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Progressistas da América Latina se unem por Cepeda na Colômbia: continuidade da democracia

Apoiado pelo presidente Gustavo Petro, candidato concorre contra o extremista de direita Abelardo De La Espriella no segundo turno

O Partido dos Trabalhadores (PT) acompanha com atenção o segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia. Mais de 41 milhões de colombianos aptos a votar irão às urnas no próximo domingo, 21, para decidir entre dois candidatos: o progressista Iván Cepeda, indicado do presidente Gustavo Petro, e o extremista de direita Abelardo De La Espriella, o preferido do governo dos Estados Unidos (EUA). No primeiro turno, concluído em 31 de maio, De La Espriella liderou por uma diferença de 673 mil votos, o que preocupa a esquerda latino-americana.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, 18, o senador Humberto Costa (PE), secretário nacional de Relações Internacionais do PT, se manifestou sobre o pleito na Colômbia e endossou o aliado de Petro para presidente.

“A eventual vitória de Iván Cepeda representará a continuidade das transformações democráticas e sociais iniciadas pelo governo de Gustavo Petro, primeiro presidente progressista da história colombiana”, afirma.

“A continuidade desse projeto poderá fortalecer uma agenda de cooperação, desenvolvimento e soberania regional, enquanto uma vitória da direita tende a enfraquecer os esforços de integração latino-americana e a recolocar a Colômbia em uma posição de alinhamento automático à política externa dos Estados Unidos, em detrimento da autonomia estratégica da região”, conclui Humberto.

A secretária nacional adjunta de Relações Internacionais do partido, Misiara Oliveira, disse categoricamente à Rede PT de Comunicação que, na disputa entre Cepeda e De La Espriella, “o que está em jogo é o futuro da democracia e da soberania dos países da América Latina”.

“A eleição presidencial da Colômbia tem como desafio escolher o avanço de um projeto liderado por Petro, que enfrentou desigualdades e conflitos históricos, ou um projeto de destruição, violência e submissão internacional da extrema direita. Iván Cepeda e Aida Quilcue [candidata a vice] representam um presente e um futuro mais dignos para o povo colombiano”, avaliou Misiara.

Equilíbrio político latino-americano

Para derrotar De La Espriella, Cepeda está buscando o apoio de todos os progressistas da América Latina. A equipe do candidato colombiano aponta a importância da vitória na Colômbia contra o cerco de radicais da direita, lembrando que foram eleitos em países da região, nos últimos anos, Javier Milei na Argentina, Nayib Bukele em El Salvador e Daniel Noboa no Equador

“A Colômbia é hoje uma peça central do equilíbrio latino-americano. Lula, Petro e [Claudia] Sheinbaum [presidenta do México] são lidos como o eixo desse campo regional, e é esse eixo que o bloco da extrema direita procura cercar. As eleições na Colômbia são importantes porque reúnem o conflito entre capital e vida, a crise climática, a geopolítica da guerra e a luta pelo futuro democrático da região”, descreve o documento.

Sebástian Granda Henao, professor de Fronteiras e Direitos Humanos na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), disse, em entrevista à Agência Brasil, que uma eventual eleição de De La Espriella na Colômbia aumentaria a possibilidade de o presidente dos EUA, Donald Trump, interfir politicamente na América Latina.

“Vai ser mais uma ficha no tabuleiro desse modo imperial de Trump governar, se colocando para o mundo cobrando obediência. Diria que alguns processos em curso podem parar, como alianças contra a desigualdade ou por transição energética e preservação ambiental”, analisa o professor.

No caso de uma vitória de Cepeda, por outro lado, Henao crê na manutenção da aliança entre Brasil, Colômbia e México. O três países tem demonstrado alinhamento nas relações entre eles e em fóruns internacionais. Ademais, o candidato progressista continuaria o projeto chamado “Pacto Histórico”, coalizão de legendas que deram sustentação ao governo de Petro.

País de 53 milhões de habitantes, segundo mais populoso do continente, a Colômbia mantém índices econômicos estáveis, com crescimento salarial e aprovação de reformas estruturantes, a exemplo da trabalhista e a da previdência, que ampliaram direitos para empregados e aposentados.

A extrema direita da Colômbia

De La Espriella é um polêmico advogado e político radical que guarda semelhanças inconfundíveis com o bolsonarismo. Ele ganhou notoriedade por declarações controversas e estilo de vida extravagante. Suas posições incluem a abolição da Justiça Especial para a Paz, que pôs fim ao conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e a construção de megapresídios subterrâneos, além de duras críticas ao “establishment”.

Embora se apresente como um “empresário de realidades” e uma figura antissistema, os críticos de De La Espriella classificam como “absurdas” suas propostas. O candidato da extrema direita também está marcado por falas machistas e racistas e por denúncias de transgressões eleitorais.

Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Brasil.