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Lula e Marina reagem ao negacionismo de Flávio Bolsonaro sobre mudanças climáticas

Candidato da extrema direita negou influência humana no aquecimento global em sabatina da TV Globo; Lula diz que é amadorismo irresponsável e Marina Silva alerta que para risco à vida

Lula e Marina, em 2025, em Corumbá (MS), anunciando medidas de combate a incêndios florestais.Foto: Ricardo Stuckert

Questionado sobre as mudanças climáticas e o grave quadro de aquecimento global, durante sabatina da TV Globo na última sexta-feira, 28, o candidato extremista de direita, Flávio Bolsonaro (PL), preferiu negar a ciência e tratar o tema como uma questão de “ciclos” da natureza.

“Pra mim o que acontece hoje são eventos climáticos que são extremos, excesso de calor, excesso de chuva, excesso de seca. Então eu acredito que são efeitos cíclicos”, disse o candidato. Ele completou: “Eu não acho que isso tem a ver diretamente só com a influência do ser humano no meio ambiente”.

A resposta reacende a memória do governo de seu pai, que fez do desmonte ambiental política de Estado e permitiu o avanço desenfreado do desmatamento. Foi durante a gestão de Jair Bolsonaro que o então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles defendeu, em reunião ministerial, aproveitar a atenção da opinião pública voltada à pandemia para “passar a boiada” e simplificar as normas de proteção ao meio ambiente.

O período de Bolsonaro ficou marcado por recordes de desmatamento na Amazônia, esvaziamento de órgãos como Ibama e ICMBio, além do isolamento internacional do Brasil nas discussões climáticas.

O desmatamento na Amazônia, para favorecer ruralistas e o agronegócio predatório, foi incentivado no governo Bolsonaro. Negacionismo climático é repetido por Flávio Bolsonaro.Foto: Observatório do Clima

Lula: “Amadorismo irresponsável”

O presidente Lula criticou a postura do adversário. “Negar o aquecimento global em pleno século 21 […] dá a dimensão do amadorismo irresponsável de quem se propõe a governar um país. É retrato de gente que vende soluções simples para problemas complexos”, escreveu em uma publicação no X (antigo Twitter).

Lula aproveitou a ocasião para detalhar ações de seu governo diante da crise climática. Citou a Sala de Situação com 24 ministérios para monitorar riscos do El Niño, os R$ 18,6 bilhões do Novo PAC para drenagem urbana e contenção de encostas, a modernização dos alertas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em 1.427 municípios e o reforço no combate a incêndios pelo Fundo Amazônia, “o mesmo que ficou parado na gestão anterior”.

O presidente também apresentou números da recuperação ambiental do país: “Reduzimos o desmatamento em 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal. Fortalecemos Ibama e ICMBio. Chegamos a 4,4 mil brigadistas federais em 2026 nos cinco biomas, aumento de 40% em relação a 2022.”

Lula lembrou ainda que o Brasil sediou a COP30, em Belém, e voltou a ser protagonista nas discussões globais sobre clima.

“Governar o Brasil não é para aventureiros. Quem não entende a gravidade das questões conectadas ao clima, opera na lógica de ‘passar a boiada’ e enxerga o mundo com a lente embaçada do negacionismo, certamente não tem preparo para guiar o futuro de uma nação”, finalizou o presidente.

“Não entendeu e nem quer entender o problema”, diz Marina

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Senado por São Paulo, disse em um vídeo publicado no Instagram no sábado, 29, que “Flávio Bolsonaro deixou claro em cadeia nacional que não entendeu e nem quer entender o problema, muito menos resolver a sua causa”.

Ela contrapôs a negação à trajetória do governo Lula na área ambiental: “Nós temos feito a nossa parte: reduzimos desmatamento ao menor nível da série histórica, evitando lançar na atmosfera 750 milhões de toneladas de CO2.” 

Marina alertou para os riscos do negacionismo como projeto de poder: “É inaceitável que diante de tantas evidências científicas a gente ainda tenha que assistir tanta falta de compromisso com a verdade e responsabilidade. Quando o negacionismo vira modo de governar, assume as estruturas do Estado, deixa de ser apenas uma opinião e vira um risco para a vida, os negócios e a paz de toda a população. E nós infelizmente já vimos esse filme acontecer.”