O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, aparece cada vez mais enrolado no escândalo do Banco Master. O escritório de advocacia do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro emitiu duas notas fiscais, no valor de R$ 500 mil cada, para uma empresa que recebeu repasses da instituição financeira do banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde março. As notas foram canceladas posteriormente.
Flávio Bolsonaro já havia sido exposto pelo Intercept Brasil negociando com Vorcaro R$ 134 milhões para financiar um filme sobre a vida de seu pai. Documentos e mensagens indicam que aproximadamente R$ 61 milhões foram transferidos para um fundo sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. Nesta quinta-feira, 23, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito da PF para investigar a origem e o destino desses recursos.
De acordo com as apurações mais recentes, as duas notas fiscais de R$ 500 mil foram emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen Assessoria e Consultoria, então dirigida por Artur Martins de Figueiredo. Ele também estava ligado à Trustee DTVM, administradora de fundos investigada pela Polícia Federal por suspeita de movimentar e ocultar patrimônio relacionado ao grupo do banqueiro Daniel Vorcaro. Figueiredo, por sua vez, é investigado por supostamente utilizar fundos e manobras contábeis para movimentar e ocultar recursos. As notas foram canceladas posteriormente.
A Trustee nega irregularidades e afirma que Figueiredo apenas representava o fundo acionista da Copenhagen, sem participar das negociações comerciais da empresa.
A Copenhagen Assessoria e Consultoria recebeu quase R$ 58 milhões do Master entre 2024 e 2025, apontam documentos da Receita Federal aos quais a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado teve acesso.
O escritório de Flávio também emitiu uma nota fiscal em 9 de abril de 2025, apenas dois dias depois, para uma outra empresa, a Contábil Correa, por um serviço descrito na nota fiscal como “assessoria jurídica”. Registros da Junta Comercial de São Paulo revelam que a Contábil Corrêa pertence a Rogério Novo, que se tornou diretor da Copenhagen cinco meses depois, em setembro de 2025. Novo substituiu Artur Figueiredo no cargo.
Na quarta-feira, 22, Flávio negou ter recebido dinheiro da Copenhaguen. “Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais”, alegou o senador, em vídeo publicado nas redes sociais.
Polícia Federal é acionada pelo PT
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou, nesta quinta-feira, 23, uma notícia de fato na PF para apurar a relação do pré-candidato do PL com as empresas de fachada de Vorcaro. “Flávio tem muito que explicar sobre essas notas que ele emitiu e os R$ 500 mil que ele recebeu por supostos serviços prestados. Que serviços são esses, Flávio?”, cobrou o parlamentar.
“O que a gente quer é que o Flávio Bolsonaro mostre os serviços prestados. Porque está muito claro aqui: olha, pessoal, tem uma figura chamada Rogério Lourenço Novo. É o contador das duas empresas. Ele é que está à frente das duas, tanto da Copenhaguen quanto da Contábil Corrêa. E as duas empresas ficam no mesmo lugar: São Caetano do Sul”, afirmou Lindbergh.
URGENTE! Acabo de entrar com Notícia de Fato na Polícia Federal para que abra investigação sobre a relação de Flávio Bolsonaro com as empresas de fachada de Daniel Vorcaro. Flávio tem muito que explicar sobre essas notas que ele emitiu e os R$ 500 mil que ele recebeu por supostos… pic.twitter.com/S7wahFXiUv
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) July 23, 2026
“Aí tem coisa, hein”
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), falou em “relação promíscua” entre Flávio e Vorcaro. Uczai voltou a defender a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. “Duas notas fiscais que somam R$ 1 milhão foram emitidas para a Copenhagen Consultoria, empresa que recebeu aportes milionários de Vorcaro, e posteriormente canceladas. Aí tem coisa, hein”, expôs.
URGENTE! A cada dia uma nova descoberta na relação entre Flávio Bolsonaro e seu "irmão" Daniel Vorcaro.
Uma matéria do portal Metrópoles, mostra que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para empresas ligadas ao empresário Daniel…— Pedro Uczai (@uczai) July 22, 2026
Outro membro da bancada do PT na Câmara que se manifestou nas redes foi o deputado federal Rogério Correia (PT-MG). “Perdeu, Flavinho”, ironizou, no X. “Flávio Bolsonaro tentou me processar porque denunciei o caso da mansão que ele tomou do jogador Richarlison. Foi mais uma tentativa de me intimidar. Não deu certo. Perdeu o processo e eu vou continuar denunciando tudo de errado que ele fizer”, acrescentou Correia.
PERDEU, FLAVINHO! 🤭
Flávio Bolsonaro tentou me processar porque denunciei o caso da mansão que ele TOMOU do jogador Richarlison.
Foi mais uma tentativa de me intimidar. Não deu certo. Perdeu o processo e eu vou continuar denunciando tudo de errado que ele fizer. pic.twitter.com/BrIe1J1hus
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) July 23, 2026