Beneficiários do “De Braços Abertos” conseguem emprego

Programa da prefeitura paulistana que atende a 400 pessoas que usavam crack leva 16 delas ao mercado de trabalho

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Secretária de Assistência Social, Luciana Temer, e prefeito Fernando Haddad cumprimentam pessoas que deixaram as drogas e agora conseguem um trabalho formal

Dezesseis participantes do programa De Braços Abertos, da prefeitura de São Paulo, foram contratados por uma empresa de limpeza, nesta terça-feira (5). Eles vão prestar serviços em equipamentos públicos municipais e receberão R$ 820 por mês, além de benefícios como cesta básica, vale-alimentação e transporte. O grupo foi selecionado pelos psiquiatras do programa, a partir de uma lista elaborada pelos assistentes sociais que acompanham os beneficiários diariamente.

“Todos se declararam aptos e estão assumindo uma relação trabalhista, que vai além das 4 horas estabelecidas pelo programa”, explicou a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Luciana Temer. Segundo ela, todos os participantes apontam o trabalho como um fator importante no tratamento.

Para a psicóloga Luciene de Fátima Silva, os participantes não têm impedimento algum que os impossibilitem de trabalhar. Pelo contrário, para ela, o trabalho propicia ao indivíduo o sentimento de pertencimento e utilidade na sociedade.

“O trabalho favorece o inter-relacionamento com o outro, que o afasta do isolamento social, sendo esta uma das causas que afetam a autoestima e que podem aumentar à procura pela droga”, explicou a especialista. Na avaliação da psicóloga, o programa De Braços Abertos faz isso ao dar credibilidade a essas pessoas, muitas vezes ignoradas pela sociedade.

 

Mitos sobre a droga – A psicóloga cita ainda o trabalho do neurocientista americano Carl Hart, da Universidade de Columbia, Estados Unidos. Baseado em 24 anos de pesquisas, Carl quebrou mitos ao declarar que as drogas não viciam na proporção que se imagina e não prejudicam o desempenho de uma pessoa, nem causam danos cerebrais irreversíveis. Em sua tese, ele defende que o consumo das substâncias está relacionado à falta de oportunidades, como o emprego, que muitas vezes os indivíduos possuem dentro das sociedades.

Os estudos de Carl estão intrinsicamente relacionados ao seu passado. Na juventude, o neurocientista consumia e traficava drogas, chegando a cometer pequenos crimes e a andar armado. Suas memórias desse tempo, como se tornou o primeiro professor negro de Columbia – a despeito das desigualdades e falta de oportunidades – e sua divulgação científica são relatadas em seu livro “Um Preço Muito Alto”.

 

Conquistas do Programa – O Programa De Braços Abertos contabiliza mais de 400 participantes e desde janeiro já realizou mais de 28 mil atendimentos. Os cadastrados ficam abrigados em hotéis da região e recebem alimentação, assistência de saúde e psicológica, além de R$ 15 por dia de trabalho comunitário. Dados da prefeitura apontam que houve uma redução no consumo de crack entre os beneficiários, em média, de 50% a 70%.

Luciana Temer credita o sucesso do programa à mudança de paradigma adotado pela prefeitura, no enfrentamento da questão do uso do crack. “Abandonando o princípio da repressão e internação por acolhimento, trabalho, assistência social e de saúde, ajudamos o dependente no processo de reintegração social”, explicou. “O poder público oferece condições básicas para que eles consigam fazer o esforço de transformar a própria história”, completou.

 

Por Camila Denes, da Agência PT de Notícias

 

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