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Gleisi Hoffmann: Por que o Brasil não cresce

A presidenta nacional do PT prevê aumento da tragédia econômica diante da incompetência de Jair Bolsonaro. “Sem renda popular não há, nem haverá crescimento”

Presidenta Nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O mercado financeiro, com apoio da grande imprensa, já refaz a expectativa de retomada do crescimento do país, adiando, mais uma vez, agora para 2020. Fazem isso desde 2016, com o golpe, quando diziam que era “só tirar a Dilma”, que tudo se resolveria.

Não conseguem entender porque o país patina. Afinal, tiraram a Dilma, prenderam o Lula e deram vitória a Bolsonaro. Quase quatro anos se passaram e nada! A coisa continua ruim com perspectiva de piorar.

Com análises complexas e teses rebuscadas tentam vender que faltam poucas reformas para a coisa acontecer. A reforma da vez é a da previdência. Solução para todos os males. Mas vamos lembrar o que já fizeram antes com a mesma promessa. E nada!

Fizeram a Reforma Trabalhista, tirando direitos e precarizando empregos, diminuindo salários e a renda da maioria do povo. Aprovaram a PEC-95, que congelou por 20 anos os recursos para a Educação, Assistência e Saúde, liberando dinheiro para pagamento da dívida pública. O resultado está sendo o desmonte da educação pública e a piora constante na Saúde, inclusive com o fim do programa Mais Médicos, expurgando os médicos cubanos. Entregaram a Petrobras aos americanos, desregulamentando o Pré Sal, asfixiando a indústria nacional de petróleo e gás e desempregando milhares de pessoas. Isso para só ficar em três grandes exemplos.

A Reforma da Previdência vai retirar direitos e renda dos que mais precisam de proteção e vai jogar, com o sistema de capitalização, bilhões de reais de recursos públicos para os bancos administrarem, concentrando ainda mais a renda. Não tem resultado bom nisso.

A economia é um tema difícil, mas não complexo ao ponto que impeça as pessoas de ver a realidade que está por trás da estagnação do país. Quanto mais reformas liberais forem feitas, mais ela vai definhar.

Sem investimento público e privado, com o setor da construção destruído pela Lava Jato, sem programas sociais para aliviar a baixa renda do povo, de onde viria crescimento? Ao priorizar pagar juros altos para a dívida pública, tirando dinheiro de outras áreas, o Estado brasileiro diminui a renda em circulação na economia real, aquela que é inerente à vida das pessoas, concentrando dinheiro no sistema financeiro.

Sem dinheiro não há consumo, sem consumo não há produção e serviços, sem isso o investimento para, os empregos minguam e vai adiante o círculo vicioso da recessão e estagnação. Ainda tem de somar a essa tragédia a política externa implementada por Bolsonaro que ameaça fazer nosso comércio exterior regredir.

Erros crassos na política externa do governo ameaçam agravar a nossa crise econômica. Em menos de 90 dias de gestão, Bolsonaro criou problemas com a China, nosso maior parceiro comercial, gerando riscos para nossos produtores rurais e de minério de ferro, entre outros. Afrontou os países árabes, grandes consumidores de carnes brasileiras, ao tomar partido pró-Israel na disputa de sete décadas entre israelenses e árabes sobre Jerusalém. Em visita aos EUA, o deslumbrado Bolsonaro se comprometeu a comprar trigo americano em detrimento dos produtores nacionais e também da Argentina, nosso segundo parceiro comercial e grande vendedor de trigo para o Brasil

Ou seja, para agradar ao governo americano, compramos uma briga sem motivo com os chineses, com os árabes e com os argentinos, colocando em risco mercados que o Brasil conquistou com muito esforço.

Poderia mencionar outros exemplos. A postura do governo brasileiro pode prejudicar nosso comércio com a Europa e com outras regiões. Se o Brasil precisa ver crescer sua economia e gerar empregos e renda no Brasil, a nossa política, até agora segue o caminho inverso.

Não precisa ser economista ou tampouco iluminado para ver o óbvio. Sem renda popular não há, nem haverá crescimento. Sem que nosso comércio, interno e externo floresça, não vamos gerar empregos e renda no país. As políticas do governo brasileiro, de prosseguir no arrocho monetário de Michel Temer e as barbaridades na política externa não vão permitir uma retomada econômica. Infelizmente, teremos que conviver mais tempo com esse pibinho do mercado pró Bolsonaro.

Gleisi Hoffmann é deputada federal (PT-PR) e presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores