Coalização Negra por Direitos pede impeachment de Bolsonaro

É a primeira vez na história do país que o movimento negro organizado pede o impeachment de um presidente da República. O pedido aponta os crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro contra a vida da população negra na condução do combate à pandemia. O inédito pedido de impeachment é assinado por 600 entidades e diversas personalidades, negras e brancas.

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Comunidade negra pede impeachment de Bolsonaro

Um novo pedido de impeachment de Bolsonaro está sendo apresentado nesta quarta-feira, 12, junto ao Congresso Nacional. A iniciativa é da Coalizão Negra por Direitos, com apoio de mais de 600 entidades e personalidades. No documento, os autores justificam o pedido “pelos crimes de responsabilidade por ele praticados e de como estes agravam a política de genocídio contra a população negra”.

É a primeira vez na história do país que o movimento negro organizado pede o impeachment de um presidente da República. O inédito pedido de impeachment é assinado por 600 entidades e diversas personalidades, negras e brancas. Entre os signatários estão Sueli Carneiro, Vilma Reis, Emicida, Happin Hood, Chico Buarque, Douglas Belchior, Antônio Pitanga, Fábio Porchat, Antonio Tabet, Fernando Meirelles, Aranha e Bel Coelho, entre outros.

A Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT apoia a iniciativa da Coalizão Negra por Direitos. “As ações do governo Bolsonaro são nitidamente racistas e estimulam, cada vez mais, o genocídio da população negra”, denuncia o secretário Martvs Chagas. Segundo Martvs, a secretaria orienta aos militantes e a bancada parlamentar no Senado e na Câmara para aderir à iniciativa.

Movimento negro protocola pedido de impeachment de Bolsonaro. Foto: Benildes Rodrigues

O pedido aponta os crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro contra a vida da população negra na condução do combate à pandemia. A inércia, a incompetência e a sabotagem do governo atingem principalmente as populações negras, os mais pobres, os moradores da periferia e os indígenas.

No documento, a organização cita “a insuficiência das medidas emergenciais que deveriam estar cautelosamente voltadas às famílias negras, empregadas domésticas, trabalhadoras/es informais negros/as, comunidades quilombolas, populações rurais negras, populações negras de nossas favelas, periferias e bairros”.

De acordo com pesquisa realizada em São Paulo, a população negra é infectada 2,5 vezes mais pelo vírus do que a de brancos. O estudo foi conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com apoio do Instituto Semeia e participação do Laboratório Fleury e Ibope Inteligência.

A partir de dados do IBGE, a pesquisa por diferentes regiões e níveis de renda mostrou o retrato da desigualdade social no país. De acordo com levantamento, na raiz da situação estão as condições de vida, de moradia, de renda e de acesso à saúde das populações mais pobres, agravadas pelo abandono do atual governo.

Chance para Maia

O fundador e um dos representantes da Coalizão Negra por Direitos, Douglas Belchior, espera que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, paute imediatamente o pedido. No entanto, alerta que “Maia se coloca como defensor da democracia e da independência dos poderes, mas até agora só demonstrou fidelidade à política econômica ultraliberal de Guedes”.

Para Belchior, “com o pedido de impeachment apresentado pela Coalizão Negra por Direitos, damos ao Maia uma chance de entrar para a história como defensor da democracia e da vida, e não como cúmplice de um genocídio, promovido pelo pior governo da história republicana no Brasil”.

Até o momento, Maia engavetou mais de 50 pedidos de impeachment, alegando ausência de motivos. Na semana passada, a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR) cobrou a instalação do impeachment de Bolsonaro, em pronunciamento no plenário da Câmara dos Deputados. Para Gleisi, é preciso impedir que o país continue sendo destruído por um governo irresponsável que compromete a vida dos brasileiros e o país.

Da Redação com Brasil de Fato

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