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‘Anatomia do Caos’ mostra negligência, má gestão e descaso de Bolsonaro na pandemia

Documentário propõe reflexão sobre memória e justiça diante das mais de 700 mil vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil

Entre relatos, imagens inéditas e bastidores do Senado, o documentário busca impedir que a maior tragédia sanitária do país seja esquecida.Foto: Divulgação

O dia 26 de fevereiro de 2020 ficará marcado na vida do povo brasileiro. Foi nessa data que foi confirmado o primeiro caso de coronavírus, na cidade de São Paulo. A partir dali, seguiram-se anos marcados pelo descaso e pela má gestão do governo de Jair Bolsonaro no enfrentamento da Covid-19, escrevendo uma história de negligência, corrupção, negacionismo científico, zombaria com as vítimas e as milhares de mortes.

À época, diante desse cenário estarrecedor, foi instaurada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 para investigar as ações e omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia. A comissão foi instalada em 27 de abril de 2021 e se estendeu até 26 de outubro do mesmo ano, quando o relatório final foi votado e apresentado.

Utilizando como pano de fundo esse triste e trágico fato, a cineasta Dandara Ferreira produziu o documentário “Anatomia do Caos”, que estreia nos cinemas no dia 2 de julho. O longa-metragem retrata a atuação da gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

De acordo com a diretora, o título resume o cenário vivido pelo país naquele período. Para ela, o documentário registra “um cenário caótico, conduzido por um governo negacionista, que operou contra a ciência”.

“O título convida o espectador a refletir sobre responsabilidade política, institucional e coletiva”, afirmou.

CPI da COVID

Dandara teve livre acesso aos bastidores da comissão no Senado Federal e entrevistou parlamentares da esquerda e da extrema direita. O documentário debate a relação entre memória e justiça, para que o povo brasileiro não se esqueça daqueles dias que ceifaram mais de 700 mil vidas.

“Eu queria já fazer algo sobre a pandemia e, quando começou a CPI, senti que havia algo importante ali para ser documentado. Não sabia exatamente o quê, porque a história estava acontecendo. Com o passar do tempo, percebi que ela seria um importante condutor narrativo”, conta.

A produção expõe a inépcia do governo anterior ao negar recomendações de organismos internacionais de saúde e demonstra o desastre da gestão diante de uma emergência sanitária sem precedentes. O documentário apresenta cenas inéditas dos corredores do Senado Federal.

“Meu interesse era justamente investigar a relação entre decisões políticas e suas consequências humanas. A CPI funciona como uma lente para olhar para as ausências, para as vidas interrompidas e para as perguntas que ficaram sem resposta”, comenta a cineasta.

Segundo Dandara, a principal mensagem do filme é que democracia também é memória e que esquecer uma tragédia não significa superá-la.

“O cinema não substitui as instituições, mas ajuda uma sociedade a refletir sobre sua própria história”, expressa.

Anatomia do Caos chega às telas acompanhado de uma série de estreias e debates que contarão com a presença da própria cineasta. As exibições estão confirmadas em oito capitais — São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Recife, Curitiba, Salvador, Brasília e Fortaleza — levando ao grande público o debate sobre o legado da pandemia e as demandas por reparação histórica.

“Vivemos um tempo em que a velocidade das notícias produz esquecimento. A pandemia deixou marcas profundas, mas muitas vezes temos a sensação de que o país nunca parou para elaborar coletivamente o que aconteceu”, conclui.

No dia 30 de junho, às 19h, o documentário será exibido no Cine Brasília, na capital federal.

A pandemia que o Brasil não esquece