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‘Não somos indecisas’ | Mulheres bissexuais do PT reafirmam seus posicionamentos no Fórum Elas Por Elas LBT

Quatro mulheres negras, jovens, bissexuais e petistas eleitas em espaços de poder debatem sobre os desafios para enfrentar a bifobia

Ana Clara, Elas Por Elas

A segunda transmissão do Fórum LBT Elas Por Elas contou com a participação de quatro vereadoras e uma dirigente nacional da juventude do PT, na última sexta-feira, 26. Conversamos com as parlamentares Brisa Bracchi, de Natal-RN; Thainara Faria, de Araraquara-SP; Bia Caminha, de Belém-PA; Estela Balardin, de Caxias do Sul-RS; e a dirigente nacional da juventude do PT, Nádia Garcia.

 Dentre as participantes, foram quatro mulheres negras, jovens e bissexuais que deram o tom do debate de reafirmar a importância da interseccionalidade das pautas e os desafios encontrados dentro e fora do partido para as demandas da diversidade:

Vereadora Thainara Faria, Araraquara-SP

 “As pessoas têm medo da nossa liberdade sexual e afetiva. E quando as pessoas tem medo do que elas não conhecem, elas passam a falar que nós, bissexuais, somos ‘indecisas’. Isso é muito ruim, porque só é aceito aquele tipo de pessoa que se interessa por um gênero. Somos livres para amar quem a gente quiser”, abriu Thainara Faria, vereadora de Araraquara.

Nádia Garcia, coordenadora nacional LGBT e de Combate ao Racismo da JPT, também discorreu sobre a bifobia — ofensa direcionada às pessoas bissexuais — e reforçou como ela afeta ainda mais pesadamente as mulheres negras.

“Dizem que estamos em dúvida ou somos promíscuas ou estamos numa ‘fase’. Toda mulher bi já ouviu algum comentário maldoso “vamos ficar eu, você e sua amiga”, como se a nossa sexualidade fosse instrumento de prazer para outra pessoa. E quando se é preta nesse espaço é ainda mais cruel. As mulheres, mesmo no movimento LGBT, também sofrem racismo”, denuncia.

Direto de Belém do Pará, a vereadora Bia Caminha acrescentou a esse cenário os fatores de ser jovem e negra em uma estrutura institucional feita para homens, heterossexuais, brancos e ricos. Ela compartilhou a experiência de ser barrada todos os dias nos espaços destinados aos parlamentares, porque não a reconheciam enquanto vereadora.

Vereadora Bia Caminha, de Belém do Pará

“Foram essas pessoas [homens, brancos, ricos] que construíram esse espaço de poder. Era inevitável que nosso país recebesse [nos espaços de poder] mulheres negras, jovens e bissexuais com violência. Eu denuncio todas as violências, mas não sou definidas por elas”

As mulheres que carregam essas marcas estruturais e preconceitos são silenciadas e invisibilizadas pela sociedade, portanto ocupar espaços de poder, decisão e representatividade faz parte do eixo que estrutura todo o projeto Elas Por Elas — que acredita no poder coletivo das mulheres para transformar o mundo.   

“Hoje, eu estou aqui com outras mulheres negras, bissexuais, jovens, que estão ousando falar sobre nossos corpos e nossas formas de amar. Isso é tão grande de tão significado pra mim. “, reforçou Estela Balardin, vereadora de Caxias do Sul-RS.

Se os desafios externos são grandes, internamente o debate continua. O Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras reflete as contradições e o contexto do tempo que vive e por isso investe de forma estratégica em todas as formas de combater o preconceito.

“Dentro do PT, a gente encontra os mesmos desafios que temos na sociedade, que é fazer esse processo de desconstrução. O Setorial LGBT vem consolidando um papel muito importante para o todo do partido entender que é uma pauta central, que não fica à margem dos outros debates”, afirmou Brisa Bracchi, vereadora de Natal-RN. 

O Fórum Elas Por Elas LBT  é uma iniciativa da Secretaria Nacional de Mulheres do PT e da Secretaria Nacional LGBT do PT, o objetivo é a troca de experiências e vivências das mulheres LBT nesse cenário conservador, fascista e neoliberal.

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