Blumenau: candidato fortaleceu economia solidária no Brasil

Valmor Schiochet trabalhou por 8 anos na Secretaria Nacional de Economia Solidária, criada por Lula em 2003, e que agora está sendo desmontada com o golpe

Por oito anos, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Valmor Schiochet trabalhou ativamente para consolidar a economia solidária no Brasil. Na Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) implantada pelo governo Lula ,em 2003, Schiochet colaborou para a criação de políticas como a inclusão de catadores de materiais recicláveis e dos bancos solidários.

Com essa bagagem, ele retorna para sua cidade natal, Blumenau (SC) para disputar a prefeitura da cidade. Schiochet acredita que é necessário implantar estratégias de desenvolvimento territorial local, associadas a uma estratégia nacional.

“É pensar o município enquanto parte de um território”, explica. Em tempos de globalização, a economia solidária busca estratégias alternativas de inserção econômica, cooperativas e associativas, além de possibilitar o acesso ao microcrédito às populações mais pobres.

Valmor afirma que a SENAES identificou mais de 1,2 mil experiências de associações cooperativas e de promoção do cooperativismo social no Brasil. Uma das ações da SENAES, por exemplo, era montar uma estratégia de inclusão dos catadores para receber material reciclável dos municípios.

“Ações integradas de promoção da economia solidaria, diagnósticos participativos, identificação de oportunidades, assessoramento técnico, incubação, apoio a formalização e organização da produção e da comercialização, estratégias produtivas, estratégias em comercialização associadas a finança e ao crédito”, lista Valmor.

Segundo Joaquim de Melo Neto Segundo, coordenador de uma rede de 118 bancos solidários, a implantação desses mecanismos ajuda a empoderar as comunidades. “A sociedade acaba se organizando para reivindicar mais direitos e políticas públicas”, explica.

Na periferia de Fortaleza, a partir da implementação do Banco Solidário de Palmas, por exemplo, a população passou a consumir 93% dos produtos na própria comunidade. Antes, esse número era de apenas 20% – os 80% restantes compravam fora.

O banco, que recebeu apoio da Secretaria Nacional de Economia Solidária,  possibilita crédito acessível (com taxas muito menores das praticadas no mercado convencional) para comerciantes, pequenos empresários e para a população em geral.

O problema é que, com o golpe, conta Valmor, toda essa política está sendo desmontada. “O atual ministro do Trabalho, ao qual a secretaria está vinculada, não tem nenhuma visão estratégica sobre a economia solidária no Brasil”, explica ele.

Valmor Schiochet quando era iretor do Departamento de Estudos e Divulgação da Secretaria Nacional de Economia Solidária

Pré-campanha

“A população tem bastante consciência de que onde tivemos essa experiência de um governo mais democrático e participativo, o processo de inclusão, de serviços públicos, de pertencimento à cidade, foram muito mais avançados do que os de caráter liberal e conservador”, afirma Valmor.

Para ele, é necessário mostrar para a população que a democratização faz diferença na vida delas. “Sociedades mais democráticas são mais inclusivas e igualitárias”.

“O direito à cidade e à democracia participativa são fundamentais para retomar a confiança das pessoas na democracia como forma de solução dos problemas na sociedade”, diz.

Para Blumenau, ele vê quatro eixos para suas propostas na campanha. O primeiro tem a ver com as especificidades da cidade, que sofre com a questão ambiental e problemas graves de moradia, com muitas áreas em situação de risco e que são inviabilizadas na discussão da cidade.

A outra questão, aponta, é a da violência urbana. Para isso, ele acredita ser necessário promover a política da cultura da paz como forma de enfrentamento da violência em contraposição à estratégia da direita de colocar mais armamento e violência nas ruas.

Outro eixo é o resgate de políticas de inclusão social na área da saúde, educação e assistência social. “O governo federal do PT avançou muito nessas políticas, mas governos liberais tem dificuldade de manter esse sistema de inclusão”, aponta.

O quarto eixo é o do reconhecimento da diversidade e da juventude. Para ele, o poder público deve ajudar na promoção de políticas públicas para a juventude que não quer reproduzir os padrões de comportamento hegemônicas.

“Estamos vivendo uma onda de conservadorismo muito grande estão políticas que promovam o direito à diversidade LGBT, direitos para as mulheres, são todas muito importantes em uma cidade de tradição conservadora como a nossa”, explica.

Por Clara Roman, da Agência PT de Notícias

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