Nota de Pesar
A Secretaria Nacional das Mulheres do PT e todo o Brasil se despede, com profundo luto, de Zélia Amador de Deus. Referência na luta antirracista na Amazônia, ela faleceu no dia 8, em decorrência de um câncer de mama.
Zélia foi atriz, professora emérita na Universidade Federal do Pará, e uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM-UFPA).
Outro destaque em sua luta incessante pela garantia de direitos das pessoas negras foi a presidência da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros que a levou a participar da articulação pela implantação do sistema de cotas nas universidades.
Na política partidária, a atuação de Zélia esteve diretamente ligada à resistência contra a ditadura militar e à articulação da militância negra e de esquerda.
Durante a juventude e no auge da repressão do regime militar, ela atuou com a Liga Paraense Partidária da Ação Popular, grupo que tinha como objetivo combater a ditadura.
Quando a Ação Popular se fundiu ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), ingressou na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) em Belém, atuando fortemente na militância.
Mais tarde, Zélia participou ativamente das discussões internas e das setoriais de combate ao racismo no Partido dos Trabalhadores (PT). O seu engajamento partidário com o movimento negro ganhou força principalmente por tensionar a esquerda tradicional para que as pautas raciais e de discriminação fossem formalmente incorporadas e priorizadas pelas legendas.
A Secretaria Nacional das Mulheres do PT oferece as condolências aos familiares e aos herdeiros de Ananse, que são os filhos e continuadores do seu legado.
Da Redação do Elas por Elas.