Relatório de Jean Paul aponta negligência com vazamento de óleo

De acordo com documento, governo demorou em acionar Plano de Contingenciamento para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional

Alessandro Dantas

Há indícios de negligência e falta de agilidade por parte de alguns agentes responsáveis, no caso do vazamento de óleo que sujou várias praias de todo o Nordeste, o Espírito Santo e o Rio de Janeiro. Esta é uma das conclusões do relatório parcial da comissão temporária externa criada para acompanhar as ações de enfrentamento ao problema que atingiu o litoral brasileiro.

De acordo com o documento preliminar apresentado na última quinta-feira (5), pelo relator da comissão externa, senador Jean Paul Prates (PT-RN), o governo federal demorou em acionar o Plano Nacional de Contingenciamento para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC). Em relação às medidas de prevenção, o relatório mostra que não houve nenhuma ação. “Deixaram chegar as manchas na costa. O que houve foi apenas a remediação e a mitigação dos danos causados”, disse Jean Paul. “A informação de que os consumidores e turistas que frequentam a região nordeste podem consumir peixes, moluscos e crustáceos”, completou.

O relator também apontou que a atuação dos voluntários foi extremamente importante para diminuir os efeitos. “Em muitos casos, a intervenção dos voluntários foi mais célere e efetiva do que a própria ação do poder público”, comparou. Jean Paul esclareceu que seu relatório será dividido em 4 partes. As duas primeiras tratam das ações emergenciais para as comunidades e para as cadeias produtoras das atividades costeiras. As demais serão sobre a origem e a caracterização do óleo.

“Também faremos alguns encaminhamentos, tanto do ponto de vista regulatório, como operacional. Vamos cobrar ainda que sejam feitas compensações, principalmente para as comunidades atingidas”, antecipou. A comissão externa do Senado foi constituída para apurar as responsabilidades e contribuir com a efetiva responsabilização dos causadores daquele crime ambiental. Ela também tem a função de fiscalizar se o Executivo Federal adotou as providências cabíveis para evitar que o óleo continue chegando às praias e estuários, para a limpeza dos locais atingidos, e para a proteção socioeconômica e ambiental das pessoas e da natureza impactada pelo desastre.

Até o presente momento, a Comissão consultou mais de 20 entidades e 50 autoridades sobre o tema. Realizou três diligências (Pernambuco, Rio Grande do Norte e Espírito Santo), fez reuniões com órgãos de defesa ambiental do estado da Bahia e realizou audiência pública que debateu os impactos socioambientais do derramamento de óleo na costa brasileira, em específico os impactos socioeconômicos sobre a cadeia do pescado, do turismo e estado atual das medidas emergenciais.

Jean Paul informou que está prevista a realização de uma diligência no Amapá e três audiências públicas. Nelas serão debatidos os aspectos técnicos e de monitoramento dos derrames de óleo, como a caracterização objetiva do óleo derramado; a possível origem do derramamento; o fluxo de navios petroleiros na costa brasileira e sistemas de monitoramento de derramamentos de óleo; as normas e ações de contingência para incidentes de poluição por óleo em águas sob jurisdição nacional; e os impactos socioambientais do derramamento de óleo na costa brasileira.

Por PT no Senado

Tópicos:

LEIA TAMBÉM:

Mais notícias

PT Cast