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Gleisi diz que EUA usam interesses eleitorais para punir o Brasil

Deputada critica tarifaço e destaca ações do Governo Lula para proteger empregos: "Não vamos abrir mão da nossa soberania”

Gleisi: “Liderados por Flávio Bolsonaro, os traidores da pátria pediram que os Estados Unidos atacassem a soberania do Brasil para beneficiar os interesses eleitorais da família Bolsonaro"Foto: Divulgação

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) afirmou nesta quinta-feira, 16, que a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros é um ataque direto à soberania nacional arquitetado para atender a interesses eleitorais e partidários.

Gleisi responsabilizou Flávio e Eduardo Bolsonaro pela pressão exercida em Washington contra o próprio país. Ela destacou que, desde o ano passado, os filhos de Jair Bolsonaro atuam ativamente nos bastidores para que os EUA implementassem sanções contra o Brasil, subordinando empresas, empregos e o desenvolvimento do país ao projeto político de sua família.

“Liderados por Flávio Bolsonaro, os traidores da pátria pediram que os Estados Unidos atacassem a soberania do Brasil para beneficiar os interesses eleitorais da família Bolsonaro. E Trump aceitou. Não vamos abrir mão da nossa soberania”, declarou a deputada.

O Pix e as riquezas nacionais como moeda de troca

Segundo a parlamentar, a oposição usou temas estratégicos do desenvolvimento brasileiro como barganha política internacional. Ela lembrou que Flávio Bolsonaro chegou a oferecer o Pix e o acesso facilitado a terras raras brasileiras aos Estados Unidos.

“Eles usaram o futuro das famílias brasileiras e a nossa soberania como moeda de troca para tentar salvar um projeto de poder”, criticou Gleisi, contestando também a ausência de fundamentos técnicos e econômicos para o tarifaço.

A deputada lembrou que, historicamente, a relação comercial é amplamente favorável aos norte-americanos. Dados do governo federal apontam que as vendas dos EUA para o mercado brasileiro superaram as importações de produtos nacionais em mais de US$ 400 bilhões nos últimos 16 anos.

“Nós temos uma balança comercial deficitária com os americanos. Isso deixa explícita a falta de argumentos técnicos para subsidiar a decisão do tarifaço. É uma medida puramente política”, afirmou.

O impacto real na ponta

Embora o ataque mire a soberania de todo o país, o impacto prático dessa articulação política será sentido diretamente pelos trabalhadores na ponta. Gleisi exemplificou esse cenário com os dados do Paraná, seu estado, onde o mercado norte-americano compra, em média, US$ 1,5 bilhão por ano, movimentando cerca de 700 empresas locais.

O setor de madeira (molduras, compensados, madeira serrada, pisos, portas e móveis) concentra 40% das exportações paranaenses aos EUA. Trata-se de uma cadeia que gera 38 mil empregos diretos e está presente em 266 municípios do estado, principalmente nas regiões dos Campos Gerais, Norte Pioneiro e Centro-Sul.

“A decisão anunciada em Washington pode atingir parte da economia do país e muito da economia do nosso estado. É o emprego do trabalhador paranaense sendo ameaçado por pura sabotagem política”, alertou.

Governo Lula age para proteger o emprego e a indústria

O governo do presidente Lula tem agido para proteger as empresas e os trabalhadores afetados.

Gleisi destacou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lidera esforços diplomáticos para incluir a madeira serrada e o mobiliário nacional na lista de exceções da sobretaxa, considerando que são produtos com maior dificuldade de redirecionamento imediato de mercado.

Paralelamente à diplomacia, o governo já estruturou uma rede de proteção interna por meio do Plano Brasil Soberano, que disponibiliza R$ 45 bilhões em linhas de financiamento geridas pelo BNDES, além de incentivos tributários e medidas de preservação de postos de trabalho.

“O governo do presidente Lula continua negociando de cabeça erguida com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que amplia parcerias com novos países compradores para abrir mercados. Não aceitaremos chantagens e vamos proteger nossa indústria e o nosso povo”, finalizou Gleisi.