Siga nossas redes

Soberania e democracia, palavras que vão marcar a campanha, segundo Lula

Na convenção nacional do PDT, Lula saudou Brizola, Arraes, Covas, Vivaldo Barbosa, Requião; a política feita com decência. Presidente lembra, ainda, dos golpes do passado e do presente

Lula, na convenção nacional do PDT, relembrou a respeitabilidade entre os adversários com quem disputou no passado.Foto: Ricardo Stuckert

Preparando-se para disputar a sétima campanha presidencial e um quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou, na convenção nacional do PDT, da qual participou na noite de terça-feira, em Brasília, a respeitabilidade e a decência que havia na política e citou nomes de lideranças históricas que passaram a vida lutando pela democracia no Brasil. Alguns nomes, como Leonel Brizola, do PDT, e Mário Covas, do PSDB, disputaram com Lula, em 1989, a primeira eleição presidencial direta após os 23 anos de ditadura militar no Brasil.

“Eu acho que o Brasil sente saudade do tempo que a gente fazia política nesse país com um pouco de decência, com um pouco de respeitabilidade ao povo brasileiro, porque a política nos últimos anos apodreceu. A gente fica vendo aqui (…) tantos brizolistas, vendo a neta do Dr. Arraes aqui, vendo pessoas como Requião, vendo pessoas como Vivaldo Barbosa, vendo pessoas que brigaram a vida inteira para que a gente restabelecesse o processo democrático do Brasil”, citou o presidente.

O presidente elegeu, em seu discurso, duas palavras que, segundo ele, vão marcar a disputa presidencial de 2026. “Não há nada mais sagrado nesse momento histórico do que duas coisas para marcar uma campanha política nesse país. Primeiro, a defesa da soberania nacional (…) A outra coisa é a questão da democracia”, sentenciou.

Em um delicado momento histórico e político, em que o Brasil luta contra a imposição do tarifaço dos Estados Unidos, ordenado por Donald Trump, e contra a pressão da extrema direita, Lula reafirmou o compromisso com a defesa da soberania nacional.

“Nós precisamos voltar a fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho de que esse país foi criado e construído por brasileiros.” O presidente relembrou o período da escravidão, os genocídios de indígenas promovidos no Brasil por colonizadores para enaltecer a luta do povo brasileiro. “Mas nós queremos uma coisa sagrada. Aqui nós erramos por nós, nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que nós vamos fazer. Aqui nós decidimos o que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania.”

Lula reagiu a qualquer tipo de ingerência externa no processo eleitoral brasileiro, como ameaçam os Estados Unidos. Ele afirmou, inclusive, que o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, pode vir ao Brasil apoiar Flávio Bolsonaro e montar um comitê. “Porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país”, disse.

“Não há possibilidade da gente permitir que a democracia sofra mais um arranhão, como sofreu no golpe contra Dilma Rousseff em 2016”, enfatizou.

Ao relembrar o passado da ditadura, o golpe de 1964, e o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, Lula afirmou que os brasileiros e o país não podem permitir a volta do fascismo. “Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo, que o fascismo volte a pensar em governar esse país. A gente não tem o direito.”

O presidente recordou a destruição que ocorreu no país nos seis anos que antecederam o seu terceiro mandato, após a vitória em 2022. “Eu senti na pele a facilidade da destruição das coisas que são construídas com muito sacrifício (…) Além da quantidade de ministérios que foram destruídos nesse país, quase todas as políticas públicas que tinham virado conquista do povo brasileiro foram destruídas outra vez. E nós tivemos que recompor tudo outra vez.”

Em homenagem a Brizola, o presidente de honra do PDT, Lula mencionou que a inclusão social, a educação e a saúde seguem sendo suas obsessões como governante. E relembrou o projeto educacional mais famoso de Brizola, os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública), que também foram chamados de “Brizolões” no Rio. Implementadas nos anos 1980, quando Brizola era governador no Rio, os centros eram escolas públicas de tempo integral idealizadas pelo antropólogo Darcy Ribeiro.

“Hoje todo mundo que era contra sabe que esse país não terá solução se a gente não nacionalizar escola de tempo integral para todas as crianças. Hoje todo mundo tem clareza que a escola de tempo integral é o que vai dar esse país o que ele precisa no campo da educação. É mais do que a educação que a criança precisa. É tranquilidade da mãe, é tranquilidade do pai. Saber que uma criança tá não aprendendo matemática ou história, mas também tá aprendendo cultura, dança, está aprendendo um monte de coisa que em 4 horas as crianças não aprendem.”