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Carolina Lebbos se espelha em Moro para cometer arbitrariedades

Juíza, que consulta colega e conterrâneo antes de tomar decisões penais, já tem no currículo uma lista de arbitrariedades cometidas contra Lula

Leonardo Boff aguarda em frente ao prédio da Superintendência da PF em Curitiba para ver Lula

Desde a prisão política de Lula, ocorrida em 7 de abril, a juíza Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, entrou para o rol de magistrados que tenta surfar na grande popularidade do ex-presidente, mesmo que isso signifique dar as costas ao bom senso e ao princípio de isonomia com decisões que têm constrangido qualquer magistrado que entenda e aplique o que manda a lei.

Presente em todas as manchetes desde a quinta-feira (30) por ter determinado que Lula pague multa milionária mesmo que a lei diga que “nenhum valor é devido sem a existência de decisão condenatória definitiva”, Lebbos parece ter se espelhado na atuação do colega e conterrâneo Sérgio Moro. Isso porque, na mesma decisão, voltou a atacar o Partido dos Trabalhadores ao proibir que a presidenta Nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e o tesoureiro do partido, Emidio de Souza, visitem o ex-presidente na Polícia Federal.

A amizade entre Lebbos e Moro – a quem recorre para consultas antes de decretar penas – diz muito sobre os métodos adotados pela juíza que já foi tratada pela imprensa como “discreta e rígida”, mas que chocou juristas do Brasil e do mundo ao impedir, em abril, que Lula fosse consultado por um médico alegando “falta de urgência”.

Aí entra a quebra da isonomia: a defesa do ex-presidente obteve informações de que outras pessoas custodiadas na superintendência da Polícia Federal do Paraná recebiam atendimento médico sem qualquer questionamento da juíza.

Na época, Gleisi Hoffmann deu resposta à altura diante do que pode ser considerado crime contra a humanidade:”O que ela entende de saúde do presidente?! Lula tem 72 anos, enfrentou um câncer, precisa de acompanhamento. Qual é intenção real dessa negativa?!”.

Não custa lembrar que dias antes da escabrosa decisão de proibir uma consulta médica, a juíza já havia ganhado os holofotes por ter impedido que o ativista argentino e Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquível, e o escritor e teólogo  Leonardo Boff visitassem o amigo e ex-presidente.

“Uma juíza com uma cabeça muito pequena não permitiu que um Prêmio Nobel da Paz e eu, seu amigo, pudéssemos entrar para dar-te um abraço. Negaram a nossa humanidade e a tua. Por isso, estou indignado, mas tenho esperança, que é a última palavra. Tenho a esperança que você irá para o lugar que te pertence!”, afirmou Boff na ocasião.

Além do teólogo e do ativista, Lebbos também contrariou a legislação vigente no país e impediu  por duas vezes a visita da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados cuja missão é checar as instalações da Polícia Federal em que se encontra encarcerado politicamente o ex-presidente Lula. A decisão proibitória só caiu quando chegou ao STF e a comissão, enfim, conseguiu entrar na PF.

Em julho, Lebbos voltaria a atacar o que manda a lei ao  impedir o direito de Lula ser entrevistado, mesmo que não tenha competência para decidir questões eleitorais. Por conta da juíza, apenas Lula passou a sofrer por antecipação as consequências de uma suposta inelegibilidade até agora não examinada pelo TSE, reforçando o caráter de exceção dos seus julgamentos, já que o tribunal

Em nota publicada no dia 12 de julho, o PT afirmou que “a juíza Lebbos quer dar efeitos jurídicos à suposta inelegibilidade de Lula antes mesmo do pedido de registro. É uma enorme arbitrariedade e invasão de competência judicial (…) Tudo para indeferir o contato de Lula com a imprensa”. Com a nova decisão, parece claro que há um problema sério entre a juíza, o que manda a lei e o Partido dos trabalhadores.

Por Henrique Nunes da Agência PT de Notícias