Siga nossas redes

Única explicação para tarifaço é política e envolve família Bolsonaro, afirma Haddad

Ex-ministro e pré-candidato em SP diz que decisão de Trump contra o Brasil foi articulada por Flávio e Eduardo; ele alerta para impactos econômicos no estado e no país

Ex-ministro afirma que o tarifaço de Trump foi articulado com apoio da família Bolsonaro e alerta para os prejuízos à economia brasileira.Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Não faz o menor sentido para as tradições diplomáticas brasileiras um país que tem 200 anos de relação econômica com o Brasil ter esse tipo de atitude”, afirmou o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, ao comentar a decisão do governo dos Estados Unidos de taxar produtos brasileiros em 25%. 

A medida, anunciada pelo Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), por ordem do presidente Donald Trump, vai prejudicar produtores brasileiros, atingindo cerca de 23,8% das exportações do Brasil para o mercado americano no primeiro semestre de 2026.

Em entrevista, Haddad declarou que a taxação só é explicável porque ela foi gestada dentro do Brasil. “A única explicação plausível para o que foi feito ontem é porque a família Bolsonaro urdiu esse ataque ao Brasil, com um objetivo específico, que é escapar do processo que está em curso, do processo judicial que está em curso”, disse.

São Paulo, o estado mais afetado

“O estado mais afetado pelo tarifaço do Trump é o estado de São Paulo. Mais uma razão para os paulistas estarem unidos em torno dos interesses nacionais contra essa postura agressiva e indesculpável de um governo que está transformando dois países amigos em países hostis um ao outro, sem o menor cabimento”, analisou Haddad.

Segundo Haddad, é importante agora, frente à cobrança de 25% sobre commodities nacionais, que os brasileiros que apoiam Donald Trump repensem suas ações. “Por que os EUA estão atacando o PIX e atacando sobretudo a produção de São Paulo?”, questionou o ex-ministro da Fazenda, que classificou a atitude do governo estadunidense como gratuita e fortuita. 

Os paulistas devem estar unidos contra postura agressiva e hostil dos EUA, enfatizou.
“Eu espero que o Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos. Ele tem que reavaliar e fazer uma autocrítica, sabe, por uma ingenuidade muito grande. O Trump é desaprovado lá. Nós não estamos em conflito com os Estados Unidos. É o governo do Trump que tem problemas conosco. Então nós precisamos nos unir nessa hora”, disse ex-ministro.

“A extrema direita vai ter que reconhecer, mais cedo ou mais tarde, que deu um enorme tiro no pé, porque está prejudicando o principal estado do país, justamente o estado de São Paulo”, manifestou o ex-ministro.

O sistema de pagamentos instantâneos, o PIX, é apontado pelo governo Trump como um instrumento que prejudica negócios de empresas americanas, em especial as grandes bandeiras de cartões de crédito. A regulamentação de plataformas digitais também é citada pelos EUA como “prática irrazoável” do Brasil. O Governo Lula já refutou todos os questionamentos e tentou, sucessivas vezes, uma negociação diplomática. 

A aplicação das sobretaxas entra em vigor em 22 de julho. A fatídica notícia coincidiu também com outro movimento engendrado pela irmandade Bolsonaro, que foi o governo Trump designar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. A decisão, também atiçada pela extrema-direita, ampliou a pressão sobre o Brasil e a atitude descabida em relação ao governo Lula.

Papel de Eduardo Bolsonaro

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro, dos EUA, fomentou e provocou, junto com seu irmão e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, o tarifaço de Trump como forma de pressionar pela libertação de seu pai, Jair Bolsonaro, que segue preso por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Eduardo Bolsonaro mencionou, no mês passado, que o Zelle, plataforma utilizada pelos americanos para transferências instantâneas entre contas bancárias, poderia substituir o PIX nas transações.