Diante da omissão de Bolsonaro, sociedade luta para socorrer Manaus

Mobilização nacional, envolvendo governadores, prefeitos, parlamentares, entidades de saúde e demais setores da sociedade civil, age para evitar um agravamento do caos sanitário em Manaus (AM), onde pacientes estão morrendo por falta de oxigênio. Crescem pressões para aprovação do impeachment de Bolsonaro

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UTI de hospital para atendimento às vítimas da Covid-19, em Manaus

Diante da total inércia e da omissão do governo federal, uma mobilização nacional, envolvendo governadores, prefeitos, parlamentares, entidades de saúde e diversos setores da sociedade civil, luta para evitar um agravamento do caos sanitário em Manaus (AM), onde pacientes com Covid-19 estão morrendo por falta de oxigênio. A solidariedade dos governadores produziu efeitos imediatos, com a transferência de pacientes para leitos em São Luís, Teresina, João Pessoa, Natal, Goiânia, Fortaleza, Recife e Distrito Federal.

A capital amazonense enterrou 186 pessoas somente na quinta-feira (14). Após ter passado três dias na capital amazonense sem ter feito nada para evitar o pior a não ser propagandear a cloroquina encalhada do governo, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello admitiu, na quinta-feira (14), a catástrofe no sistema de saúde.

“Considero que sim, há um colapso no atendimento de saúde em Manaus, a fila para leitos cresce bastante, estamos hoje com 480 pessoas na fila”, afirmou em uma ‘live’, ao lado do maior responsável pela tragédia, Jair Bolsonaro. Como é notório, ele foi o maior incentivador da reabertura do comércio, não apenas no estado, mas em todo o país, para não falar de outras ações em favor da disseminação do vírus.

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) lembrou que Pazuello deslocou-se para a capital e prometeu que garantiria tudo o que fosse necessário para o enfrentamento da pandemia em Manaus. “Mentira. Centenas de pessoas aguardam leitos e, quando conseguem, não têm oxigênio”, denunciou Padilha

O procurador da República no Amazonas Igor da Silva Spíndola também confirmou que a pasta da Saúde foi alertada quatro dias antes sobre a falta de oxigênio. O ministro, no entanto, reuniu-se com técnicos para tratar do assunto somente na quinta-feira (14).

PT aciona STF e pede autoconvocação do Congresso

Na noite de quinta-feira, o PT acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), para que o ministro Ricardo Lewandowski determine ao governo federal o garanta o abastecimento de oxigênio e demais insumos para tratar casos de Covid-19, além do envio da Força Nacional para atuar no cumprimento de um ‘lockdown’. O partido também defendeu a convocação de profissionais do Mais Médicos inclusive com possibilidade para médicos brasileiros formados no exterior.

“É muito triste ter que mobilizar a Justiça para que o governo federal tome as providências que são obrigação dele, que não faz nada”, afirmou a presidenta Nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), em vídeo nas redes sociais.

O partido também defende a suspensão do recesso parlamentar e que o Congresso faça uma autoconvocação urgente para tratar da crise no Amazonas. “Temos de suspender o recesso. Socorrer o Amazonas, garantir vacinação e aprovar renda emergencial”, pediu Gleisi. “Intervenção com Bolsonaro e Pazuello é pesadelo! Temos de obrigar a garantia dos recursos”, afirmou em seu perfil de Twitter.

Venezuela oferece auxílio

O governo da Venezuela entrou na mobilização e anunciou a disponibilização de oxigênio para os hospitais do Estado. “Por instruções do presidente Nicolás Maduro, conversamos com o governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, para disponibilizar imediatamente o oxigênio necessário para atender o contingente de saúde em Manaus”, anunciou o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza. “Solidariedade latinoamericana acima de tudo”, afirmou.

Como era de se esperar, Bolsonaro não se pronunciou. “Bolsonaro ganhou a eleição atacando a Venezuela, país vizinho que sempre foi um importante parceiro econômico”, ressaltou Alexandre Padilha. “Agora, quem nos socorre, disponibilizando ajuda emergencial, em uma das maiores crises de saúde que já vivemos? Estados Unidos? Israel? Não! A própria Venezuela”, escreveu, pelo Twitter.

Mobilização pelo impeachment

A tragédia de Manaus e a comoção nacional pelas vidas perdidas levantou novamente uma questão urgente, cujo debate não é mais possível adiar: o impeachment de Bolsonaro. Cresce nas redes sociais pedidos para que o líder de extrema direita seja responsabilizado pela catástrofe da saúde pública, não apenas no Amazonas, mas no país. Nesta sexta-feira (15), às 20h30, haverá um panelaço para pressionar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a dar início ao processo. Já há mais de 60 pedidos para o afastamento imediato do presidente parados na Câmara dos Deputados.

“É preciso abrir o placar do impeachment com o nome de todos os deputados federais e começar a pressão dos eleitores sobre cada um deles, por todos os meios”, convocou o ex-ministro e ex-prefeito Fernando Haddad, pelas redes sociais. “Sem isso, o afastamento não vai acontecer”, advertiu.

“Não podemos assistir passivamente baianos e brasileiros morrendo diariamente diante da incapacidade do governo federal”, afirmou o governador da Bahia, Rui Costa. “Se eles não têm capacidade de fazer nada, melhor que peçam demissão ou renunciem. O povo brasileiro não merece ser maltratado e humilhado. Precisamos reagir”, destacou, pelo Twitter.

Da Redação, com informações de ‘UOL’

 

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