O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira, 26, em Itajaí (SC), que o Brasil vive um momento histórico: o de comparar quem trouxe benefício concreto para o povo e quem ficou apenas no discurso vazio. Em visita às obras de embarcações de apoio marítimo offshore da Petrobras, no estaleiro Detroit Brasil, Lula defendeu que a população avalie a biografia das pessoas, as entregas e os investimentos feitos por cada governo.
O presidente disse que chega a hora em que quem governa precisa prestar contas do que fez e criticou a postura de adversários que, segundo ele, falam muito, mas não apresentam resultados.
“Um governo ele pode falar o que ele quiser antes das eleições, mas tem um momento na vida de quem governa que ele tem que dizer o que ele fez. O povo tem que decidir duas coisas: ou ele acredita naquilo que as pessoas falam sem nenhuma prova, ou ele vai procurar na biografia das pessoas para saber o que que aquela pessoa já fez”, afirmou.
A fala foi feita em uma agenda marcada pela retomada da indústria naval, pela defesa da Petrobras como instrumento de desenvolvimento nacional e pela cobrança de que Santa Catarina reconheça, independentemente do resultado eleitoral, os investimentos federais que chegam ao estado.
Comparar quem fez e quem “fala bobagem”
Lula afirmou que decidiu mudar o cenário do debate público para colocar as entregas no centro da avaliação política. Para ele, o momento exige que a população compare obras, empregos, universidades, moradias, crédito e políticas públicas, em vez de se deixar levar por discursos sem comprovação.
“Estamos chegando no momento histórico em que vocês têm que avaliar quem fez e o que fez. Qual é o momento da história que Santa Catarina recebeu mais recursos do governo federal? Pode comparar o Governo Lula e a Dilma com qualquer outro governo da história desse país. Pode pegar de Marechal Deodoro da Fonseca até o ‘coisa’ que governou e que está preso”, disse.
O presidente também defendeu que a comparação seja feita em áreas concretas da vida da população: emprego, educação, moradia, agricultura familiar e agronegócio. Foi nesse ponto que Lula criticou a política da provocação utilizada pelos adversários e a ausência de entregas.
“A gente não pode votar apenas pela quantidade de bobagem que os candidatos falam. Pensa que eu fico satisfeito de vir aqui e o governador [Jorginho Mello/PL] nunca teve coragem de comparecer em nenhum evento com o governo federal? (…) Ele tem que mostrar para vocês por que o presidente dele [Jair Bolsonaro] não fez um décimo do que nós fazemos nesse estado”, afirmou.
Compromisso de Lula com Santa Catarina
Lula lembrou que perdeu a eleição em Santa Catarina, mas ressaltou que governar o Brasil exige grandeza. Segundo ele, um presidente não pode escolher onde investir com base no mapa eleitoral. O compromisso, afirmou, é com o país inteiro.
“Eu perdi as eleições aqui, mas quem governa um país não pode pensar pequeno. Nós investimos já R$ 3,2 bilhões em rodovia nesse estado. O [governador de Santa Catarina] simplesmente não participou [do acordo] para não fazer parceria com o governo federal (…) Eu não jogo rasteiro. Eu vim aqui porque esse é um estado brasileiro de gente trabalhadora e a gente não pode ficar magoado com o resultado de uma eleição.”
“A coisa mais feia que vi na vida foi a fome”
Durante o discurso, o presidente criticou o racismo o preconceito contra nordestinos, indígenas, quilombolas e trabalhadores historicamente excluídos.
“Sou nordestino, mas duvido que algum governador catarinense fez por Santa Catarina o que eu fiz como presidente. Eu aprendi desde pequeno a não ter medo de cara feia, porque a coisa mais feia que eu vi na minha vida foi a fome. Eu a venci”, disse Lula.
O presidente encerrou com uma defesa dos direitos das mulheres e pediu a colaboração dos homens no enfrentamento ao feminicídio. Para Lula, a luta contra a violência passa também por mudar a cultura machista dentro de casa.
No estaleiro, Lula acompanhou as obras de embarcações de apoio offshore da Petrobras que integram o Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras. Em Santa Catarina, são 16 embarcações em construção nos estaleiros Detroit, em Itajaí, e Navship, em Navegantes, com mais de 2 mil profissionais mobilizados diretamente. A agenda simboliza a retomada da indústria naval brasileira, com geração de empregos, fortalecimento da cadeia produtiva nacional e apoio logístico às operações da Petrobras.
