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Emprego feminino cresce 11%, com 8 milhões de mulheres no mercado

Mas mulheres ainda recebem, em média, 21,3% a menos do que os homens no desempenho das mesmas funções, mostra relatório salarial

O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta semana pelos Ministérios das Mulheres e do Trabalho e Emprego (MTE), revelou que as mulheres ainda recebem, em média, 21,3% a menos do que os homens no desempenho das mesmas funções. O levantamento revela um cenário de resistência e crescimento: apesar da persistente desigualdade salarial no setor privado, a participação feminina no mercado de trabalho deu um salto de 11% no último ano, passando de 7,2 milhões para 8 milhões — um acréscimo de 800 mil trabalhadoras.

Entre as mulheres negras (pretas e pardas), o crescimento foi ainda mais expressivo: 29%. O número saltou de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o que representa mais de um milhão de novas mulheres ocupadas. Além disso, houve um aumento no número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras no quadro de funcionários, chegando a 21.759 unidades — uma alta de 3,6% em relação a 2023. Esse movimento sinaliza que o Brasil começa, finalmente, a enfrentar o défice histórico de representação e renda que atinge a base da nossa pirâmide social.

O relatório também destaca o crescimento na contratação de mulheres indígenas, que passou de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025, e de mulheres vítimas de violência, cujo índice subiu de 5,5% para 10,5%. Os dados têm como base a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), solicitada anualmente pelo MTE às pessoas jurídicas para o cumprimento da legislação laboral.

Apesar do sucesso das políticas de inclusão no acesso ao emprego, o dado mais impactante do relatório reforça a necessidade de combater o racismo estrutural: a persistente disparidade salarial entre homens brancos e mulheres negras. Embora ocupem mais postos nas empresas, as mulheres negras ainda ganham menos da metade do que os homens não negros. A remuneração média delas é de R$ 3.026,66, enquanto a deles atinge R$ 6.560,02.

Outra informação relevante é o aumento da participação das mulheres na massa total de rendimentos, que subiu de 33,7% para 35,2%. No entanto, para alcançar uma participação equivalente à presença feminina no emprego (que é de 41,4%), seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos.

Conforme explica o MTE, “aumentar a massa em 10,6% teria impacto direto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre géneros. Contudo, isso representa um custo imediato para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças”.

Autonomia econômica contra a violência

Para a secretária nacional de mulheres do PT, Mazé Morais, a autonomia econômica é um pilar fundamental no enfrentamento à violência doméstica. Segundo Mazé, quanto mais as mulheres conquistarem independência financeira, mais rápido será o caminho para romper o vínculo com o agressor.

“A mão de obra feminina contribui diretamente para o desenvolvimento e fortalecimento da economia nacional. Se há mais mulheres com rendimento próprio, as famílias e o futuro do país ganham. Por isso, a lei 14.611/2023, sancionada pelo governo Lula, é tão necessária. Ela garante igualdade salarial, transparência e ações de inclusão, reafirmando o compromisso de que, para o Brasil avançar, nenhuma mulher pode ser deixada para trás”, defende a secretária.

Impactos da Lei de Igualdade Salarial

Com a vigência da Lei 14.611/2023, empresas com 100 ou mais empregados são obrigadas a adotar medidas como a transparência salarial, fiscalização contra a discriminação, canais de denúncia e programas de diversidade.

Os resultados já são visíveis entre 2023 e 2025:

  • Jornada flexível: subiu de 40,6% para 53,9%;
  • Auxílio-creche: cresceu de 22,9% para 38,4%;
  • Licenças-maternidade e paternidade estendidas: aumentaram de 20% para 29,9%;
  • Planos de cargos e salários: passaram de 55,5% para 66,8%;
  • Metas de produção: subiram de 63,8% para 75,7%.

Da Redação do Elas por Elas, com informações do MTE