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Paridade mudou cultura política no PT, afirma Vivian Farias

Membro da Executiva Nacional do partido defende que paridade entre homens e mulheres na direção é pedagógica e transforma prática cotidiana do partido

Secretária Nacional de Coordenação Regional e membro da Executiva Nacional do PT, Vivian FariasFoto: Divulgação

Integrar e aproximar a direção nacional do Partido dos Trabalhadores com seus diretórios estaduais é tarefa da Secretaria Nacional de Coordenação Regional do PT, sob comando da pernambucana Vivian Farias.

Membro da Executiva Nacional do partido, Vivian reforça a importância de levar em conta as diferentes regionalidades que existem dentro do PT.

“Não podemos tratar o PT do Nordeste igual ao PT do Norte, igual ao PT do Sudeste. Existem especificidades regionais que mexem na vida política do partido como um todo”, defende.

Nesse sentido, ela acredita que o 6º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, que acontecerá em junho deste ano, deve debater a criação e o papel das Vice-Presidências Regionais do PT.

O objetivo dessas vice-presidências, na avaliação da secretária, seria o de acompanhar mais de perto os diretórios estaduais de maneira mais orgânica, presente e atuante no cotidiano dos diretórios e zonais do PT, assim como junto à militância da base.

Isso pode, inclusive, aumentar a participação das mulheres nos espaços de poder dentro do partido, acredita Vivian. “Podemos, sim, ter várias companheiras ocupando esses espaços das Vice-Presidências Regionais do PT.”

Quando o assunto é participação e representatividade, Vivian é ferrenha defensora da paridade entre homens e mulheres nos cargos de direção do PT como instrumento da luta pela maior presença feminina nos espaços de poder.

Vivian Farias em reunião da Executiva Nacional do PTFoto: Paulo Pinto/Agência PT

Para ela, toda regra que envolva a cultura política é pedagógica e a paridade possibilitou essa mudança na cultura política do PT.

“Apesar de não estar no estatuto do PT, a maioria das mesas de debates hoje é composta com paridade. Houve mudança nas saudações, na narrativa do partido. As mulheres se empoderaram e conseguiram capitanear politicamente a paridade para uma mudança de cultura política na prática cotidiana do PT”, fala, como exemplos dessa mudança no partido.

Porém, a membro da Executiva Nacional vai além da paridade e propõe também o revezamento entre homens e mulheres nos cargos de direção, inclusive na presidência do PT.

“Eu sou bem radical nesse sentido. Acredito que a gente tinha que propor alternância de gênero nos espaços, porque a gente não pode mais permitir que só homens, homens e homens fiquem nos espaços mais decisórios do partido”, explica Vivan.

A alternância de gênero na presidência é prática em alguns movimentos sociais na Europa e na América Latina e seria, na opinião dela, uma política temporal, “até que se consiga modificar a práxis política do partido, para que se tenha mais mulheres reconhecidas nos espaços”.

Para Vivian, o que falta à maior participação de mulheres nos espaços de poder dentro do PT é a sensibilidade do conjunto do partido, inclusive sobre as próprias relações sociais, para não reproduzir a opressão de gênero dentro da legenda.

Mulheres conseguiram capitanear a paridade para uma mudança de cultura política, na prática cotidiana do PT

“É preciso entender que a mulher dirigente geralmente também é a dona de casa, a que tem o cuidado quase que exclusivo da criação dos filhos. Isso tudo pode dificultar o deslocamento da mulher, a dedicação mais integral ao fazer político. É preciso ter sensibilidade para fazer o contraponto a uma cultura que quer nos oprimir, que quer nos colocar no privado da vida, e não na vida pública”, conta.

Juventude pioneira

Ainda compondo os quadros de jovens do Partido dos Trabalhadores, Vivian Farias destaca que a juventude petista foi pioneira em diversas mudanças, depois incorporadas pelo próprio partido.

Isso porque a paridade de gênero foi instituída desde o primeiro Congresso da Juventude do PT, em 2008, quando foi eleita uma mulher para ser a secretária nacional de juventude do partido. Além disso, esta gestão já contava com representantes de todas as regiões do País.

3º Congresso Nacional da Juventude do PTFoto: Lula Marques/Agência PT

“As cotas de negros foram primeiro advindas na JPT também. Então, a nossa juventude vem de maneira muito protagonista mexendo no partido e ensinando que uma militância mais orgânica passa sim pelo empoderamento das mulheres, dos negros, dos LGBT, para ter um partido mais diverso, mais plural e mais a esquerda”, enfatiza Vivian.

Por Luana Spinillo, da Agência PT de Notícias