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Flávio Bolsonaro adota silêncio e esconde contas do filme ‘Dark Horse’

Senador prometeu auditoria para comprovar a "lisura" dos gastos, mas documento não foi divulgado após o vencimento do prazo

Passados 22 dias do encerramento do prazo solicitado por Flávio Bolsonaro (PT-RJ) para apresentar a prestação de contas do filme Dark Horse, nem o senador, nem a produtora Go Up Entertainment trouxeram qualquer informação a público. As informações são do jornal O Globo.

A cobrança por respostas não é em vão. O financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro está no centro do escândalo do BolsoMaster após o jornal The Intercept Brasil revelar que Flávio negociou US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) diretamente com Daniel Vorcaro.

O filho 01 de Jair havia anunciado uma auditoria “rigorosa” de 30 dias à produtora para comprovar a “lisura” dos gastos. No entanto, o prazo estourou em meados de junho e a prestação de contas, até agora, virou fumaça.

A pressa em esconder os números do filme ganha contornos ainda mais graves quando cruzada com outras investigações em curso. Recentemente, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação para apurar o desvio de verbas públicas em contratos de internet da prefeitura paulistana comandados por uma ONG cuja proprietária também é sócia da produtora do Dark Horse. A suspeita é de que o dinheiro público tenha abastecido clandestinamente o filme de Bolsonaro.

Enquanto a PGR e o STF analisam pedidos de investigação sobre os escândalos envolvendo o Dark Horse, o clã Bolsonaro tenta abafar o caso, apostando no esquecimento.

Entenda o ‘BolsoMaster’

O esquema começou a vir à tona após a revelação de que Flávio Bolsonaro negociou pessoalmente um aporte de US$ 24 milhões com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master preso desde março, para dar vida à cinebiografia de seu pai.

A engenharia do dinheiro de Vorcaro envolvia três núcleos principais: o político, comandado por Flávio e pelo deputado Mario Frias; o financeiro, ancorado no Master; e o empresarial, que tem como figura central Karina Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment. O mapa dessa rede aponta para indícios contundentes de lavagem de dinheiro e o uso da estrutura empresarial para blindar os verdadeiros financiadores.

Também há suspeita de desvio de verba pública. O Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida também por Karina, foi alvo em junho de uma operação que investiga fraudes em contratos de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo, o que fortalece a hipótese de que recursos públicos adiantados sem a contraprestação de serviços possam ter sido triangulados para inflar os cofres do filme bolsonarista.

Diante da gravidade dos fatos, o PT enviou ainda em junho à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedidos de apuração sobre as atividades de Flávio Bolsonaro, de seus aliados e das empresas envolvidas, sustentando que a produção configura crime de lavagem de dinheiro, caixa 2 eleitoral e propaganda antecipada ilegal.