O ‘Pibinho’ de Guedes vem aí: analistas veem crescimento menor do país

ONU projeta PIB brasileiro abaixo da média da América do Sul em 2022. Medidas eleitoreiras geraram “conta” bilionária para 2023. Lula defende credibilidade, previsibilidade e estabilidade para economia

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Juros e endividamento podem atrapalhar crescimento do PIB, aponta analista

Os bilhões de reais despejados aleatoriamente na economia pelo desgoverno Bolsonaro nestas últimas semanas, se em um primeiro momento geraram indicadores positivos, por outro lado criaram ainda mais incertezas sobre o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos meses. Enquanto Jair Bolsonaro insiste em falar de “números fantásticos” da economia, analistas do mercado financeiro apontam em outra direção, tanto para o crescimento neste ano quanto no próximo.

Em junho, por exemplo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimava que o desempenho do Brasil neste ano deveria ficar atrás dos vizinhos latino-americanos México, Argentina e Colômbia, e bem abaixo da média global. A OCDE baixou a projeção de crescimento do PIB brasileiro de 1,4% para 0,6% em 2022. Para 2023, a previsão caiu de 2,1% para 1,2%.

Já a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (29), prevê crescimento de 2,10% do PIB neste ano, desacelerando a 0,37% em 2023. Mas enquanto a previsão para 2022 melhorou em 0,08 ponto percentual, para o próximo piorou em 0,02 ponto.

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O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) divulgado no último dia 17 pela Instituição Fiscal Independente (IFI) também estima que o PIB brasileiro pode crescer 2% este ano. A previsão para 2023, no entanto, também é de desaceleração econômica e crescimento de apenas 0,6%.

Outro relatório, divulgado na última terça-feira (23) pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU), projeta que a atividade econômica no Brasil deve crescer abaixo da média da América do Sul neste ano. Para o continente, a expectativa é de expansão de 2,6%, enquanto a previsão de alta no Brasil é de 1,6%.

Bomba fiscal

“A gente tem uma situação fiscal seríssima para o ano que vem. Tem uma bomba fiscal armada”, disse o economista da LCA Consultores Chico Pessoa à Folha de São Paulo. “A taxa de juros muito alta, combinada a um endividamento das famílias, é um grande entrave para o PIB de 2023”, projeta ele.

Pessoa explica que o pacote de medidas tributárias e a liberação de benefícios sociais, turbinados artificialmente com a aprovação de uma emenda constitucional às vésperas da corrida eleitoral, geraram um desvio inesperado das previsões para a atividade econômica brasileira em 2022.

Delírios de Paulo Guedes já não convencem o mercado

Para a professora de economia do Insper Juliana Inhasz, esse descolamento entre as projeções do governo e as do mercado é uma forma de o ministro-banqueiro Paulo Guedes tentar transmitir confiança em período eleitoral. “O governo diz que está tudo bem porque naturalmente precisa passar essa ideia de que está sendo efetivo, até para segurar um pouco o balanceamento de riscos. Mas não tem dado muito certo”, avalia.

Pesquisador-associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), Bráulio Borges diz que as revisões para cima do PIB este ano são motivadas por fatores como as chuvas na média histórica, termos de troca das commodities e medidas fiscais e parafiscais expansionistas. Mas se darão “às custas” de 2023 e 2024.

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Segundo ele, alimentado pelo ciclo político-eleitoral federal, esse expansionismo fiscal e parafiscal “tem sido implementado de forma bastante açodada, atropelando regras/instituições eleitorais e fiscais, bem como o pacto federativo, além de se amparar em um diagnóstico bastante questionável (de que teria havido uma elevação estrutural da arrecadação tributária da União e dos governos regionais)”.

“Com efeito, as incertezas quanto ao futuro da economia brasileira passadas as eleições vêm se elevando consideravelmente, na medida em que parece ser cada vez mais provável que a estratégia de consolidação fiscal de curto e médio prazo brasileira tenha que ser totalmente reavaliada e redesenhada já no começo do ano que vem”, aponta o também economista-sênior da área de Macroeconomia da LCA no Blog do Ibre.

“É nesse contexto que boa parte do mercado avalia que a surpresa favorável de crescimento do PIB em 2022 constitui uma espécie de ‘voo de galinha’, uma vez que quase toda a melhora nas expectativas para a atividade agregada neste ano está sendo ‘compensada’ com uma deterioração das projeções para 2023 e para 2024”, prossegue.

Borges finaliza o artigo afirmando que as perspectivas para o PIB brasileiro para os próximos anos se deterioraram de forma bastante significativa desde o final de 2021, “passando a prever, pela primeira vez em muito tempo, uma virtual ausência de convergência em relação às economias mais avançadas”.

Sem qualquer proposta concreta para a economia, o desgoverno Bolsonaro comete uma espécie de estelionato eleitoral com recursos públicos numa tentativa desesperada de “virar o jogo” nas pesquisas eleitorais, em que se tornou uma espécie de “vice” crônico. Para o líder inconteste desde o início das sondagens, o Brasil precisa de credibilidade, previsibilidade e estabilidade para que a economia volte a crescer.

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“Credibilidade é para garantir que, quando você fala, as pessoas acreditam. Previsibilidade é porque ninguém pode ser pego de surpresa com mudança do governo. E a estabilidade é para que os empresários do Brasil e os estrangeiros saibam que podem fazer investimento aqui dentro”, explicou Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao Jornal Nacional, na última quinta-feira (25).

Da Redação, com informações de Agência Senado e FGV/Ibre

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