram serviços de suporte jurídico, psicossocial e acolhimento em uma mesma estrutura.

Nara Kohlsdorf avalia que ao apoiar e proteger as políticas de garantia de renda, incentivo a pequenos empreendedores, acesso à saúde e à educação, as eleitoras estão blindando os pilares do país.

“Resistir, neste contexto, é mostrar que o voto feminino é um jogo cooperativo onde todos ganham. Atacar o voto feminino é ultrapassado e só acarreta prejuízos à sociedade como um todo, enfraquecendo o Brasil”, conclui a socióloga.

Compreender o voto feminino é compreender as prioridades de milhões de brasileiras que transformam sua força nas urnas em uma demanda por qualidade de vida, dignidade e participação efetiva nas decisões sobre o futuro do Brasil.

Da Redação do Elas por Elas.