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‘Enquanto eu for presidente, as pessoas vão receber aumento acima da inflação’, diz Lula

Presidente garante que valorização do salário mínimo "não causa inflação, causa poder de compra e melhoria da vida do povo trabalhador"

Lula afirmou que faz ajuste fiscal na prática, que nunca agiu com irresponsabilidade fiscal e que a Faria Lima não conhece as palavras social e inclusão.Foto: Reprodução

O compromisso de garantir aumentos do salário mínimo acima da inflação e ampliar o poder de compra dos brasileiros foi reforçado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao SBT, nesta quinta-feira, 10. Lula destacou que a valorização dos salários permite aos trabalhadores participar dos resultados do crescimento econômico e afirmou que a redução da inflação dos alimentos precisa se traduzir em mais melhorias no cotidiano das famílias.

“Eu já provei durante oito anos e agora mais três que aumentar o salário mínimo não causa inflação neste país, causa poder de compra e melhoria da vida do povo trabalhador”, afirmou.

Segundo o presidente, os ganhos da economia devem chegar a quem contribui para produzir a riqueza do país. Lula também ressaltou que os aposentados precisam participar desse avanço, depois de uma vida de trabalho.

“O crescimento do PIB não pode ser para o rico de sempre. O crescimento do PIB é o resultado da produção deste país, e quem produz é o trabalhador”, explicou.

Ao abordar a continuidade da política de valorização do salário mínimo, o presidente foi direto: “Enquanto eu for presidente, as pessoas vão receber aumento acima da inflação”.

Inflação e alimentos

Ao comentar sobre o custo de vida, Lula disse que houve um aumento expressivo dos preços no governo Bolsonaro, sobretudo de alimentos, e que por isso, infelizmente, a população ainda sente no bolso o impacto inflacionário da gestão passada.

Na comparação apresentada durante a entrevista, Lula afirmou que a inflação acumulada dos alimentos foi de 56% no governo Bolsonaro, enquanto em seu governo ficou em 13%. Segundo ele, o ritmo menor de alta ainda não foi suficiente para compensar o encarecimento da comida. “Isso não conseguiu baixar o preço de tudo”, reconheceu Lula.

Como exemplo da recuperação do poder de compra, o presidente disse que o salário mínimo passou de um valor equivalente a 1,8 cesta básica para 2,1 cestas. Ressaltou, porém, que pretende avançar mais, com geração de empregos e aumento da renda.

“A nossa briga é continuar crescendo para a gente gerar emprego, gerar crescimento na renda e gerar mais poder de compra”.

Ajuste fiscal

Ao comentar as cobranças por ajuste fiscal, Lula criticou a postura de setores do mercado financeiro e afirmou que o equilíbrio das contas públicas precisa caminhar junto com os investimentos sociais. Para o presidente, recursos destinados ao pagamento de juros poderiam ser aplicados, por exemplo, na educação.

“A Faria Lima só chora. A Faria Lima não conhece a palavra ‘social’. A Faria Lima não conhece a palavra ‘inclusão’. A única inclusão que ela conhece é a taxa de juros para receber dinheiro que eu poderia estar gastando na educação”, declarou.

Lula afirmou que responsabilidade fiscal deve ser demonstrada por resultados. O presidente citou os superavits primários de seus dois primeiros mandatos e contrapôs a situação fiscal recebida em 2023 ao orçamento que, segundo ele, está entregando.

“Ajuste fiscal eu faço na prática. São oito anos mais quatro anos agora, 12 anos de responsabilidade fiscal”, destacou.

Na entrevista, Lula afirmou que encontrou um deficit de 2,8% e que está entregando um orçamento com superavit de 0,1%. Também mencionou a necessidade de aprovar a PEC da Transição para financiar programas sociais no início do mandato e o pagamento de R$ 94 bilhões em precatórios que, segundo ele, haviam sido deixados pelo governo anterior.

“Ninguém neste país tem autoridade para falar de responsabilidade fiscal comigo. Ninguém. E eu não aprendi na universidade, eu aprendi com a Dona Lindu: a gente só gasta aquilo que a gente tem”.

Para o presidente, o equilíbrio das contas deve caminhar com investimentos capazes de ampliar o patrimônio e a capacidade produtiva do país. Nesse contexto, Lula criticou a prioridade dada pelo mercado financeiro aos juros e ressaltou o papel da educação no desenvolvimento econômico.

“Investir em educação é investir no aumento do patrimônio, na qualificação da mão de obra, na exportação de conhecimento e não de soja e de commodity. Esse é o meu pensamento e vou fazer”, disse.